Metallica: 34 anos de “Master of Puppets”

by Flávio Farias

Em 3 de março de 1986, o METALLICA lançava o seu terceiro e mais amado álbum até os dias atuais. O mais importante da banda e que influenciou todas as bandas que vieram depois: “Master of Puppets“.

A banda vinha de uma baita evolução em seu segundo disco: “Ride the Lightning“, que é o meu preferido da discografia deles, mostrava uma banda bem mais técnica e madura em relação ao debut, “Kill’em All“, em que o METALLICA emergia de uma maneira agressiva, porém, crua, inexperiente (normal) e por vezes até inocente demais.

Mas os caras se superaram e neste álbum eles juntaram as qualidades dos dois álbuns anteriores, acrescentada da experiência que a banda pegou na estrada e o resultado é o melhor disco da história do Thrash Metal, empatado com “Reign in Blood”, do SLAYER.

A banda então viajou até o país natal do baterista Lars Ulrich, e acompanhada do produtor Flemming Rasmussen, a banda gravou a bolacha, no “Sweet Silence Studios”, na capital Copenhague.

A abertura se dá com “Battery“, que tem em sua intro, um violão com influências de música espanhola e que logo vira uma música veloz, agressiva, maravilhosa. “Master of Puppets” é pesada, com várias partes diferentes, sem tirar o pé do acelerador em alguns momentos. Um verdadeiro clássico e que é obrigatória a sua execução nos shows da banda até os dias atuais.

The Thing That Should Not Be” é densa, pesada, calcada nos riffs de guitarra, onde James Hetfield tem um de seus pontos altos enquanto guitarrista base. “Welcome Home (Sanitarium)” é uma espécie de balada pesada da banda, muito boa, onde no solo a música cresce.

Disposable Heroes”  tem um andamento mais arrastado, mas no refrão os caras tratam de pisar fundo no acelerador. A música lembra muito as faixas de “Ride the Lightning“. Já “Leper Messiah” é uma das minhas favoritas deste disco (eu gosto de todas, mas essa se destaca um pouco mais), por ela ser pesada, por ter riffs maravilhosos, por ser densa.

O final do disco se dá com as minhas duas favoritas, de forma igual: a instrumental “Orion“. Tudo aqui nesta faixa é perfeito: os riffs, o peso, Cliff Bruton dando seu espetáculo. Uma curiosidade bem pessoal. Em um dos meus jogos de videogame favoritos, PES, temos a opção de editar e criarmos a nossa trilha sonora. E a música que eu elegi do METALLICA foi “Orion“. Fiquei muito surpreso e emocionado quando eles executaram esta música no “Rock in Rio” de 2011 e dedicando a música a Cliff.

E finalizando, “Damage Inc.”. Velocidade, peso e agressividade, tudo em uma perfeita sincronia. Para fechar com chave de ouro um disco perfeito, em que nada precisaria ser acrescentado ou retirado. Existe uma versão do DREAM THEATER, com o vocalista do NAPALM DEATH, Mark Barney Greenway, em que eles tocam esta música e a precisão da banda é uma coisa fantástica, eles conseguiram melhorar o que não poderia ser melhorado.

Este disco é cultuado por 12 em cada 10 fãs do METALLICA e o fã mais radical vai dizer que a banda acabou após este lançamento. Eu não diria isso, eu consigo ainda escutar até o “Load“, porém, depois do “Master of Puppets“, eu concordo que a banda não foi mais a mesma, muito embora ela tenha atingido a sua maturidade musical e de composição no “Álbum Preto”, porém, ali a banda já não fazia mais aquele Thrash Metal que encontramos aqui, puro, cristalino e influenciador.

OZZY OSBOURNE afirmou certa vez que “Master of Puppets é o que se fez de melhor no Heavy Metal.” o disco foi eleito pela revista inglesa “Metal Hammer” e pelo site “Music Radar” como o melhor disco do estilo de todos os tempos. A revista “Kerrang!” elegeu o disco como o sétimo maior da história do Heavy Metal. Eu classifico, como disse no terceiro parágrafo, o melhor disco de Thrash Metal da história e um dos maiores do Heavy Metal, mesmo que soe meio contraditória a minha afirmação no segundo parágrafo de que ele não é o meu favorito em sua discografia, mas com certeza se eu fizer um top 5, ele figurará.

Em 2006, o METALLICA saiu em turnê tocando este clássico na íntegra. Dois anos antes, o DREAM THEATER gravou um disco ao vivo, na qual este clássico fora executado na íntegra.

E foi durante a turnê de “Master of Puppets” que aconteceu o terrível acidente de ônibus onde o baixista Cliff Burton foi vítima fatal, em 27 de setembro de 1986, na Suécia. Este fora o último registro de Cliff, que ainda deixara escrito a faixa “To Live is to Die“, que entraria no álbum posterior, “…And Justice for All“.

O disco foi lançado pela gravadora Elektra, pela segunda vez. Quanto a minha relação com este disco, é muito especial, eu conheci lá no ano de 1997, na casa de um grande amigo, fã de METALLICA até os dias atuais, e esta bolacha rolou muitas vezes que eu ia visitá-lo. Certamente este amigo me influenciou a virar um admirador da banda.

E assim, este disco, onde James Hetfield e Cliff Burton deram um espetáculo e em que Kirk Hammet e Lars Ulrich não comprometeram, vai completando mais um aniversário. E é um álbum que nunca envelhecerá! Seguirá influenciando gerações e gerações. Confesso que sinto saudades desta época da banda, saudosista confesso que sou. E aqui vou reverenciando um disco que merece todos os louros.

Master of Puppets – Metallica
Data de lançamento: 03/03/1986
Gravadora: Vertigo

Tracklisting:
01 – Battery
02 – Master of Puppets
03 – The Thing That Should Not Be
04 – Welcome Home (Sanitarium)
05 – Disposable Heroes
06 – Leper Messiah
07 – Orion
08 – Damage Inc.

Lineup:
James Hetfield – Vocal/Guitarra base
Lars Ulrich – Bateria
Kirk Hammet – Guitarra solo
Cliff Burton – Baixo

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