Metal Voice é um quadro da Roadie Metal criado por cinco redatores, cujo o ponto em comum é o fato de serem, ou já terem sido, vocalistas de bandas de Rock/Metal. Nos textos, serão publicadas entrevistas com diversos vocalistas, onde cada um contará a sua história e trajetória até chegar no posto de frontman/frontwoman de uma banda, indo dos detalhes pessoais até os mais técnicos, com total enfoque na questão vocal.

No quadro de hoje conversaremos com Ronan Valadão, vocalista da banda Mobile Drink.

Móbile Drink é uma banda de Rock and Roll formada em 2004 no Rio de Janeiro – RJ. O embrião dos trabalhos se iniciou em 2002 quando começaram a ensaiar juntos, porém o projeto só ganhou corpo dois anos depois e, assim, a banda realmente começou de fato. Em 2010 deram uma pausa nas atividades, gerando um hiato de cinco anos, retomando os trabalhos novamente só em 2015, já voltando com tudo e apresentando material novo.

Então vamos para a entrevista. Confira abaixo!

Roadie Metal – Vamos começar do início: como começou sua relação com a música? Tem alguma primeira lembrança marcante?

A lembrança que eu tenho é do meu pai ouvindo os LP’s dele. E eu de “orelhada” ficava ali absorvendo indiretamente toda aquela música que saía da vitrola. Eu deveria ter de 4 a 5 anos de idade. As músicas variavam de MPB, Rock nacional ao internacional. Mas eu só me senti abraçado pela música na geração da cena Grunge e daí eu comecei a ouvir também outros subgêneros do Rock, como: Hard Rock, Classic Rock e Metal.

Roadie Metal – Muito interessante! Seu pai tinha bom gosto para a música e você também! E depois disto, por que decidiu ser vocalista? Algo em especial te despertou maior interesse?

Quando comecei com bandas eu queria mesmo era ser guitarrista. Estudava horas aprendendo escalas, tirando solos, etc… Mas sempre era colocado pra cantar, mesmo sem saber direito, mas sempre fui “afinadinho”. Daí comecei a engrenar no posto de vocalista. Mas demorou muito pra eu me perceber como vocalista. Eu sempre fui meio “punk” no meu modo de cantar porque eu não queria soar muito “cantor”. Achava o posto meio brega…

Roadie Metal – Acho que é sempre assim: a guitarra é o que nos atrai primeiro mesmo! Mas já que acabou indo para a voz, quais suas referências de vocalistas? Tem alguém que quando você ouviu decidiu “também quero fazer isto!”?

São muitas referências, né…. Há grandes vocalistas e cada um com seu estilo e se fazendo soar muito bem. Mas acho que comecei a me entender como vocalista tendo a referência do Jim Morrisson, vocalista do The Doors. Pois ele soava melódico e ao mesmo tempo tosco, berrando e gritando e isso me chamava a atenção. Tinha um certo desapego com a questão de ter de ser técnico pra cantar. E esse tal desapego me chamava a atenção.

Roadie Metal – Ótima referência, muito melódico e intenso! Já que falou de um clássico, gosta de algum vocalista da nova geração ou prefere realmente o pessoal da velha guarda? Se sim, quem?

Prefiro falar da galera que tá próxima a mim aqui da cena independente do Rio de Janeiro e que realmente gosto das vozes. Curto muito os vocais do Jean Coutto (Ponte Safena), Bruno Corrêa (Purano), Flávio D’anunciação (Seu Roque), Lou Siciliano (Siciliana ); enfim, muita gente boa!

Roadie Metal – Muito interessante utilizar referências da cena underground do Rio de Janeiro! Mas falando de você agora, há quanto tempo atua como vocalista da Mobile Drink e qual acredita ter sido o melhor show da banda? E qual sua melhor performance individual? Por quê?

Atuo desde do início, em 2004. Nosso melhor show é difícil pois são vários shows memoráveis, mas tem: Circo Voador, Imperator, Roquealize-se. São os que vem na memória agora… Mas tem mais com certeza! Minha melhor performance individual é sempre a que estar por vir, pois eu sempre me dedico ao máximo pra fazer uma boa apresentação e sair do palco com a sensação de dever cumprido.

Roadie Metal – Muito legal esta sua dedicação para sempre ser melhor! Falando em ser melhor, tem alguma técnica vocal que prefere utilizar? O que faz para atingir o resultado vocal que considera satisfatório?

Pois é, eu nunca fui de técnica, sempre foi numa situação empírica mesmo, no feeling. Mas chegou um certo momento que as técnicas começaram a fazer falta. Senti a necessidade de aprofundar no vasto mundo das vozes e tomei um susto com a quantidade imensa de possibilidades.

Tudo está “nomenclaturado” e com isso hoje sei que uso muito o que chamam de: creaky voice, snarl voice, phaser voice, growling voice… Bastante coisa, né? E pra atingir com resultado satisfatório é trabalhando a pressão respiratória, junto com a pressão psicoacústica, que nada mais é a que a sensação da saída de som no que se refere a projeção e volume de voz, que para mim é parte mais difícil. Pois sempre cantei com muito volume de voz e não necessariamente precisamos disso.

Roadie Metal – Muito boas as dicas aí para os vocalistas que estão acompanhando a entrevista, realmente bem informativo. Agora falando do seu trabalho como músico, por que cantar música autoral e como faz para colocar a melhor nota para construir a melhor melodia para a música? É um grande desafio?

Olha, eu amo criar. Eu realmente amo criar! Tenho projetos covers com músicas que eu adoro, mas nada é igual pra mim do que cantar músicas autorais. No caso da melhor nota só encontramos ela com o contexto da própria música já formado. A criação de uma canção pode ter vários processos; às vezes começa pela letra, às vezes pela melodia, outras pela harmonia. Não tem fórmula… O importante é o resultado final sair satisfatório!

Roadie Metal – Sim, realmente! Para a arte não existe uma fórmula mesmo. Ainda falando sobre cantar, de todas as músicas que canta no repertório de covers, qual considera a que melhor combina com sua voz e qual delas tem sua melhor performance no palco?

Pouco, quase nada e quase sempre. Na Móbile Drink, fazemos covers, mas de projetos que tenho como a banda Alcólicks, projeto cover, com certeza curto cantar as noventistas: Nirvana, Alice in Chains, Soundgarden, Pearl Jam, Silverchair, Stone Temple Pilots, entre outras. Curto muito cantar The Doors também, projeto covers que estou me infiltrando e em construção. Com essas, com certeza me sinto na praia…

Roadie Metal – Agora falando de autorais: qual delas você tem o maior orgulho de ter composto ou ajudado a compor e que tenha achado que tenha ficado ótima sua participação? E qual delas exige mais de você?

Tenho muito orgulho de ter composto canções como: Cruel Jogo do Não, Se Desfez, Purgatório: eu, Grades Invisíveis, Cântico do Armagedom, enfim… E todos elas de alguma forma exigem de mim mesmo que de maneiras diferentes. Algumas mais técnicas e outras mais sentimental. Sendo que todas elas envolvem os dois. Mas algumas tendem mais pra pontos diferentes.

Roadie Metal – Entendi, cada música é uma história diferente mesmo. Agora fale um pouco sobre sua banda: quem é a Móbile Drink? Que tipo de som fazem? O que já conquistaram até aqui? O que pretendem conquistar? Qual trabalho autoral seu você gosta mais? Por que resolveram fazer Rock Autoral? Quando começou?

Bom, vamos lá:

Quem é a Móbile Drink? Somos 4 caras que gostam muito, mas muito mesmo de fazer música.

Que tipo de som fazem? É sempre difícil falar de si… Hoje dizemos que fazemos Rock… Bem direto assim: Rock.

O que já conquistaram até aqui? Uma experiência de vida fodida!!!! Vitórias que nos dão ânimo pra seguir mostrando nosso som…  Derrotas, que nos ensinam que por mais que apressemos os processos, há coisas que são “inapressaveis”. Um público em crescimento que curte a gente de verdade, que vai aos shows, compra nossos merch e o mais importante: que saca nossa mensagem!

O que pretendem conquistar? O máximo possível de pessoas que gostem de Rock

Qual trabalho autoral seu você gosta mais? Eu curto o EP: Canções da Noite e outros Tragos, os singles: Se Desfez, Purgatório: eu, entre outras músicas, como Cântico do Armagedom, Grades Invisíveis.

Olha o tanto de música que eu posso bater no peito e falar que fizemos todas essas músicas juntos! É muito foda isso! E só é possíveis porque 4 caras resolveram se juntar e criá-las! Essa é a magia do autoral, é a energia dos 4 envolvidos na criação de uma coisa nova… Algo que modifica a vida das pessoas. É muito foda quando alguém aparece e me diz eu passei por algo na minha vida e a sua música me ajudou a perceber e a lidar com aquele momento. ISSO NÃO TEM PREÇO! Uma vez uma pessoa chegou perto de mim e do Bruno (baterista da Móbile Drink) e falou: eu estou aprendendo a tocar bateria e estou começando a tirar a batera da Prosódia da Vida: a batera dessa música me inspira a tocar!
Daí a gente percebe que há uma contribuição no que fazemos tão grande que não dá pra medir! É a contemplação de algo maior que nós e que não podemos explicar!

Roadie Metal – A música tem dessas coisas, não é? E curtir cada um destes momentos é algo muito intenso. Agora, Ronan, é para encerrar: quais dicas deixa para quem está começando na música e, principalmente, para quem quer ser um vocalista, o que na sua experiência é importante fazer e quais passos dar para alcançar a melhor performance? Qual mensagem deixa para os músicos autorais?

Seja a sua música! Comece porque você quer muito fazer música e não comece por pensamento de tirar onda, mulherada, bebedeira entre outras coisas idiotas assim: não faça isso! Comece porque a música é algo tão importante que você tem a necessidade de dividir isso com o mundo que vive!

E para quem quer cantar, procurar bons orientadores, pois é muito difícil o instrumento de cantar. Cantar é acima de tudo um autoconhecimento corporal brutal que só se colocando nesse mundo pra entender o como maluco e satisfatório é o canto. Posso dizer que chega ao ponto de uma escala espiritual/mental. E é claro: ouvir grandes cantores de todos os ritmos e tentar entender o que eles fazem e como eles fazem. Criem sempre a sua música de dentro pra fora, nunca o contrário. Vai parecer brega, e talvez seja, mas é real: siga sempre seu coração quando estiver criando algo! Nunca vá ou se deixe influenciar pelo externo: pessoas, modismo, etc. Mude ou faça algo somente quando seu coração assim o quiser: faça sempre o seu som!

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