Domingo de carnaval é dia de escutar marchinhas, certo? Errado! Pelo menos em Curitiba. O Metal Carnival, aconteceu no dia 23 de fevereiro, no Blood Rock Bar. Foram sete bandas locais, muita guitarra, bateria, moshs e cinco horas de som pesado. O festival é focado em bandas autorais para metaleiro nenhum botar defeito. Música de qualidade, produzida na cena local para um público interessado. Parece inacreditável? Mas foi exatamente assim. Por mais iniciativas que fomentem o cenário do Metal e que transformem a perspectiva de que o gênero está morrendo a cada dia. Porque ele estava muito bem vivo em Curitiba, neste carnaval. Vale lembrar que os shows foram curtinhos, de cinco a oito músicas por banda.

Aureum – 18 horas

A Aureum é formada por Matheus Ribeiro nos vocais, Willian Prigoli na guitarra, Gui Mokfa no baixo e Carlos Groove na bateria. A banda, que existe desde 2018, trabalha atualmente no seu primeiro álbum, com previsão de lançamento em 2020.

Setlist: “Welcome”, “Eternal Journey”, “To Be Free”, “Winds of Deliverance”, “Time to Believe”, “Beyond the Storm”

Sowdierz – 18h44

Fotografia: Angela Missawa.

A Sowdierz começou em 2016 e é formada por Luke Zechen nos vocais, Lipe Klein no baixo, Eleandro Smaha na guitarra solo, Bruno Willy na bateria, Fábio Schwartz na guitarra base. Em dezembro de 2019, eles lançaram “The Mechanism”, com seis músicas, pelo selo da Roadie Metal. “Muito obrigado a todo mundo que está curtindo heavy metal autoral. Vocês são foda.”, disse o vocalista, que agradeceu também ao dono do Blood. “Muito obrigado ao Sérgio Mazul, por ter dado a oportunidade de estar aqui e mostrar nosso som autoral.”

Setlist: “Normal Day”, “Illusion”, “Jardins de flores mortas” (pt), “God is good”, “The Mechanism”.

Broken Death – 19h29

Fotografia: Angela Missawa.

Broken Death é formada atualmente por Bertê nos vocais, Peterson na guitarra, James na bateria e Mike no baixo e backing vocal. A esse ponto da noite, o local destinado para o show começou a encher. “Gostei do baile aí.”, disse o vocalista, se referindo ao mosh que se formou no meio da plateia. A escada, que é um dos pontos mais disputados do Blood Rock Bar, estava lotada, afinal, para quem não gosta de ficar no meio da galera, ou quer fugir das rodas, por ali dá pra ver bem o palco. “Muito obrigado ao Sérgio Mazul, pelo convite.”, disse o vocalista, que finalizou agradecendo ao evento. Ele ainda citou as próximas músicas a serem tocadas, porém tiveram que trocar. “O guitarrista teve uma pequena amnésia, então vamos antecipar a última música.”, disse o vocal.

Setlist: “Pandemia”, “Holocausto Urbano”, “Blind Lead The Blind”, “Religion is Fear”, “Beyond The Grave”, “Afterworld”, “Fábrica de Tortura”, “Parasites”, “Age of Illusions”.

Impested – 20h19

Fotografia: Angela Missawa.

A Impested fez um show excelente. Cativou o público, o João é um grande frontman e interage bastante. “A gente acabou tendo probleminhas. Espero que vocês tenham gostado mesmo assim. A próxima música é um som que a gente não lançou ainda. Espero que vocês curtam que é um som meio divertido.”, disse João, anunciando “Anhedonic”. Se esse foi um teste, pode contar com a aprovação. O público balançou a cabeça em massa. “Quem já acompanha a gente sabe que o nosso guitarrista está internado já faz um mês, e a gente recebeu a notícia há pouco tempo que amanhã ele vai sair do internamento. Então não só essa música, mas o show inteiro a gente quer dedicar também ao Igor, a gente quer fazer uma festa em homenagem a ele. Queria só agradecer ao Giovani que está fazendo um sub pra gente hoje.”. João dedicou a música All My Friends ao público e ao guitarrista oficial, Igor, que não estava presente e foi substituído por Giovani Cheron, da Murder Me Slowly.

“A próxima música que a gente vai tocar é o nosso single mais recente. A moral dela é basicamente nunca se afoguem em amores rasos.”, comentou o vocalista ao anunciar o single lançado recentemente “Azov”. “Eu quero ver vocês batendo cabeça, fazendo o que vocês quiserem, mas se divirtam.”. Atualmente, a formação da Impested é João E. Mahlmann no vocal, Guilherme Cit, no baixo, Igor G. Sena e Vinny Franco nas guitarras.

Setlist: “Dance of Death”, “Anhedonic”, “All My Friends” (cover Knocked Loose), “Unanswered” (Suicide Silence), “Mistakes Like Fractures” (cover Knocked Loose), “Azov”.

Atrocitus – 21h01

Fotografia: Angela Missawa.

Participantes bem ativos no underground curitibano, o Atrocitus tem um público muito fiel, que defende com unhas e dentes que eles têm qualidade internacional, e ainda gritou em coro o nome da banda, do começo ao fim. Nesse ponto do show, o Blood está realmente cheio. “Se for pra acabar é pra acabar com estilo. Agora o que vem é quebradeira.”, disse o vocalista. O público respondeu na hora com um coro de: “olê olê olê Atrocitus”. Enquanto isso, formou-se uma fenda bem no meio da plateia. “A isso aí galera, fiquem com Mercy Killing agora.”, disse anunciando a próxima banda. Atrocitus foi formado na região metropolitana de Curitiba, em Campina Grande do Sul em 2017. Atualmente, a banda tem Petherson ‘Pettrus’ Trudes nos vocais e guitarra, Weverson Huan no baixo e vocal, Welyton ‘Tom’ Pablo na guitarra e Ian Schmoeller na bateria.

Setlist: “Mr. Pickles”, “Mind Block”, “Mordaça”, “Repulsa”, “Salvação”, “Epitaph”, “Just Accept”.

Mercy Killing – 21h49

Fotografia: Angela Missawa.

Mercy Killing chegou com bastante energia. “Vocês ainda estão devagar. É a bebida ou cansaram por causa do Atrocitus?”, brincou a vocalista. A banda foi formada em 1988, na Bahia, mas está em Curitiba desde 2002. Atualmente está com nova formação, mas mantém Leonardo Barzi no baixo, Tati Klingel nos vocais e Texa Hard, na guitarra. “Quero apresentar nosso mais novo integrante da banda: Marlonn Fabrício, na bateria. Um urro pro Marlonn.”, disse Tati. Baixista e fundador do Mercy Killing, Barzi deu um aviso importante para quem gosta do som da banda. “Pra quem nunca prestou atenção nas letras da Mercy Killing, eu queria esclarecer que somos uma banda política. Sempre fomos uma banda de esquerda. Então eu gostaria muito que, se tiver alguém incomodado com isso, eu peço desculpas, para o cara saber que comprou um cd que ele não gostou, pode devolver pra gente que a gente devolve a grana pra você, tá?”, disse Leonardo. O público se manifestou gritando e aplaudindo. A participação também aconteceu quando Tati ensaiou o coro pro refrão de “Tumulto”: “toda vez que a gente disser manifesta, vocês gritam porrada.”. Nessa hora, Vitor Hugo, do Exylle, subiu no palco pra cantar junto o refrão.

Setlist:“Satisfaction of the Flesh”, “Ghost of Perdition”, “Toxic Death”, “Redress”, “Splatterhead”, “The Thrasher!”, “Down the Power”, “R.I.S.”, “Sufrágio”, “Tumulto”, “Euthanasia”, “Life”.

Hell Gun – 22h37

Fotografia: Angela Missawa.

A Hell Gun foi a banda que encerrou o evento. “Mais um Metal Carnival. Tocamos na primeira edição, eu acho, e sempre que possível estamos por aqui.”, disse o vocalista. Ela é formada por Matheus Luciano no vocal, Lucas Licheski e Jean Fallas nas guitarras, Marllon Woicizack no baixo e Sidnei Dubiella na bateria. “Sempre um prazer tocar no Blood. Um abraço ao Sergiao.”, agradeceu o vocalista. O Hell Gun tem uma sincronia de palco incrível, que culmina com coreografias de cabelo e braço, aliados a jogadinhas bem tradicionais do estilo, em que o braço da guitarra e do microfone são uma coisa só. “Singers of the night dedicado a todos vocês que ficaram até essas horas na night.”, disse Matheus, dedicando a última música ao público. O show terminou por volta de 23h17 com o público gritando pela Hell Gun.

Setlist: ”Dracula”, “Night Of Necromancer”, “Devil Dogs”, “Revolution Blade”, “Tears of ra”, “Cult of ignorance”, “Sacrifice”, “Pride to the nations”, “Singers of the night”.

Encontre sua banda favorita