O primeiro ingrediente que recebe o ouvinte é a guitarra e seu riff suspirante. Porém, não se engane. Ainda que de fato pareça ter uma postura suspirante, esse mesmo riff não permite a construção de um ecossistema sensorial pautado na brandura, na leveza e na delicadeza. Afinal, sua essência é áspera e sugere um ambiente sombrio e trevoso diante de uma prematura ideia do nascimento de algo intenso, visceral, imponente e, até, quem sabe, dramático.
É interessante perceber que, nesse processo, a raiva começa a ser um quesito bastante perceptível diante desse instrumental minimalista. Mesmo ganhando a participação de um teclado que imita o sonar adocicadamente ácido do hammond de forma a contribuir com a criação de uma paisagem sônica mística de brisas progressivas e psicodélicas, invariavelmente é a guitarra o elemento que domina a gama de sugestões sensoriais ofertadas para o ouvinte.
Sombria em sua máxima essência, a canção, a partir do momento em que tem seu escopo lírico iniciado, explora, graças à interpretação verbal depositada por uma voz masculina de timbre intermediário e base aguda, uma nuance narrativa não somente folclórica, mas que assume a forma de uma história mitológica que instiga a curiosidade e a imaginação do espectador. É nesse ínterim que o escopo melódico ganha, inclusive, a presença do mellotron. O instrumento coopera com a identificação prematura do folclore, mas tem sua presença destacada por conseguir fazer com que o veludo não seja necessariamente reconfortante e, sim, uma textura que auxilia no enigmatismo e no teor de suspense que tanto rege a história verbal em processo de desenvolvimento.

Promovendo uníssonos entre a guitarra e a movimentação das pronúncias proferidas pelo vocalista, a canção, surpreendentemente, engata em um processo de crescendo em que o baixo, com sua corpulência rígida, confere consistência e precisão a um cenário cheio de mistérios. Baseada em um fragmento do livro Enlightenment Now, de Steven Pinker, Liberal Anthem é um single cinemático, místico e mitológico em que, através da maestria de Lukky Sparxx no comando do microfone, serve como um chamado para a criação da Igreja de John Stuart Smith.
Servindo, a partir daí, como um lembrete da nobreza das ideias liberais, mas também humanísticas e pró-direitos humanos, a reflexiva Liberal Anthem explora a sensibilidade do Transgalactica. E isso é notável através do intuito duo polonês da Cracóvia em dedicar a presente composição a toda a humanidade em prol da felicidade e bem-estar universais.
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