Olá, queridos viajantes pelo mundo através do Heavy Metal, eu sou a comandante Jennifer Kelly e recebi das mãos do comandante Mauro Antunes, que os transportou pela Holanda, a missão de levá-los a um outro ponto do planeta a ser explorado. Minha incumbência é mostrar a vocês as curiosidades da África do Sul. Portanto, apertem os cintos, porque vamos dobrar o Cabo da Boa Esperança. Vem comigo?

Todo mundo se lembra das aulas de história, quando se falava no Cabo da Boa Esperança ou Cabo das Tormentas, um dos pontos mais meridionais do continente africano, onde os marinheiros dos tempos antigos tinham que contornar para seguir para o oriente, o caminho das índias, em busca das riquezas da terra antiga e trazê-los de volta à civilização ocidental, mais precisamente na Europa, o maior consumidor das iguarias. Este, faz parte da geografia do país, hoje conhecido como África do Sul, banhada pelos oceanos atlântico e índico.

A África do Sul, oficialmente chamada de República da África do Sul é o país localizado no extremo sul do continente africano, com 2.798 Km de litoral e vizinho dos países Namíbia, Botsuana e Zimbábue, ao norte, Moçambique e Essuatíni, ao leste e Lesoto, totalmente rodeado pela África do Sul. O país é conhecido por sua biodiversidade e pela grande variedade de culturas, idiomas e crenças religiosas. A Constituição reconhece 11 línguas oficiais, sendo duas delas de origem europeia: o africâner, uma língua que se originou principalmente a partir do holandês e que é falado pela maioria dos brancos e mestiços sul-africanos, e o inglês sul-africano, que é a língua mais falada na vida pública oficial e comercial, embora seja apenas o quinto idioma mais falado em casa.

Economicamente falando, a África do Sul é considerada um país emergente, tendo a segunda maior economia do continente, atrás apenas da Nigéria, sendo a 25ª maior do mundo. 70% de sua população é composta por negros, distribuídos em várias etnias. A África do Sul é uma democracia constitucional na forma de uma república parlamentar e é um dos poucos países a não ter passado por golpe de estado ou mesmo guerra civil após o processo de descolonização. Suas maiores cidade são Johannesburgo, Cidade do Cabo, Durban, Bloemfontein e Pretória.

Alguns dos Parques Nacionais mais famosos do continente africano encontram-se na África do Sul, como o Parque Nacional Kruger, o Parque Nacional dos Elefantes de Addo e o Parque Nacional da Montanha Mesa, bem como uma parte do Deserto do Kalahari. A fauna é um dos destaques deste país tão rico, destacando-se os leões, elefantes, búfalos, leopardos, rinocerontes, hipopótamos, girafas, crocodilos e o temido tubarão branco.

No entanto, sua história foi manchada por um regime de dominação durante décadas ao longo do século 20, chamada de regime do apartheid, implementado em 1948, onde a minoria branca exerceu a força contra a maioria negra, suprimindo seus direitos políticos e econômicos, o que gerou nos anos futuros protestos, boicotes econômicos e diplomáticos e banimentos até que a situação fosse resolvida, o que só ocorreu em 1992. As condições internacionais do país foram melhorando ao longo dos anos posteriores, permitindo inclusive a realização da Copa do Mundo de Futebol da FIFA, em 2010, vencida pela Espanha.

A África do Sul revelou ao mundo diversas celebridades, sendo as mais importantes Nelson Mandela, que liderou a luta contra o apartheid, sendo condenado à prisão perpétua, mas após sua soltura, com o fim do regime foi eleito presidente da nação e Desmond Tutu, arcebispo da Cidade do Cabo, que também lutou bravamente contra o regime do apartheid e foi premiado com o Nobel da Paz, em 1984. Além deles podemos destacar a atriz Charlize Theron, o cineasta Gavin Hood, e os músicos Dave Matthews, Dean Geyer, Miriam Makeba (Mama Africa), Lebo M, André Pretorius (co-fundador da banda brasiliense Aborto Elétrico), Trevor Rabin (ex-vocalista do Yes, entre 1983 e 1995), Jean-Michel Byron (ex-vocalista do Toto) e o baterista Aquiles Priester.

Agora que você já conheceu um pouco sobre a história da África do Sul, vamos abordar o que realmente nos fez viajar para este lindo país, suas ligações com o Rock e o Heavy Metal.

SEETHER

Seria impossível falar de Rock e Heavy Metal na África do Sul sem citar a banda Seether, de post-grunge, originária da cidade de Pretória, liderada pelo vocalista Shaun Morgan, que teve um relacionamento conturbado com a vocalista Amy Lee, da banda americana Evanescence.

Originalmente, a banda se chamava Saron Gas, mudando definitivamente para Seether em 2002, quando do lançamento de seu primeiro álbum “Disclaimer”. Desde sua fundação, em 1999, a banda já lançou 9 álbuns de estúdio, sendo o último “Poison the Parish” (2017), além de algumas demos e EP’s. Desde que começaram, chamaram a atenção, alcançando certa popularidade, mesmo antes do primeiro lançamento, agitando as cidades, fazendo seus shows em boates, bares e em eventos das faculdades locais. O motivo da mudança de nome, logo nos primórdios é que já existia outra banda com o mesmo nome registrado. O nome “Seether” veio como homenagem a outra banda, a americana Veruca Salt, tendo como “Seether” o nome de seu maior hit.

Na época do segundo álbum, o filme “The Punisher” (O Justiceiro) estava sendo gravado e a dupla Shaun Morgan e Amy Lee gravaram para o filme uma versão bem mais pesada da música “Broken”, dividindo os vocais, para ser incluída na trilha sonora.

Um dos maiores problemas da banda foi a constante troca de músicos, mas também o próprio Shaun, tanto pelos problemas com drogas e bebidas, quanto por relacionamentos conturbados. Mesmo assim, a banda continuou em atividade. Em 2007, anunciaram o álbum “Finding Beauty in Negative Spaces” (Encontrando a Felicidade em Espaços Negativos), sendo rotulado como o disco mais diversificado da carreira do Seether. A data de lançamento do disco foi alterada diversas vezes, pelo motivo da trágica morte de Eugene Welgemoed, irmão de Shaun.

Apesar de todos os percalços, a banda segue em atividade, já com mais de 20 anos de estrada.

STRIDENT

Apesar de pouco mais de 10 anos de estrada, a Strident lançou apenas dois álbuns de estúdio. “Oath” (2010) e “When Gods Walked the Earth” (2016). Além desses dois trabalhos, eles ainda fizeram toda a trilha sonora do game “Broforce”. Deon van Heerden (vocal e guitarra), Christian Burgess (bateria), Pi Delport (baixo), Jo Ellis (baixo e guitarra) e Karin Pretorius (teclados), praticam um Power Metal clássico, com sua temática lírica focando em batalhas épicas e deuses nórdicos, porém, como diferencial, são sempre simpáticos e sorridentes no palco, fazendo música para se divertir e não pra se levar muito à sério.

JUGGERNAUGHT

Oriundos da cidade de Pretória, o power trio pratica uma mistura de Heavy Metal com Southern Metal. Desde 2006 na ativa, All Man (vocais e guitarras), Angilo (baixo) e Oneyedog (bateria) lançaram o EP de estreia “Man Rock: Part 1”, em 2007. De lá pra cá foram 3 álbuns completos e mais um EP. O último “Full grown woman”, de 2016. Apesar de serem africanos, seu som parece ter nascido no Alabama ou mesmo na Georgia.

AGRO

Na ativa desde 1994, a banda de Johannesburgo tem uma longa importância no cenário do Heavy Metal sul-africano, pois já lançaram 8 álbuns de estúdio, sendo o último “The Bitter End” lançado em maio deste ano, trazendo uma faixa bônus com a participação de Ross Thompson, do Van Canto. O quinteto formado por Cliff Crabb (vocais), Ian Gertenbach (guitarra), Martin Dudgale (guitarra e teclados), Robbie Riebler (baixo) e Alex Temperley (bateria) praticam uma mistura de Power Metal com Trash Metal, e vocais pesados e intensos, beirando o gutural.

SCARLET HOST

Power Trio, de Western Cape, formado por Lindsey Roussouw, nos vocais, Kevin Jardin, na guitarra, baixo e teclado e Dino Jardin, na bateria. Apesar de existirem desde 2001, lançaram apenas um EP no ano seguinte e somente em 2018 lançaram seu álbum de estreia “Black Days”. O som praticado pelo trio é definido como Metal Progressivo. A banda foi realocada desde 2006 para Londres, ficando inativa até 2017, quando retornaram às atividades.

ZOMBIES ATE MY GIRLFRIEND

Possivelmente, um dos nomes mais curiosos dessa lista, este quinteto, da Cidade do Cabo, existe há 10 anos, tendo lançado o EP “Pacient Zero” (2012), o álbum de estreia “Retrocide” (2015) e o atual “Shun the Reptile” (2018). A julgar pelo nome, poderia ser dito que a banda pratica algo relacionado ao Hard Rock, ou mesmo ao Punk Rock, porém, o que se escuta aqui é um Death Metal cheio de energia, com uma velocidade extrema e vocais agressivos, como o estilo exige, tudo executado com alegria e expontaneidade. Em 2016, eles foram os vencedores do Wacken Metal Battle.

ROBYN FERGUSON

Multi-instrumentista da cidade de Pretória, ela é vocalista e guitarrista da banda cristã de Metal Extremo Adorned in Ash. Robyn lançou um EP chamado “Alizarin”, com 4 músicas, no ano passado e neste ano de 2020 chega com seu primeiro álbum solo “Falling Foward”, totalmente instrumental, voltado para Metal Progressivo, onde ela gravou todos os instrumentos, lançado de forma independente. A julgar pela categoria da moça, voos bem mais altos poderão ser apreciados em breve.

HALVAR

Daniel Louw, guitarrista dos projetos Imperial Destruction, de Melodic Death Metal e também do Abaddon, de Blackened Trash Metal, da cidade de Stellenbosh/Western Cape encabeça este projeto solo, onde ele faz guitarra e vocais, voltado para o Death-Trash Metal. Sob essa alcunha, ele lançou seu primeiro trabalho “Welcome to Reality”, em 2018 e em 28 de março deste ano, foi lançado seu segundo álbum “Ancestral Communication”.

SINDULGENCE

Formada na Cidade do Cabo, esse quinteto existe desde 2009, praticando Metal Experimental, que aborda temas como política, fantasia, narcóticos e sobrenatural. Porém, apesar de ainda estarem na ativa, lançaram seu álbum de estreia em 2012, chamado “Recollections”, e em 2014 um single “King Beyond the Wall”. Seu vocalista e baixista Byron Dinwoodie também integra a banda MA-AT, de Stoner/Doom Metal, que lançou no ano passado um EP de nome “Find Evil, Feel Fine”, com 3 faixas.

KOBUS!

Formada no ano 2000, pelo ex-guitarrista da banda Springbok Nude Girls, Theo Crous e pelo ex-vocalista do Voice of Destruction, Francois Breytenbach Blom. Os dois se apresentaram como dupla até 2004, lançando os dois primeiros álbuns, quando se juntaram a eles o baixista Rob Nel e o baterista Paul André Blom. Já em 2007, com o terceiro lançamento, Pierre Tredoux assumiu o baixo. Esse álbum, intitulado “Swaar Metaal” ganhou o prêmio de Melhor álbum de Rock africâner, em 2008. Uma curiosidade sobre esse trabalho é que este é considerado o primeiro álbum de Heavy Metal na língua africâner. No mesmo ano, Werner Von Waltsleben assumiu a bateria, mantendo esta formação até hoje. Em 2012, foi lançado o single “Drankduiwel”, e em 2017 uma compilação.

Assim chegamos ao final desta viagem a um dos países mais fascinante do continente africano, a África do Sul. Espero que tenham gostado. Na semana que vem, nosso comandante Bruno Rocha os levará a um outro ponto do planeta, ao Cazaquistão, sob os olhares do Heavy Metal. Até lá!

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