Entre artistas novos e veteranos, essa nossa mais recente viagem está focada apenas em discos lançados neste ano de 2018

Fervent Hate – Peru

O baixista/vocalista Carlos Delgado e o guitarrista Edgar Rodriguez deixaram a veterana banda Crimson Death para formar essa relevante força do Death Metal peruano, que já está em seu segundo disco. O Fervent Hate obtém a sua temperatura de um caldeirão onde mescla melodia e variações ao Death Metal agressivo e carismático que executam e que bebe na fonte de lendas como o Entombed.

Diatriba – Venezuela

Este quarteto guarda na manga a vantagem do entrosamento de mais de dez anos de atividade sem mudanças de formação. Nesse intervalo, lançaram dois álbuns com arte gráfica de capa bem caprichadas, sendo “Mártires Del Cambio” o mais recente, disponibilizado em 2018.

O som do Diatriba tem alicerces no Thrash grooveado que notabilizou bandas como Sepultura e Pantera, mas há um diferencial sutil, que surge do efeito gerado pela cadência que a métrica da língua nativa da banda origina. O resultado é uma música agressiva, mas onde nada surge gratuitamente, chamando-nos para partilhar os sentimentos fortes gerados.

AstorVoltaires – Chile

O AstorVoltaires é uma “one man band” originada no Chile, e responde fisicamente pelo multi-instrumentista Juan Escobar, um sujeito que já ostenta uma longa lista de projetos e colaborações, geralmente dentro dos caminhos mais obscuros do Metal, seja pelo Black, Death ou pelo Funeral Doom.

A banda atual, cujo mais recente disco, “La Quintaesencia de Jupiter”, foi disponibilizado neste ano, pratica um Doom melódico, suave, beirando os territórios do Ambiente ou do Progressivo. Entre uma levada ou outra mais impactante, surgem melodias que não estariam deslocadas em um disco do Genesis da fase Peter Gabriel, por exemplo, como na faixa “Hoy”.

Hombre Espiritu – Argentina

Estreia promissora de um grupo argentino que tem um pé no Doom, mas flerta mais fortemente com o Stoner, e o timbre de voz de Mariano Petelin é o maior responsável por essa inclinação. Apesar de estarmos apontando estilos para indicar ao leitor qual seria o som da banda, as músicas do álbum “Detrás de las Máscaras” são bem variadas e não se prendem aos rótulos indicados ou a qualquer outros, fazendo da audição do disco uma experiência extremamente válida.

Black Mass Legacy – Bolivia

Curiosa a história dessa banda. Ativa desde 1987, como Black Mass, é tida como a primeira formação de Thrash Metal da Bolivia, tendo lançado seu primeiro full-lenght apenas em 2017. Disputas entre os integrantes causaram o aparte e daí nasceu a Black Mass Legacy, que em 2018 nos entrega o álbum “No Fear”. A audição do trabalho revela que se trata de músicos da velha geração, com uma sonoridade que cativará imediatamente aqueles que vivenciaram os primeiros anos do estilo, mesclando sons de Metallica e Omen no mesmo caldeirão, mas com muita personalidade.