Heavy Metal na América do Sul – IX

Depois de um breve intervalo voltamos a percorrer os meandros do território sulamericano, trazendo, a cada vez, cinco países representados por cinco bandas, que apontam para o futuro do metal, escrevendo-o de nosso próprio modo

Matus – Peru

O nome vem de Don Juan Matus, personagem dos livros de Carlos Castañeda. O som da banda é tão lisérgico e poético quanto. A banda já existe desde 2005 e lançou cinco álbuns, além de Splits e EPs. O disco mais recente data de 2015 e chama-se “Claroscuro”. Seus 28 minutos de duração passam em um piscar de olhos de tão bom que é. A musicalidade do Matus coloca o Stoner e o Psicodélico em medidas iguais, com a bela voz de Alex Rojas nos conduzindo por sons que ora lembram um Uriah Heep sem teclados, ora um Hard Prog aprofundado nos anos setenta.

Mazzone – Bolívia

O ar das altitudes bolivianas pode ser mais rarefeito, mas os riffs do Mazzone são absolutamente densos. Esse power trio pratica um Stoner Metal pesadíssimo, com vocais semiguturais e timbres graves e gordurosos que servem de moldura para as letras em sua própria língua. A força do sotaque acrescenta um molho extra às composições e surge ampliada pelo hábito da banda em colocar frases faladas, como diálogos ou monólogos, durante as canções.

A produção do Mazzone é recente, mas demonstra atividade criativa intensa, tendo lançado um EP de estreia em 2015, “Maistro de la Brutalidad”, e seu álbum, de 2017, intitulado “Brutus”.

Nightpröwler – Equador

Trata-se de uma one-man band e Dave Vice (ex-Nitrocharge), o homem que personifica o Nightpröwler, merece realmente cada fração do mérito desse disco. Tudo remete ao som oitentista mais cru, um cruzamento – ou melhor dizendo uma colisão – entre Venom e Razor, com timbres e vocais resgatando o melhor da gênese do Metal mais sombrio e agressivo.

A imagem da capa também prima pelo básico, legitimando “Unholy Rawness”, seu mais recente lançamento, como um trabalho que representa o Metal sendo conduzido de volta para o underground e, como que confirmando isso, foi lançado em cassete, tal qual os três EPs que lhe precederam.

Walking Over Strings – Venezuela

Outra one-man band, mas esta é bastante apontada para o futuro da música. Efraín Alejandro Méndez é o nome pelo qual o Walking Over Strings atende. Ao fazer o primeiro contato com sua música, através da audição de seu mais recente trabalho “Neon Borealis”, o quinto de sua discografia iniciada em 2015, eu sabia que havia algo naqueles timbres de teclado que me lembravam… o quê? Quando a resposta me surgiu, foi surpreendente: Jean-Michel Jarre! Agora imagine escutar músicas influenciadas pelo compositor francês misturadas com as texturas do Post Black Metal em um trabalho essencialmente instrumental! E, depois, esqueça tudo isso e continue usufruindo do álbum, pois você encontrará bem mais diversidade. Recomendadíssimo!

Æuphoria – Argentina

Embora seja uma banda recente, o Æuphoria merece ser acompanhado. Seu primeiro disco, “Æternal Velum” traz um Death Metal brutal e técnico, com um trabalho de guitarras acentuado, que nos remete imediatamente à lembrança dos álbuns “Spiritual Healing” e “Human”, do Death de Chuck Schuldiner. As músicas são rápidas e possuem arranjos que favorecem a interseção de solos no meio das composições, permitindo variações como a leve inclinada para o Black Metal na última faixa do álbum.

 

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Sobre: Anderson Frota

Anderson Frota

"Anderson Frota é baixista da banda Asmodeus, de Fortaleza, e escuta rock e metal desde os 14 anos, indo desde os Beatles até o Napalm Death, desde o Yes até o Cannibal Corpse"

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