E ae, Koala, tudo bem? Gostaria de começar dizendo que para mim é uma honra poder conversar sobre música com você, um cara de quem sou grande fã. Conheço o trabalho do Hateen, principalmente a fase em português, e posso dizer que sou fã do trabalho.

Mas vamos ao que interessa. Comece nos dizendo qual foi seu primeiro contato com a música.

Na infância eu pegava as fitas K7 e vinis do meu pai e botava pra tocar. Ali já comecei a me interessar por músicas dos Beatles, Renato e Seus Blue Caps, The Jet Blacks, Roberto Carlos, além de muitas trilhas sonoras de novelas, que sempre tinham bandas e artistas interessantes…

Na adolescência, já comecei a ouvir música punk, hip hop e metal… gostava de punk nacional. Eu acho que o skateboard, esporte que sempre amei, me ajudou muito a me aproximar dos estilos musicais que eu passei a admirar desde cedo.

Influências diversas desde cedo! Ah, com certeza o skateboard ajudou muito a te aproximar da música, principalmente do Punk e do Hardcore. Outra época, não é? Fazer coletânea de fitas para ouvir em casa, ouvir no carro, esperar tocar na rádio, etc.

Mas assim, desde novo você já queria ter banda?

Sim. Quando eu tinha uns 12,13 anos, alguns amigos mais velhos, irmãos dos meus amigos, tocavam em bandas, mas a maioria eram bandas covers. Bandas que faziam shows em cidades do interior etc. Depois comecei a frequentar as casas de shows underground e ver as bandas punks, guitar, eletrônicas tocando ao vivo. Aí comecei a sentir a vontade de criar uma banda pra compor músicas próprias.

Ah, sim. Geralmente é nessa fase que a música começa a mover a gente para querer tocar mesmo, não é? Ter esse contato com amigos que têm bandas é algo que faz mais ainda a gente ter vontade de estar lá algum dia.

E teve algum álbum que te despertou interesse em ser músico?

Não sei precisar exatamente qual álbum teve esse impacto direto. Ouvia muita coisa quando era moleque e pensava como seria legal poder tocar guitarra, saca? Sempre gostei de guitarra, estudei durante um tempo, mas sou muito preguiçoso e quando achei que já sabia o suficiente pra tocar uma música dos Ramones sem errar, eu já achei que estava pronto e simplesmente abandonei os estudos. Alguma coisa me dizia que, embora eu adore Van Halen, eu jamais iria tocar tão bem como aqueles caras. Acho que aceitei que minha parada com a música era mais visceral e menos técnica e comecei a descobrir outros guitarristas que tinham técnicas excelentes porém, com mais feeling e menos notas saca? Foi aí que me encontrei como guitarrista.

Acho que os álbuns que mais me fizeram ter vontade de ter uma banda eram os discos de Metal, tipo Ozzy, Sabbath, Wasp, Van Halen. Na sequência, os discos de punk como Ataque Sonoro, Ratos de Porão… depois veio a fase grunge no início dos anos 90 e ai parecia que isso misturava tudo o que eu gostava: um pouco de punk, um pouco de metal e um pouco de rock de garagem. Aí eu realmente senti que eu podia ser músico, mesmo sem saber tocar muito bem. Era possível.

Podemos notar várias influências distintas aí. Gostei do jeito que você coloca o Grunge na sua resposta: uma mistura que consegue envolver várias características que você gostava. Realmente, o Grunge conseguiu fazer isto muito bem! Bandas como Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam e Alice in Chains traziam o peso, a distorção, a rebeldia e a angústia; tudo de uma vez! O que mais um adolescente iria querer, não é?

Falando em adolescência, você conseguiria dizer quais as bandas mais marcantes da sua adolescência?

Os Ramones, Pixies, Nirvana. Toda essa geração Punk e que o veio logo na sequência disso tudo. O chamado Pós Punk também, de bandas como Joy Division, The Cure. Cara eu amo as guitar bands dos anos 90 também, tipo Lemonheads, Buffalo Tom, Sonic Youth, Smashing Pumpkins… além claro do hardcore californiano, o famoso hardcore melódico (hehehe), bandas como: Pennywise, NoFx, Millencolin, No Use for a Name, etc…

Muito legal! Conseguimos ver que o Punk Rock foi muito importante mesmo para você! E, claro, você não poderia deixar de citar o Hardcore Californiano, não é? O Hateen e outras bandas contemporâneas beberam muito dessa fonte!

Agora falando um pouco de você: de onde surgiu o apelido “Koala”? Qual o seu verdadeiro nome? Fala aí para a galera que não sabe.

Meu nome é Rodrigo Sanchez Galeazzi. Koala surgiu quando estávamos cheirando cola com um grupo de amigos e ouvimos uma notícia na rádio sobre um elefante chamado “Koala” ter fugido do circo e pisoteado umas crianças, algo assim. Até hoje nada dessa história faz sentido, talvez a gente só estivesse chapado demais e entendemos tudo errado, mas o fato foi que o apelido pegou justamente por que eu odiava (hahaha), não tem nada a ver com o marsupial da Australia. Tem a ver com bullying, por eu sempre ser o gordo da turma (hehehe).

Surpreendente! Eu tinha certeza que tinha alguma relação com o marsupial! Odiar apelido é a melhor forma de fazê-lo pegar!

Voltando a falar da banda: Quando o Hateen começou? Como foi?

Começou pra valer em 1994. Quando eu estava no terceiro ano colegial, um amigo, que depois veio a tocar durante um tempo no Hateen (Boris Fratogianni) me viu no colégio com uma camiseta do Nirvana feita a mão e veio me perguntar se eu gostava de outras bandas, etc. Aí me disse que tinha uns amigos que faziam um som juntos, que também curtiam Nirvana e tudo mais. Esses amigos eram o Cesinha Santisteban e o Ricardo Di Roberto (Japinha). Montamos então uma banda onde eu tocava baixo, que chamava Sick Nun (Freira Doente) e tínhamos um outro vocalista, o Marcelo Japão. Porém logo mudamos de nome e o Marcelo Japão teve uma briga com o guitarrista e decidiu sair da banda. Não lembro exatamente como eu consegui voltar pra guitarra e comecei a dividir os vocais com o Cesinha Santisteban e assim começou o Hateen.

Lembro que compramos um baixo Tonante, daqueles que ficavam pendurados no teto de umas lojas de discos, pra podermos ensaiar (hahaha).

As camisetas de Rock sempre chamando atenção na escola. Mas aí, quando começaram a se reunir para ensaiar, fizeram os primeiros trabalhos em inglês.

Por que decidiram começar em inglês? E depois, quais foram os motivos para passar a fazer músicas em Português? Hoje em dia vocês voltariam para o inglês novamente?

A gente só ouvia música em inglês nos anos 90. Existia uma cena enorme de bandas nacionais que cantavam em inglês. Talvez motivados pelo sucesso do Sepultura fora do país, as bandas começaram a achar que seria mais fácil fazer música em inglês e conseguir um contrato milionário nos Estados Unidos (hahaha), fora que a métrica e melodia do inglês pra Rock, ainda mais pra quem não sabe escrever muito bem, ajuda muito. A gente cantava qualquer coisa, depois procurava uma letra que encaixasse na melodia muitas vezes. Existia uma preocupação com o conteúdo das letras, mas era bem menos do que em português, até por que a gente não dominava 100% o inglês. Sempre tinha que enviar pra um professor acertar tudo. No caso o que ajudava era que o Japinha era professor de inglês, então ele ajudava a corrigir muitas letras, mesmo assim, ouvindo hoje, percebo muitos erros de gramática e principalmente de pronúncia. Éramos moleques fazendo tudo na raça, não estávamos muito preocupados em estar certo, mas sim em fazer algo nosso.

Se voltaríamos a cantar em inglês? Eu realmente não posso dizer nem que sim e nem que não. Acho que que tudo pode acontecer nessa altura do campeonato. Depois de quase 25 anos de banda, até mesmo acabar a banda começa a se tornar cada vez mais provável. Tudo é possível ainda.

Entendi! Eu torço para que acabar a banda não seja a opção escolhida por vocês. Mas realmente, poder cantar e ver a reação do público entendendo tudo o que está sendo falado ali e fazendo sentido para eles, deve ser uma reação bem bacana.

Mas aí, vocês começaram a compor em Português e assinaram um contrato com uma grande gravadora. Depois de fazerem um álbum bem relevante no Mainstream e terem as músicas tocando em várias rádios, além da MTV, por que resolveram voltar para o underground?

Não resolvemos, fomos resolvidos (hehehe).

O mainstrean não absorveu a gente de certa forma. Éramos uma banda de gente “feia” tocando numa época onde se estava em evidência demais a aparência dos músicos. Tinha que ter franja, usar roupa coladinha, fazer chapinha, sei lá eu. Talvez não gostaram da música mesmo, talvez soasse “underground” demais pro mainstrean, talvez foi só falta de sorte ou falta de “management”. Eu realmente acredito que foi uma mistura de tudo isso que fez com que voltássemos pro underground, embora sendo sincero, eu jamais senti que nós tivéssemos chegado ao mainsteran. Tínhamos uns clipes na MTV e umas músicas na rádio e só! Não tínhamos nada além do fato de ter um nome de um produtor e uma gravadora atrelado a gente. Já tínhamos 14 anos de banda, 4 discos, quando assinamos nosso primeiro contrato.

Eu já não me preocupo muito em entender o que aconteceu ou o que poderia ter sido diferente. Foi o que foi, é o que é.

Entendi. Talvez tenha sido tudo isso junto ao mesmo tempo, como você disse. Mas continuando a falar da carreira do Hateen, vocês lançaram 3 trabalhos em Português: “Procedimentos de Emergência” (2006), “Obrigado Tempestade” (2011) e “Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui” (2016).

Há algum motivo para ter um distanciamento relativo de um trabalho para o outro?

Sim, somos uns preguiçosos desgraçados! Não compomos com tanta frequência porque gostamos de ficar fazendo shows. Então estamos sempre fazendo a turnê sem fim do disco mais recente. Eu me exijo demais na hora de compor as letras e isso, às vezes, leva mais tempo do que eu gostaria. Tenho lutado pra diminuir o tempo entre um disco e outro, mas existe todo um processo em gravar um disco independente, que é demorado e difícil: desde a escolha do repertório até conseguir dinheiro pra gravação, definir estúdio, produção, etc…

A boa e velha burocracia atrasando tudo. Além de, claro, da preguiça. O Frejat, do Barão Vermelho, também disse no documentário que a banda fez ano passado que amavam o palco; então não sobrava muito tempo para trabalharem em material novo. Você ainda falou que exige muito de você mesmo, talvez a soma de tudo isso gere a demora.

Mas já que estamos falando de álbum: na hora de criar um, vocês trabalham uma temática e vão criando em cima dela; vocês vão compondo e depois selecionam algumas ou criam as músicas e procuram uma relação entre elas para depois nomear o trabalho?

Tudo vai surgindo naturalmente. Não sigo nenhuma fórmula de composição. Compor é de certa forma, um exercício. Quanto mais você escreve, mais você consegue achar meios de fazer isso mais “fácil”. Tem que colocar muito de sentimento e inspiração pra que tudo fique realmente bom, mas a inspiração sozinha não vem a todo momento. Se você depender apenas dela pra compor, tá lascado.

Agora se ela surgir e você já estiver “pronto e operante”, atento, melhor. Geralmente os nomes dos discos só surgem após eles estarem prontos e muitas vezes até depois de já estarem gravados e mixados.

Legal isso que você falou do exercício de compor. Acho que muita gente acha que a música vem pronta na cabeça e que um compositor consegue sentar e produzir música com facilidade; quando, na verdade, não é assim. É um trabalho árduo mesmo, um exercício, uma prática.

Falando ainda de composição: sei que música é igual filho e dificilmente conseguimos escolher uma só. Mas de todas que vocês já compuseram e gravaram, tem alguma que marcou mais a banda por algum motivo? Por quê? Pode falar mais de uma se quiser.

Difícil escolher “uma” música que mais marcou a banda. São muitas! Muitos momentos diferentes. Acho que vou citar 1997 porque ela foi, de certa forma, a música que deu início ao nosso trabalho em português. A música narra um fato que eu vivi naquele ano, um fim de relacionamento. Na época, fiz diversas músicas sobre isso, mas todas em inglês. Porém, acho que nessa música eu descobri meu jeito de escrever de certa forma.

Minha narrativa do que aconteceu, me ajudou a aprender como escrever minhas músicas em português. Sempre fui muito sincero na hora de escrever e a sinceridade jorra nessa música. Das músicas mais recentes, gosto muito de “Perfeitamente Imperfeito”, que fiz para o meu filho Felipe. Mas como já havia dito: é muito difícil poder precisar uma música em especial. Gosto e me orgulho da maioria delas, também tem aquelas que não gosto tanto.

Então a 1997 pode ser considerada um “divisor de águas”, tanto para você quanto para a banda. Falando dos trabalhos lançados pela banda, meu álbum preferido é o Obrigado Tempestade. Acho ele um trabalho completo, onde conseguimos encontrar músicas com várias temáticas e elas se completam (Apesar de achar o último muito bom também).

Para você, qual seu álbum preferido dos que já lançaram?

No sentido de inovação pra música que estava sendo feita no Brasil na época, eu diria o Dear Life. No contexto geral, eu adoro o Obrigado Tempestade também. Acho um disco que dá um passo à frente em nossa carreira, nos fazendo soar mais “adultos”, o que já somos faz tempo. Como sempre tivemos um público adolescente, a gente meio que acompanhou esse público ficando mais velho, lado a lado. Não tem como fazer música como fazíamos há 10, 15 anos atrás. Tudo vai mudando.

Sim! Você tocou num ponto interessante porque várias bandas se esquecem já viraram adultos e ainda continuam agindo e criando músicas como se fossem adolescentes.

Falando agora do último álbum que lançaram, quando vocês começaram a turnê dele, acharam que a aceitação do público com o trabalho novo seria tão intensa como aparentemente tem sido? Ou esperavam que o público continuaria pedindo para tocarem as mesmas de sempre?

A gente nunca sabe o que esperar, mas sempre aposta alto (hehehe). A nossa meta sempre é que o disco chegue a mais e mais pessoas e se torne mais um sucesso em nossa carreira. Mas isso acontece de forma tão particular, ainda mais se tratando de música independente, sem gravadora, sem investimento de marketing e coisas do tipo. Todo pequeno sucesso que a gente consegue, é comemorado como fruto de um trabalho duro e honesto. Totalmente feito no esquema do “Faça Você Mesmo! ” Não existe nada mais gratificante.

Eu entrei nesse assunto porque alguns músicos tornam-se escravos de sua própria obra e a banda começa a parecer cover de si mesmo. O Nirvana deixou de tocar “Smells Like a Teen Spirt” nos shows (a faixa não apareceu nem no Unplugged e nem no DVD Live and Loud); Renato Russo, durante o Acústivo MTV, reclamou que o público pedia para tocar sempre a “Ainda é Cedo” e não acompanhava muito os novos trabalhos e Ian Gillan deu uma entrevista falando que o público do Deep Purple não se interessava mais pelos trabalhos recentes, queriam sempre ouvir Smoke On The Water e Perfect Stranger, por exemplo.

Como funciona para o Hateen? Vocês têm problemas com isso? Vocês tocam as músicas que querem e pronto?

Às vezes acontece de colar umas pessoas nos shows e ficarem pedindo pra tocar 1997 desde a primeira música, mas geralmente não são fãs da banda, mas pessoas que conhecem a banda justamente pela super exposição que esta música e algumas outras tiveram na época. Acho que nos últimos 10 anos, ficamos apenas uma vez sem tocar 1997 em um show e foi algo de propósito mesmo. Mas essa relação do público com suas músicas preferidas sempre rola. Imagina ir num show da sua banda preferida e eles não tocarem aquele “hit” que você adora? É complicado. A banda tem que entender que faz parte do trabalho tocar as músicas novas e antigas e seguir em frente.

Ah, sim, com certeza! Ir ao show e não ouvir aquele hit que você tanto espera deve ser frustrante para o fã. Legal saber que vocês se colocam no lugar do público na hora de escolherem as músicas.

Já que tocamos no assunto, como vocês selecionam as músicas para os shows? Tocam sempre as mesmas durante a turnê ou vão alternando? Como é feito o processo de escolha? Ou é coisa de vibe mesmo?

Tem essa de sentir a vibe do evento. Tipo: as bandas que vão tocar junto no dia, etc. No geral temos um setlist fixo já há algum tempo, em que muda uma coisa ou outra dependendo da situação. Mas 80% do setlist nunca muda, pois concentra as músicas que achamos ser as mais relevantes e que nunca podem ficar de fora. Vez ou outra incluímos uma música que não tocamos há algum tempo, até por que isso nos deixa felizes. Tocar sempre o mesmo setlist cansa.

 

Eu não poderia deixar de falar de uma das casas de show mais importantes para a cena underground e, consequentemente, para o Hateen. Recentemente a banda fez um dos últimos shows do Hangar 110.

Qual foi a sensação de saber que estavam tocando ali pela última vez? Sentem saudade?

A emoção foi incrível. O show, que vai virar um DVD, nosso primeiro por sinal, foi muito insano. Um verdadeiro “Carrossel de Emoções” passou em nossa cabeça ali com certeza. Eu me lembrei de tudo que vivi ali, não só como banda, mas como público também, como amigo dos donos, como ex-funcionário freelancer de barman e DJ nas horas vagas. Eu literalmente fiquei de luto uns 3 dias. Chorei como se tivesse perdido um amigo. Mas, aos poucos, a razão foi me fazendo perceber que tudo precisa ter um fim para que algo novo possa surgir. É o ciclo de todas as coisas e seres.

Sempre me lembrarei do Hangar 110 como o lugar que me ensinou a ser quem sou musicalmente. Uma escola. Um refúgio. Uma família. Obrigado Hangar 110!

Deve ter sido emocionante mesmo! Com este show no Hangar 110, vocês gravaram o primeiro DVD da banda. Agora, qual é o próximo passo? Um show acústico completo talvez? Um novo álbum?

Nada certo ainda, somos uma banda que, praticamente, faz tudo no susto (hehehe). Planejamento quase zero. Já estou com algumas músicas e pensando num próximo disco. Show acústico pode rolar também, mas desde que seja num formato que tenho na cabeça e que talvez não seja o mais fácil e nem viável: com arranjos de cordas, piano, músicos extras… Isso ainda quero muito fazer, mas sei que vai dar um trabalhão, justamente por que somos pessoas enroladas por natureza (hehehe).

Muito legal esta sua ideia de fazer um acústico com uma grande produção, tenho certeza que seria um ótimo trabalho.

Mas voltando a falar de lugares que marcaram história na carreira da banda: alguma outra casa ou algum outro festival marcou tanto vocês quanto o Hangar 110?

Pra carreira do Hateen existiram 2 casas de shows icônicas: uma foi o Espaço Retrô, onde praticamente começamos a banda, ainda tocando em inglês e aprendemos muito lá. E o Hangar 110, definitivamente é a outra casa, não só pra gente, mas pra 90% de todas as bandas que estão ou saíram do underground nos últimos 20 anos!

Festivais já tocamos em vários. Acho que os mais marcantes pra mim foram os da Rádio Mix em São Paulo e o Pop Rock em BH, pela mega infraestrutura de tudo. Nesses grandes Festivais a gente chega num auge que sempre sonhou. É muito doido.

É bem legal ter esta identificação com o local assim como vocês tiveram com o Hangar 110. É a gratidão pelas portas abertas, pelos vários shows, pela oportunidade de apresentarem seu trabalho. Um dia o Hateen também foi banda nova e precisava de um espaço para tocar.

Falando em bandas novas, que bandas do underground atual você indicaria para a galera conhecer?

Menores Atos, Vício, Maguerbes, Chuva Negra, Deb and the Mentals, Far From Alaska, Ego Kill Talent, Two Step Flow, Statues on Fire, Bullet Bane, Pense, Blackjaw, Bullet Bane

Nem todas são tão novas assim, mas tem uma safra boa que tá nascendo agora também… estou sempre procurando conhecer novas bandas nacionais.

Obrigado pelas dicas. Conheço algumas e com certeza irei atrás de conhecer as outras, afinal é uma indicação sua! Quando se começa uma banda, a ideia é tocar onde abrirem espaço.

Mas, agora, depois de tantos anos de carreira, gostariam de tocar num Rock in Rio ou num Loolapalooza? Qual deles? Por quê?

Gostaria de tocar em ambos. São Festivais de renome mundial. Acho que praticamente toda banda sonha em tocar nos grandes Festivais do mundo. São coisas ainda inéditas pra gente, tocar em um desses Festivais seria como conquistar mais uma missão, sei lá.

Falamos de casas marcantes, de possíveis shows em festivais, agora vamos falar do outro extremo: qual foi o lugar mais bizarro onde já tocaram? O que houve para tal lugar conquistar este posto?

Já tocamos em todos os lugares bizarros do mundo: festa de debutante, pizzaria, estúdio de ensaio que cabiam 3 pessoas, show com um cara que estava com uma cobra literalmente na mão na nossa frente, em balada GLS com briga de travestis crackudos, onde rolou garrafada na cara e os escambau. Poxa escolher um inesquecível é até difícil porque roubadas não faltaram, e vivem surgindo no caminho.

Já que você é um letrista e compositor, que tem algumas músicas gravadas pelo COM 22, pelo Ira! e, claro, pela sua banda; deixa eu perguntar: tem alguma música que você não compôs, mas gostaria de ter escrito? Digo de qualquer artista e qualquer época. Qual? Vale de qualquer cena, qualquer época, qualquer banda.

Muitas obviamente. Pra citar apenas uma: Nirvana – Smells Like Teen Spirit. Por tudo o que essa banda e música significam pra minha geração. Pelas mudanças no mercado da música que aconteceram após o surgimento dessa maravilha.

Nirvana é, talvez, minha banda favorita. Ver um cara de quem sou fã (você), citando uma música de minha banda favorita é algo emocionante!

Mas, voltando à sua carreira musical: pensa em fazer algum projeto paralelo, criar algo que fuja um pouco do estilo do Hateen? Quem sabe uma carreira solo, algo do tipo: tem interesse? Por quê?

Quero fazer sim. Meu maior problema é administrar o que eu já faço com o que eu gostaria de fazer. Tempo é o maior inimigo dos projetos paralelos. Gosto muito de sons acústicos, folk e country, gosto também de música eletrônica. Poderia ser qualquer coisa realmente: o desafio seria o mais importante.

 

Falando do início da década passada, onde várias bandas ganharam notoriedade e que o Hateen fez parte (mesmo sendo uma banda da década anterior a isso ainda): você acha que a ridicularização do termo “Emo” em meados dos anos 2000 atrapalhou a banda de alguma forma? Por quê? E o que aconteceu para chegar neste extremo?

Não sei se “atrapalhou” a gente tanto assim. A gente nunca teve visual “Emo”, então de certa forma, não ficamos com a imagem tão associada a isso. Musicalmente falando pode ser. Sempre fizemos música falando sobre emoções, muito antes do termo “emo” sequer existir no Brasil. Aqui tudo se confunde né? No Brasil, as pessoas não sabem muito bem como absorver as culturas que chegam de outros lugares e acabam tornando tudo pior. Os movimentos de todos os estilos musicais no Brasil sofrem com isso.

Entendi. Falo isso porque o Hateen fez muito sucesso durante minha adolescência e isso que você falou de “Aqui tudo se confunde” é uma afirmação correta, pois tudo acabava sendo colocado na mesma prateleira. Eu mesmo comecei a dar mais atenção para o trabalho de vocês quando tive maturidade suficiente para não ligar para o que os outros achavam e querer conhecer o que tanto falavam do “Emo”. Achei muito interessante algumas bandas como: Hateen, Fresno e Abril, por exemplo.

Estamos chegando ao final da entrevista. Gostaria muito de agradecer a atenção! Saiba que é a realização de um sonho. Gostaria de agradecer também em nome da Roadie Metal por ter aceitado falar com a gente. Quero fazer mais 3 perguntas rápidas e diretas para que a galera possa conhecer um pouco mais sobre você e seu trabalho.

Quem é o Koala?

O Koala é um cara normal, cheio de sonhos, que ama sua família acima de tudo, que trabalha pensando no bem estar da sua família. Que tenta ser o melhor que pode,e tenta aprender com os erros o tempo todo. Uma pessoa procurando sempre melhorar e fazer amigos.

 

O que é o Hateen? Não só para você, mas o que o público que não conhece (se é que isto é possível) pode esperar ao ouvir o trabalho de vocês?

Pra mim um alicerce que me mantém trabalhando e me ajudando à viver de música por mais de 20 anos. Uma terapia onde posso exorcizar todos meus demônios através das letras e melodias. Acho que o Hateen é o melhor amigo de muitas pessoas em momentos de alegria e tristeza. Eu quero que a gente faça parte da trilha sonora da vida das pessoas em algum momento, e crie esse laço que ultrapassa o tempo.

Para finalizar a entrevista: qual o recado que você e a banda deixam para quem está começando no cenário independente e do Rock em geral?

Sempre falo a mesma coisa, porque qualquer outra coisa seria mentira. Se divirtam fazendo música. Minhas melhores amizades, minha família, tudo, foi criado com música. Aproveite cada minuto da alegria e beleza que é poder fazer arte e tocar a vida das pessoas.

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