Final Score | Com sua nova faixa, Brian Hunsaker opera a colisão entre a agressão do speed metal e o épico do power metal

A canção tem um despertar intimista, sereno e delicado. A partir dos dedilhares mansos perante as cordas do violão, uma melodia morna e amaciada se forma a ponto de induzir o ouvinte a um momento de aconchegante torpor. Ao mesmo tempo, esse mesmo caráter sensorial consegue sugerir, de igual forma, a reflexão e um toque de reconfortante brisa, o que acontece especialmente em razão do dulçor sintético do teclado de Diego Palma, o qual é expresso com fragilidade na base harmônica.

Conforme avança calmamente em meio à sua desenvoltura, a composição vai expressando uma tomada de grandeza e epicidade por conta da presença marcante, operística e levemente gutural do time de vozes que forma o backing vocal. Suspirante e fresca por conta do efeito obtido com o ricochetear do prato de ataque dominado por Mats Eriksson, a música ainda se beneficia da equilibrada densidade exercida pelo baixo de Clif Chambliss, cujo groove é cuidadosamente azedo e encorpado na base melódica.

No entanto, depois que esse contexto de nuances classicistas que beiram o erudito se encerra, a faixa mergulha em um aspecto sonoro áspero, rígido e um tanto selvagem. Com uma bateria pulsante e uma guitarra de estética áspera e ácida, a música ainda se beneficia da presença de uma voz masculina afinada em um tom doce e aveludado emitido por Brian Hunsaker, que denuncia o domínio de técnicas operísticas. 

Transformando todo o entorno em algo de sensibilidade dramática, o cantor caminha pela dianteira sonora de um terreno dominado pelo power metal e seu aspecto melodioso, épico e operístico. Grandiosa, pode-se dizer, a composição destaca o uso expressivo de bumbos duplos na ânsia de obter mais pressão e precisão na esfera rítmica ao mesmo tempo em que o teclado desfila traços de brilhantismo e erudição que fazem com que o classicismo erudito flerte com uma tomada que pende para o speed metal.

Contando ainda com a figura de Sergio Ortega no time instrumental, a faixa acaba desencadeando uma onda dramática pegajosa que, felizmente, é quebrada com um solo de guitarra agudo mid-tempo respaldado por uma base sônica áspera e pulsante. Com um estilo à la Ronnie James Dio especialmente na estética lírico-interpretativa, Final Score é uma faixa em que Hunsaker propõe a colisão da agressividade do speed metal com o lado épico do power metal. Esse é o detalhe que justifica a erudição e texturas como acidez, aspereza e azedume interagindo alegremente entre si.

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