O sintetizador já entra oferecendo uma temática que transita entre o propriamente digital com o eletrônico. Por meio de sua afinação adocicada e sua movimentação levemente pipocante, ele induz uma atmosfera dançante, mas ao mesmo tempo envolta em um toque de torpor noturno interessante.
Não que ele seja frio no que tange a significância léxica da palavra no que tange à temperatura, mas a verdade é que ele tem uma performance mais introspectiva a ponto de beirar uma equilibrada mistura de drama e melancolia. Quando essas emoções começam a pairar livremente pelo ambiente, a sonoridade vivencia uma transformação gritante em sua estrutura. De inclinações que pairam pelo dark wave, a faixa recebe guitarras distorcidas em tons mais graves de forma a exortar o viés de profundidade sentimental identificado anteriormente.
Ganhando conotações de uma visceralidade lacrimal e sem estanqueidade, a composição explora até mesmo frases rítmicas explosivas como maneira de dar vazão a esse toque de pungência inquestionável. Eis então que, somando guitarras, bateria e o sintetizador incessante, se tem um metalcore bem elaborado e equilibrado em relação ao caráter estético-estrutural e ao de cunho unicamente sensorial.
Áspera, soturna e cada vez mais melancólica de um jeito rascante, a composição, conforme avança em meio à sua própria desenvoltura, esbarra com momentos de diálogos instrumentais em que o metal alternativo se faz presente especialmente em razão das texturas sônicas exploradas. Caminhando por um terreno de linearidade harmônico-conjuntural, porém, a faixa consegue romper com a sua mesmice especialmente por conta da movimentação da guitarra na base melódica e das mudanças tonais do tilintar sintético.
Com momentos em que a cadência rítmica se torna cavalgante, a faixa enfim ganha uma fonte mais precisa de movimento e fluidez ao presenciar o despertar da narrativa lírica. Dominada e comandada por uma voz masculina delicada e de nuances frescas, ela exibe pronúncias com finais suspirantes que induzem a uma ligeira ideia de sensualidade, o que acaba contribuindo para a percepção de certos traços de maciez estrutural.
Cenograficamente noturna e sensorialmente pegajosa, a música se traduz entre rompantes de intensidade dramática em que até o timbre do vocalista se torna rascante e lexicalmente rasgado a ponto de beirar o corrosivo. É assim que o Watch Me Die Inside transforma Fantasy Girl, faixa originalmente assinada por Johnny O., em um produto que faz uma declaração familiar de desejo em um intimista exame de projeção. É assim que a certeza romântica vira o ponto central de tensão da narrativa.
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