Resenha também cabe em contextos emocionais de quem escreve, afinal de contas estamos falando de algo que consiste em opinião. E, temos que ser honestos, o metal vindo da África é algo raro, apesar de sabermos que lá há um cenário, mas nem sempre valorizado como deveria ser.
Quando nos deparamos com uma banda oriunda de lá, a sensação é a melhor possível, pois vemos que há uma bolha se estourando, seja do artista ou seja de quem está ouvindo. Quando a banda é boa naquilo que propõe, o negócio fica não só mais prazeroso, mas realmente mexe com os brios da gente. E ainda tem um adendo, faixas em nosso idioma natal, afinal, trata-se de uma banda irmã de língua.
Estamos falando da Eternal Katastrophy, banda angolana que tem consolidado, de forma consistente, sua presença na cena metal africana por meio de apresentações ao vivo e da participação em eventos internacionais. Em 2023, a banda conquistou o terceiro lugar na competição ‘Wacken Metal Battle’ (etapa África Subsaariana), realizada em Joanesburgo.
Em 2025, venceu a etapa angolana do ‘Wacken Metal Battle Africa’ e representou Angola na final africana, na África do Sul. No mesmo ano, a banda foi a atração principal do evento ‘The Eternal Darkness’, na Cidade do Cabo. Oriundos da capital Luanda, chegam agora ao primeiro disco “Eternal War”, que chega para mostrar que o death metal pode ser ainda original.
Sim, afinal de contas, nas sete faixas que apresentam no disco, mostram o estilo sem se prender aos clichês, apesar de alguns elementos fundamentais e ainda trazendo uma dinâmica que bebe na fonte do hardcore, leves toques de crust e grind, que ajudam a putrefar ainda mais o som da banda.
Uma outra característica da banda é soar bilingue, mostrando que cantam bem em português e ainda apostam em uma abordagem lírica que traz um pouco dos povos originários, a cultura de seu país com o a sanguinolência que tempera bem o death metal.
A tarefa mais complicada do disco é apontar um ou outro destaque, pois estamos diante de um trabalho cheio de equilíbrio e com uma identidade tão própria, que sentimos injustiça ao deixar algo de fora.
Porém, recuar é algo para os fracos quando se trata de metal extremo, então não podemos deixar de mencionar a faixa título que abre o disco com maestria, “Lixeiro Obscuro” pro apresentar a identidade da banda e a quase ‘doom’ “Inverso”, que chega com cadência e melodia na medida. Um dos melhores discos do ano no metal extremo!
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