Estreia do filme sobre Andre Matos
Dia 08 de Junho
“Anjos Choram na Terra Sagrada de Andre Matos” (BRA, 2023, 141 min)
Direção Fred Le Blue (Canal: @arteteturaehumanismo)
Link do filme: https://youtu.be/VhRT4TItNAI

No dia 08 de junho será lançado o filme “Anjos Choram na Terra Sagrada de Andre Matos”, no canal https://www.youtube.com/@arteteturaehumanismo, um documentário autoral sobre a vida e obra do maestro e metaleiro Andre Matos, o vocalista brasileiro noventista mais cultuado na cena musical internacional do rock. O filme é uma produção do compositor, cantor e baterista Fred Le Blue, que dirigiu clipes do projeto COMVERSOM de versões de clássicos do rock em português, como “Silent Man” do Dream Theather e “Wild Horse” do Rolling Stones e, mais recentemente, o filme “O Processo de Metamorfose de Geraldo V.” sobre Geraldo Vandré.
Este novo documentário sobre Matos é oriundo de um trabalho de pesquisa do arquivo público sobre o artista na internet, é um tributo ao mais de 30 anos de trajetória do artista, que se acostumou em sua carreira com altos e baixos, talvez, em função capacidade vocal elástica, capaz de atingir os mais altos agudos da voz masculina. Dia 08 de junho de 2019, completou seu ciclo terrestre, um dos cantores mais lendários e maestrais da história do Rock e do Metal. Apesar de ter vivido somente 47 anos, o maestro paulistano deixou como legado a criação de 3 das mais importantes bandas brasileiras de sucesso internacional: Viper, Angra e Shaman. Em ambas, atuou mais do que como músico, mas também, como líder de geração, influenciando ouvintes e muitos musicistas por sua polinização de estilos populares com eruditos e rockeiros.
Partindo do background do heavy metal melódico alemão, Andre foi responsável por experimentos sonoros desse gênero com a música clássica (medieval, gregoriana, renascentista, romântica e barroca), celta, afrobrasileira, indígena e indiana. No disco “Holy Land” de 1996, que cria uma cartografia íntima sobre a descoberta da terra sagrada dos índios de Pindorama, besuntado de referências como samba e capoeira, ainda com Angra, e “Ritual” de 2002, com Shaman, onde o xamanismo mexicano revelado ao grande público pela obra antropológica do brasileiro Carlos Castaneda, influencia um esforço de alteridade cultural, a partir do contato com diversos rituais religiosos de diversas culturas, para extrair o arquetípico-universal presente em todo o espectro da vida humana em diferentes paragens da Terra.

Avesso ao culto consumista e fetichista de personalidade, Andre Matos costumava interromper sua participação nos grupos cocriados para se lançar em um voo mágico rumo à novos projetos em ciclos de eternos retornos, mesmo que isso gerasse muita repercussão midiática negativa, em função do apego dos fãs, ou melhor, clãs, fiéis aos seus totens modernos. Por as bandas de metal funcionarem como estabilizadores mítico-identitários, criadores de pertencimento tribal, os laços de lealdade eterna com o público parecem advir mesmo do fato das músicas forjarem um caráter ritualístico muito acentuado, sobretudo, na catarse coletiva catalisada nos shows, com muitas referências poéticas à elementos narrativos das mitologias clássicas da Velha Europa.
Talvez, por isso, mesmo, o idealismo ocidental que prega, desde a Grécia antiga, a dissociação da alma do corpo, este último, sendo considerado desprezível, motivo que o faz merecer ser escravo daquele, talvez, tenha sido o único obstáculo psicológico que André não tenha conseguido superar, haja vista que sua morte precoce por infarto, parece estar ligada ao fato de ele ser hipocondríaco, insone e sedentário. O que não é recomendável, em função, de ser uma rotina extenuante a de shows de longa duração por um músico de alta performance de metal, já em idade madura, onde o intérprete tem que primar pela excelência técnica, vez que a maioria dos ouvintes são músicos exigentes e ávidos por acrobacias musicais. E além disso, diletantes críticos de arte, sempre a fazer comparações ácidas entre vocalistas da cena, principalmente, quando, esses fazem parte da história de um mesmo longevo grupo, o que no metal, costuma ser a regra, talvez, porque as letras e imagens sonoras parecem se escorar em um passado ancestral, que empresta uma aparência de secularidade para as bandas.

No imaginário sociocultural dos fãs brasileiros, o vocalista Matos, também, por ser um pianista de mão cheia, é lembrado quase que, mensalmente, nos programas de rock no Youtube. Após sua morte, inclusive, foi realizada uma web-série e documentário quádruplo, produzido em parceria com sua família, no qual ele ganhou o cognome: “Andre Matos: o Maestro do Rock”. Somando a esses esforços de valorização desse “muso” inspirador, “Anjos Choram na Terra Sagrada de André Matos” pode ser um interessante preâmbulo sobre a produtiva e conflitiva vida e a obra desse doce metaleiro e suas canções épicas atemporais, que, desde os 13 anos de idade, quando fundou o Viper, sonhou se tornar maestro e acabou reinventando o Rock.

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