O sombrio se firma diante da textura áspera e da densidade com que se pronuncia perante o espectro imediatamente introdutório. De pronúncias curiosamente pulsantes, a sonoridade que abriga essas características opera de forma mecânica, mas é capaz de induzir o ouvinte, gradativamente, a um estado hipnótico intenso e inquebrantável. Não por acaso, os uivos aveludados e sintéticos que passam a ser observados na base melódica suscitam um teor atmosférico envolvente e abraçado por boas doses de um torpor ludibriante.
É nesse instante em que a bateria entra em cena sugerindo menções de uma consciência necessária e desesperada, mas pronunciada por frases rítmicas precisas em meio à sua cadência fluida e a inclinações curiosamente amaciadas. Evidenciando até aqui a formulação de superfícies diretamente associadas ao industrial, a composição permite que o ouvinte se atente ao timbre afinado, agudo e equilibradamente adocicado do vocalista, o qual, curiosamente, acaba contribuindo com a inserção de pontadas de uma fragilidade escancarada.
Transpirando nítidos sinais de uma desesperança conformada e consciente diante de um tom que beira um sombrio sádico escondido perante a sua singeleza, o vocalista, a partir da sua interpretação lírica, caminha livremente em meio a uma paisagem rítmico-melódica linear que estimula, inevitável e invariavelmente, o torpor. Ganhando uma dose extra de densidade no instante em que avança na direção do refrão, portanto, a canção, na companhia da sensibilidade observante do cantor, alcança um teor de dramaticidade bastante marcante.
E por falar em refrão, é justamente nele que o cantor dá à composição as suas silhuetas sensoriais definitivas. Combinando angústia, agonia e uma percepção de inevitabilidade, ele pincela superfícies de traços sci-fis em um ecossistema baseado em uma postura confrontadora. Incentivando e dissecando a estridência acidamente aguda e sintética durante os momentos de solo, Devour se configura como uma obra em que o DEDCHIMP explora a ideia de um observador assistindo à humanidade se consumir por completo em meio à era da tecnologia, à sede por poder e à crescente relação disfuncional com o mundo à nossa volta.
Para uma música de estreia que assina um projeto musical tão questionador como se mostra ser o DEDCHIMP, Devour se vangloria pelas suas brisas post-rocks em razão da intensa exploração de texturas, detalhe que contribui para uma notável profundidade sensorial. Com direito, inclusive, a influências da música dark eletrônica, a faixa se vê imersa na densidade do obscuro como forma de chamar a atenção do espectador para com o seu enredo e refletir a respeito do mesmo.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/6JFw7txRC45KusieEG9kDH
Site Oficial: https://www.dedchimp.com/
Facebook: https://www.facebook.com/DEDCHIMP/
Bandcamp: https://dedchimp.bandcamp.com/
Instagram: https://www.instagram.com/dedchimp