Ela tem o início marcado por uma breve sucessão de golpes em um instrumento percussivo responsável por oferecer uma sonoridade opaca que, rapidamente, ganha ares de estridência e vivacidade quando transferida à superfície da caixa. É nesse momento, inclusive, que a canção mergulha na experimentação de texturas mais ácidas e ásperas se contrapondo alegremente ao dulçor açucarado e hipnótico da flauta, instrumento que ocupa o corpo harmônico.
Ainda que a combinação de fatores surta em uma atmosfera atraente e contagiante, mesmo perante uma certa crueza excessiva, é importante pontuar a diferença de volume existente entre os instrumentos e o escopo lírico-interpretativo. Mais baixo em relação aos demais elementos presentes na receita estético-estrutural da obra, o corpo verbal dá um pouco de dificuldade para que o ouvinte compreenda com exatidão aquilo que está sendo narrado pelo vocalista. No entanto, a interação entre flauta e guitarra continua impedindo um desconforto maior em razão da sua interatividade saudável.
Enquanto a guitarra rasga o cenário com seu riff ainda bruto e rascante, a flauta segue rebolando e sambando pelo ecossistema como um elfo dançando em meio à natureza profunda. Claro que, felizmente, é possível de se perceber a voz do cantor a ponto de permitir ao ouvinte uma degustação suficiente das suas nuances estéticas. De timbre intermediário agraciado por um delicado viés adocicado entre determinadas pronúncias rasgadas, ela, na posse de Derek Corgoran, caminha por meio de uma cadência que elabora uma energia curiosamente festiva que compreende toda a composição.
Ritmicamente pulsante e abraçada por um escopo estético-estrutural linear, a faixa chama a atenção por ser preenchida por um solo formado surpreendentemente pela sobreposição dos tons da flauta, causando uma ideia de balanceamento entre os diferentes vieses de agudez e dulçor. Flertando com a identidade sonora de Dropkick Murphys, especialmente aquela presente em seu respectivo single I’m Shipping Up To Boston, a presente faixa ainda se vale de um tom desafiador e de um ritmo que, quanto mais amadurece, mais evidencia a sua natureza de marcha.
Como um cover do folk irlandês Follow Me Up To Carlow, a versão de Corcoran respeita a história da composição. Tal como uma obra histórica, que no caso celebra a Batalha de Glenmalure, a versão do cantor dinamarquês mantém o tom patriótico e honra a ridicularização debochada de algumas figuras inglesas, como William FitzWilliam e o Barão Arthur Grey, ressaltadas na letra originalmente composta por Patrick Joseph McCall nos idos de 1899.
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