Com o EP Chasing The Dragon, Brian Bee Frank apresenta sua proeza musical e suas habilidades em storytelling

Ela é marcada por um início sombrio, gradativo. Enquanto os tilintares da cúpula do prato de condução são ouvidos em união ao reverberar ondulante da distorção, uma camada dramática se anuncia rapidamente acompanhando o primeiro vislumbre lírico. Ainda que de conotação ácida, ele consegue informar uma boa dose de sentimentalismo, o que torna Hate em uma canção inicialmente tocante. Porém, momentos depois a faixa atinge uma completa transformação em sua roupagem, se tornando ruidosa, épica e com uma postura dramaticamente raivosa que, definitivamente, chama a atenção do espectador.

O movimento e a introdução se fundem em frases rítmicas amaciadas, mas firmes e precisas. Com boa dose de precisão, a bateria envolve o ouvinte em um processo de transição entre o minimalismo e o sombrio. Afinal, assim que a guitarra entra em cena, LIVING IN THE CHANGES assume uma roupagem sombria, obscura e densa. Com direito a rompantes groovados vindos de um baixo encorpado, a faixa demonstra posse de densidade enquanto o hard rock vai tomando conta de seu alicerce a partir dos regozijos contorcionistas da guitarra solo. Contagiante e com boa presença de camadas harmônicas inseridas pelo teclado, a canção ainda desfila de bons momentos agraciados por toques marcantes de sensualidade.

Saindo da brutalidade, do soturno e da sensualidade experienciadas nas obras anteriores, TIME vem com uma proposta mais amena, mais introspectivas, reflexiva. Mansa diante da desenvoltura da combinação de violões, a faixa adquire uma brisa aromática enquanto consegue ambientar o espectador no bucólico. Introspectiva e com um viés folkeado atraente, a faixa se destaca ainda mais por destacar, diante de seu enredo lírico, a capacidade de Brian Bee Frank em prender a atenção do ouvinte. E para aqueles que não se atraem pelo conteúdo verbal, a faixa ainda dispõe de um instante em que distorce toda a sua sonoridade e a transforma em algo mais metalizado.

Pela estética da guitarra, o ouvinte já consegue ter a ideia de que a presente canção também se envereda no universo da música interiorana, ou melhor dizendo, do country. Misturando requintes de roots rock com southern rock, a faixa investe no quesito harmônico perante uma desenvoltura mais massiva do teclado, especialmente durante a sua introdução. Porém, saindo dessa prerrogativa, SHAKE IT LOOSE se transforma em uma composição de nuances épicas e densas que a espantam da simplicidade estético-estrutural das obras pautadas no folk. Densa, ácida e sensual, a faixa encarna a influência de nomes como Deep Purple de uma forma bastante marcante.

Ao ouvir a introdução da presente faixa, o espectador compreende, de uma forma mais enfática, que TIME, apesar de seu contexto mais amaciado, não pode ser considerada a balada do EP. Afinal, aqui está LET ME COME HOME, com seu nascimento delicado e cuidadosamente adocicado puxado pelo teclado. Dando passagem para violões de conotações suspirantes, além de um violino aveludadamente valsante e lamentador, o instrumento deposita emoção enquanto torna a postura da obra introspectiva e, ao mesmo tempo, reflexiva. Aromática e conjunturalmente delicada, a faixa explora uma nostalgia contagiante que contamina o emocional do ouvinte com grande facilidade.

Chasing The Dragon é um EP marcado pela mistura de canções intensas, sensuais, cruas, harmônicas e introspectivas. Todas com a assinatura vocal marcante de Brian Bee Frank, elas exploram uma atmosfera que circunda os universos do country, mas também do hard rock e um pouco do metal progressivo. 

Investindo na emoção e na instrumentação como um todo, o EP conta com um trabalho de mixagem bem executado, proporcionando ao ouvinte a clara degustação de elementos que vão desde o baixo até o violino. Isso mostra uma preocupação de Frank com o resultado final de suas composições, permitindo uma audição limpa e uma sintonia profunda com suas mensagens, as quais, aqui, mergulham especialmente nas questões inerentes às expressões paz e amor, além do diálogo a respeito da natureza efêmera do tempo.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/2GuDYtydqnsTnFR9bChjX9

Site Oficial: https://www.brianbeefrank.com

YouTube: https://youtu.be/1B1e2VE8B0g

Facebook: https://www.facebook.com/share/1HUpZwtFj6

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