A Alemanha sempre forneceu à cena do metal, expoentes relevantes a nível mundial. O mainstream tem bons representantes como Scorpions, Accept, Rammstein etc. Mas isso não chega a ofuscar a qualidade do cenário underground, que traz nomes emergentes como On Every Page. Com alguns trabalhos na bagagem, inclusive o EP “Cherophobia” (2023) e um registro ao vivo do mesmo ano, o quarteto de Giessen, Hesse (ALE), pode arregimentar vários fãs pela sua agressividade e letras existencialistas. Atualmente, a banda prepara o próximo EP que se chamará “Liminal Spaces”, mas primeiro já disponibilizou nas plataformas digitais o single “Minerva”, como degustação.

Seguindo a sua habitual sistemática de composição, “Minerva” expõe uma realidade bastante delicada na vida de algumas pessoas, no que diz respeito a abuso físico e psicológico. No entanto, o clima gerado pela letra se refere à perspectiva masculina como vítima. Obviamente, não se refere a comparações aos inúmeros casos que, infelizmente, abatem sobre meninas, mas dizer à sociedade que a violência não escolhe gênero. Para dar mais atmosfera a este tema, o On Every Page apresenta uma música com alternações melódicas e, ao mesmo tempo, brutais. Essencialmente, a banda trabalha o seu metalcore com as definições mais criativas possíveis.

A introdução com notas suaves e um coral melancólico, logo de início permite entrarmos no clima da canção. Há de se observar que, toda a parte de arranjos revela climas soturnos e obscuros, casando assim com a proposta do tema. De maneira destacável, os riffs de guitarra constroem linhas suntuosas, mas em alguns trechos se soltam velozmente para darem mais brilho à dinâmica. Dessa forma, os caminhos trilhados pelos vocais limpos – que, além disso, são bem afinados – e guturais geram uma espécie de zona de conforto. Isso é um dos exemplos da criatividade antes citada, pois construindo linhas assim, a música fica isenta de complexidades intricadas e burocráticas.

O que podemos dissecar mais de “Minerva”, se refere à dupla emoção que ela nos passa. Ou seja, em sua duração é fácil perceber o afloramento de dois sentimentos vividos pelo personagem. Primeiramente, o de sofrimento por viver em um relacionamento absolutamente medonho, embora seja refém. O outro, no entanto, é o de revolta resultante da dor e explosão. Dessa maneira, chegamos ao encaixe das performances limpas e guturais do vocal. Além de belas músicas, seja pela melancolia ou pela empolgação, o On Every Page mostra que escreve perfeitos roteiros para uma dramaturgia, quem sabe?

Ouça “Minerva” pelo Spotify:

Visite o site oficial da banda:

https://www.oneverypage.com

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