Cannibal Corpse: The Wretched Spawn completa hoje 15 anos

by Flávio Farias

Em 24 de fevereiro de 2004, o CANNIBAL CORPSE lançava o seu nono disco, e em minha opinião pessoal, o melhor álbum do ponto de vista da técnica e complexidade das músicas: “The Wretched Spawn“.

Então a banda se juntou ao produtor Neil Kermon (NEVERMORE, JUDAS PRIEST, FLOTSAM & JETSAM, QUEENSRYCHE, etc…), que já havia produzido o álbum anterior, “Gore Obsessed“, além do EP “Worm Infested” e todos foram ao Sonic Ranch Studios, em Tornilo, Texas, para registrar essa belezura.

A abertura da bolacha se dá com a curta e grossa “Severed Head Stoning“. Em menos de dois minutos, os caras já dão o recado e eles não estão de brincadeira; “Psychotic Precision” também curta e grossa, desafia nossos pescoços. Excelente o trabalho das guitarras de Jack Owen e Pat O’Brien aqui, com direito aos “apitos” , que nunca soam chatos.

Decency Defied” mantém o nível elevado, e igualmente curta como as duas anteriores, porém, essa tem um andamento menos rápido. É uma das minhas favoritas de toda a carreira da banda.

A pancadaria sonora retorna com tudo em “Frantic Disembowelment” e tudo continua como antes: música curta, agressiva, certeira. Destaque para o excelente trabalho de Alex Webster no baixo. Que me desculpem Steve Harris, John Myung, Geddy Lee, mas Alex Webster em minha opinião é um mito das cinco cordas. Os que eu citei acima são os deuses do instrumento, mas tocar Death Metal, sem palheta e mostrando toda técnica em um tipo de música bem rude… honestamente, eu não conheço outro igual. Se o caro leitor ainda tem alguma dúvida, basta assistir ao vídeo abaixo.

Em apenas 10 minutos e meio, já se passaram 4 faixas e a sensação que temos é de que nossos ouvidos (e o pescoço) foram atingidos por um tsunami musical. E ai os caras para dar uma pausa, colocaram uma música mais longa e mais arrastada… Quer dizer, arrastada até a página 3, porque a faixa título é uma quebradeira total do meio para o fim, com um solo simplesmente maravilho à velocidade da luz.

Cyanide Assassin” parece continuação do trecho final da faixa anterior, onde a pancaradia sonora continua a todo vapor. É impressionante como os caras conseguem fazer um som extremos, sem que as coisas não pareçam desconexas, apenas barulho.

Festering in the Crypt” é densa, pesada, arrastadona, linda… Nem digo que aumento mais o volume, porque já está no talo desde o começo. A música se desenvolve e cresce, ganhando um andamento um pouco mais rápido, mas terminando da mesma forma que começou… George “Corpsegrinder” Fischer tem uma performance arrasadora nesta música.

Nothing Left to Mutilate” é outra excelente música, onde o destaque aqui é para a performance de Paul Mazurkiewicz e seu bumbo duplo nervoso.

Blunt Force Castration” já é uma faixa mais “old school”, porém, requintada com todo o virtuosismo que a banda foi moldando ao longo do tempo.

Rotten Body Landslide” começa com um riff sensacional e ganha velocidade a (ainda mais) agressividade. As mudanças de andamento nesta música são nada menos que sensacionais.

A trinca final, abre com “Slain“, uma música com riffs interessantes, onde de vez em quando a bateria de Paul Mazurkiewicz trata de mudar o andamento. Já em “Bent Backwards and Broken” é comandada pelos riffs hipnóticos da dupla Jack Owen e Pat O’Brien, uma música acima da média. E o final com “They Deserve to Die”  não poderia ser melhor. Uma música densa, em que eles demonstram toda sua criatividade em mudanças de andamento, mantendo o selo de qualidade CANNIBAL CORPSE. E no meio da música, um espaço para que Alex Webster possa dar seu espetáculo no baixo.

O CD vem com um DVD bônus, mostrando os bastidores da gravação deste disco e alguns takes dos músicos. Minha relação com este disco é bem especial, sou fã do CANNIBAL CORPSE há pelo menos uns 18 anos, conheci a banda quando ganhei de presente de uma amiga uma fita cassete do “Live Cannibalism” e dali pra cá comecei a buscar os discos da banda. Claro que temos os clássicos como o “Tomb of Mutilated“, ou o “The Bleeding“, de onde saíram as músicas clássicas da banda, porém, em minha opinião, aqui temos o ápice da banda em se tratando de técnica, de composição, a produção se mostrou eficiente e deu mais brilho às músicas.

Eu gosto tanto deste álbum que tenho duas camisas com a capa estampada. As duas já estão bem surradas e eu penso em comprar uma terceira, mas amo a reação que ela causa nas pessoas, quando todos esperam que eu irei aparecer engomadinho, eis que surge este redator que vos escreve com aquela imagem podre, porém, linda. As pessoas ficam chocadas e eu me divirto muito com isso, pois trata-se apenas de uma imagem, quando há coisas muito mais chocantes com as quais as pessoas deveriam se preocupar.

Enfim, a obra é sensacional e aqui eu encerro este texto, desejando longa vida à “The Wretched Spawn“, que envelhece muito bem!

Lineup:

George “Corpsegrinder” Fischer – Vocal

Jack Owen – Guitarra

Pat O’Brien – Guitarra

Alex Webster – Baixo

Paul Mazurkiewicz – Bateria

Tracklisting:

01 – Severed Head Stoning

02 – Psychotic Precision

03 – Decency Defied

04 – Frantic Disembowelment

05 – The Wretched Spawn

06 – Cyanide Assassin

07 – Festering in the Crypt

08 – Nothing Left to Mutilated

09 – Blunt Force Castration

10 – Rotted Body Landslide

11 – Slain

12 – Bent Backwards and Broken

13 – They Deserve to Die

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