Beast Machine Theory | Storm Boy lança álbum que captura a transformação de um projeto solo em uma banda completa e volátil

Seu despertar já sugere algo caótico. Não existe uma devida sonoridade instrumental, mas o som de rajadas de vento um tanto descontroladas sugere o prelúdio de um ecossistema caótico. Dando corpo a essa impressão, a guitarra rapidamente invade a cena com um riff denotativamente áspero que transpira uma estridência capaz de colocar o stoner rock entre os ingredientes da receita da composição. Explorando um contexto que se mostra sombrio principalmente em razão da união do baixo grave e bojudo que preenche a base melódica com uma notável consistência, é curioso se atentar ao fato de que, mesmo com frases rítmicas ligeiramente amaciadas, Hands Under It leva o espectador a se perder em meio a ímpetos de uma melancolia introspectiva e pegajosa. Trazendo consigo um estilo sônico que parece ser resultado da fusão dos Ramones com o Misfits, a obra é completa com uma voz masculina de timbre intermediário e rasgado que lhe incute intensidade e certo quê de virilidade dramática.

Bem diferente daquilo que foi vivenciado durante a composição anterior, a presente faixa insere o ouvinte em um ambiente mais aberto e expansivo. Destacando uma guitarra de riff limpo e agudo, o contexto sonoro passa a ser agraciado por contornos sensuais interessantes que, facilmente, capturam a atenção do espectador. Com bom corpo providenciado pelo baixo e seu groove tradicionalmente robusto, a faixa surpreende por engatar em uma crescente que desemboca em um ambiente estimulante, altivo e contagiante, mas ainda mais dramático que o vivenciado durante Hands Under It. Crua e surpreendendo pelos seus versos líricos entoados em um tom que sugere vislumbres de desespero, In The Shadows Of Fort Reno instiga o senso de união, além de dialogar sobre a busca de propósito e a relação da escolha entre comida e tempo em um mundo governado pelo dinheiro e pelo relógio.

A estridência e a sujeira se unem diante do riff adotado pela guitarra durante os primeiros momentos introdutórios da faixa. Junto de uma bateria pulsante, esse sonar sugere certo quê de linearidade, ainda que baseado em um compasso mid-tempo. Rapidamente adornada por versos líricos pronunciados em um tom de ordem que destaca, inclusive, seu viés questionador e impositivo, Tiny Fists chama a atenção por contar com uma voz feminina em um refrão de contexto viril e ordenante. Intensa e elétrica, a faixa traz consigo  um diálogo que discute abertamente a questão da busca pelo pertencimento em um mundo de caráter opressivo e desintegrador.

Não precisa de muito para entender que Beast Machine Theory bebe de uma postura questionadora. Menos ainda é necessário para se intuir de que ele se trata de um material completamente moldado no som do espectro do punk. Transitando pelo stoner rock, mas também pelo garage rock e pitadas singelas de post-grunge, o material se usa da sujeira e da estridência para dar mais ênfase e densidade aos seus diálogos reflexivos não apenas em âmbito social, mas também político e cultural.

Ríspido, altivo e viril, ele se baseia em guitarras distorcidas e ásperas, bateria suja e baixo estridente como seu coração sensorial. A partir desses instrumentos, em união à parte humana providenciada pelas interpretações líricas assumidas pelo vocalista, o disco adquire nuances de urgência e imediatismo que fazem o ouvinte transpirar de imediato e indicam suas quatro primeiras faixas como as de maior destaque. 

Mas não apenas elas. Beast Machine Theory, em sua completa track list, que ainda enaltece a presença de faixas como a suspirante, melancólica e entorpecente …And Then For, com boa participação da presença feminina nos vocais; e da altivo-sensual The Minute We’re Born, com suas ligeiras semelhanças estéticas para com Strutter, single do Kiss, mostra uma ousadia admirável trazida por uma banda de opiniões firmes e postura ativista.

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