Ad Lunam | WhiteRoomNightmare lança álbum conceitual sobre um astronauta que deixa a Terra para colonizar a Lua

Um blast beat preenche o escopo introdutório a partir de golpes sequenciais e certeiros na superfície da caixa da bateria, fazendo reverberar uma textura estridente que ganha, gradativamente, uma proeminência que confere firmeza e uma curiosa indução à percepção preludiante do caos. Quando o escopo instrumental é apresentado em sua forma completa, o ouvinte tem uma visão cristalina o suficiente para vislumbrar um cenário harmônico-melódico pautado na estrutura de um metal sinfônico. Entre o áspero, o sombrio e uma camada atmosférica tão marcante providenciada pelo teclado, Second World Problem consegue fornecer uma sensorialidade espacial bastante eficiente. Tudo respaldado por um enredo lírico proclamado por uma voz masculina sussurrante que torna o ambiente algo completamente sinistro.

Aqui a guitarra aparece com uma distorção mais aberta. Ainda que mantendo a aspereza como a sua textura-base, o instrumento consegue alcançar uma estética minimamente melódica e contagiante. Promovendo uma curiosa ideia associada ao esotérico e ao etéreo, tal elemento, junto com a ondulância suja providenciada pelo chimbal, a faixa chama a atenção por misturar texturas que induzem à fusão entre os campos tanto do metal quanto do hardcore. Esteticamente bruta, Space Cadet apresenta um lirismo de pronúncia minimamente sussurrante que introduz uma energia interessantemente amorfinante que embala o espectador.

De estética mais limpa, mas com andamento mais lento, a melodia traz consigo um contorno que tangencia a sensibilidade associada ao soturno. Agraciada por uma harmonia ondulante e atmosfera hipnótica em razão da linearidade sônica esboçada tanto pela guitarra quanto pela linha lírica, Blue To Black se apresenta como uma canção que explora a transição entre o céu azul terreno e o preto profundo do espaço ao passo que o viajante se afasta de seu próprio universo.

A partir do efeito fade in, a guitarra, sob uma distorção que emana uma curiosa acidez melódica, permite que a canção desemboque em um recorte sonoro-narrativo pulsante, mas adornado por um generoso aspecto sujo. Ritmicamente flertante com a paisagem do doom metal em razão de seu andamento lento, This Giant Steps é mais uma composição do disco que se apoia em uma linearidade harmônica. Contudo, assim como aconteceu anteriormente, por conta do enredo lírico penetrante e envolvente, essa percepção não chega a incomodar a trajetória imagética do ouvinte perante o cenário a ele apresentado.

É interessante como a afinação e a movimentação exploradas pela guitarra conseguem conferir uma atmosfera curiosamente fantasiosa. Mas não, aqui não tem nada de esotérico ou transcendental, senão o simples fato de promover um convite para a pura expansão da imaginação. Assumindo uma acidez de conotação interessantemente azeda conforme a bateria garante para si um compasso rítmico pulsante, a canção apresenta, pela primeira vez, mas de forma não tão nítida, a presença do baixo em meio ao seu corpo sonoro. Providenciando boas doses de consistência e densidade à receita estrutural, o instrumento coopera, inclusive, com o corpo da melodia. Misturando interferências de um compasso com assinatura do metal alternativo, a bateria, nesse ínterim, consegue dar a Make A Wish uma identidade híbrida, uma vez que, na presença da interpretação lírica, ela é adornada por contornos assustadores.

Diante de uma escuta atenta perante a sua sequência de faixas de um total de 11 títulos, Ad Lunam funciona como um verdadeiro ônibus espacial que leva o ouvinte para um mundo completamente desconhecido. Formulado de tal maneira que cada canção tem um elo forte entre si, o disco traz contextos sonoros intensos, rascantes e agressivos que representam a insegurança e a excitação perante o novo.

Com momentos que trazem consigo imersões para com um viés reflexivo, o disco conta com narrativas interpretadas de forma teatral a ponto de fazer o ouvinte sentir desde o medo até a segurança, com, inclusive, traços de uma expectativa cheia de ansiedade e ingenuidade. Esteticamente, eis aqui um material que propõe a fusão do metal alternativo com o hardcore a partir do teste de diferentes texturas e naturezas sonoras. 

Ainda que esses apontamentos sejam trazidos com mais ênfase no decorrer das cinco primeiras faixas, o material também traz a doom-entorpecente e melancólica Corridor Of Uncertainty e a contemplativa Post-Life como importantes somas ao seu enredo. Com elas, Ad Lunam consegue trazer, com brilhantismo, a história de um astronauta que deixa a Terra para colonizar a Lua.

Mais informações:

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