Diante de uma temática sintética capaz de criar sensações inerentes a um desconforto associado aos ímpetos de insegurança incentivados pelo aspecto do desconhecido, a canção vai fazendo efervescer um toque de tensão que cresce de forma gradativa, mesmo diante de um inicial minimalismo sônico. De natureza invariavelmente sintética, a faixa funde ligeiros versos líricos proclamados por uma voz masculina de tom híbrido entre o cavernoso e o gutural de forma a ambientar o ouvinte em meio a um ecossistema puramente sombrio. O curioso é perceber que, em meio às suas várias transformações atmosféricas, Hell se mostra uma canção que convida o ouvinte a caminhar por instantes de maciez e delicadeza quanto por frases sonoras que trazem certo grau de sensualidade que a colocam na seara do hard rock em razão do movimento e da afinação do riff adotados pela guitarra. Como a canção mais longa do disco, ultrapassando a marca dos 13 minutos de duração, a faixa se depara com suspiros, torpores e linearidades estético-estruturais que são capazes de oferecer surpreendentes intimismos. Com momentos de melancolia e dramaticidade, a faixa ainda permite ao ouvinte perceber flertes estéticos para com o death metal, assim como notar as diferentes aparências que o baixo assume durante sua execução.
Fundindo o esotérico com o espacial e o atmosférico já diante dos seus momentos introdutórios, a canção é rapidamente respaldada pela presença sinérgica entre guitarra e baixo. Criando uma paisagem capaz de oferecer uma conotação de curiosa esperança, Eternity traz consigo um formato mais melódico e radiofônico. Combinando fragilidade com levadas rítmicas em 4×4 que destacam alguns repiques efetuados na superfície da caixa, a faixa traz consigo uma conotação sonora swingada e amaciada que destaca um intimismo livre de drama e pungência. Trazendo boas doses de sentimentalismo, especialmente no que tange à interpretação lírica assumida pelo vocalista, a faixa caminha por meio de uma linearidade harmônica rígida, mas que é suavizada pela leveza alcançada pela sua conjuntura sonora.
Diferente daquilo que foi observado na canção anterior, a presente faixa tem a sua introdução puxada por uma tomada sônica crescente formada entre guitarra e bateria. Surpreendentemente, porém, ao alcançar o ápice, a canção escorrega para um momento de leveza e boas doses de frescor. Amaciada e swingada no que tange à sua textura, a faixa combina bons grooves com um frescor contagiantemente envolvente. Diante de sua duração de exatos nove minutos, Laeta é moldada perante a junção de momentos suspirantes, introspectivos e devidamente swingados, de forma a trazer uma interessante combinação de posturas. De tonalidade dramática a partir de certos versos líricos, a faixa, assim como em Eternity, bebe de uma linearidade harmônica rígida, mas que não causa desconforto em razão de sua conjuntura arquitetônica.

Tyger chama a atenção do ouvinte desde o seu despertar imediato por ser construído de uma forma inovadora. De natureza intimista e melancólica graças ao emprego do violão como instrumento responsável por lhe conceder vida, a faixa caminha por entre brisas atmosféricas que sugerem nuances esotéricas marcantes. Explorando diferentes sons e texturas, como o badalar do sino e a acidez suspirante da distorção da guitarra, a faixa se equilibra entre o aromático e o swingado, mesmo embasada em certa densidade estrutural. Como a segunda faixa mais longa do disco, alcançando mais de 11 minutos de duração, Tyger se destaca por se valer de um intimismo melancólico e delicado que, surpreendentemente, dá passagem para um instrumental vivaz, sensual, swingado e de nuances audaciosamente festivas e libidinosas.
Um disco de natureza inconstante, pode-se dizer sobre A Dream Of Hell. Afinal, ele não é só um material pautado em ambientes densos ou, mesmo, atmosféricos. Com suas quatro composições, ele é capaz de convidar o ouvinte a caminhar, sim, pelo atmosférico, mas não apenas.
Ao percorrê-lo em sua totalidade, o espectador esbarra em momentos de intimismo e torpor. De delicadeza e maciez. De esoterismo. Contudo, existem também aqueles momentos de aspereza e sensualidade que transformam a sensorialidade que difunde. Por meio dessa amplitude, o Far From Your Sun faz de A Dream Of Hell um álbum que convida o ouvinte a não apenas confrontar as suas próprias sombras, mas também a descobrir uma forma mais autêntica de luz em meio à escuridão.
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