O UFO certamente é uma força a ser reconhecida. Seus lançamentos da década de 70 moldaram muito do que veio a se tornar tradição no rock pesado, sendo inclusive uma das influências iniciais do Heavy Metal, enquanto o estilo ainda dava seus primeiros passos. Isso tudo é inegável. Porém igualmente inegável é o fato de que a banda trilhou caminhos tortuosos na segunda metade da década de 80. Não só pela constante troca de membros após a separação da formação clássica da banda e pela queda de popularidade, musicalmente a banda parecia se perder cada vez mais na tentativa de retorno ao topo das paradas, aderindo a tendências populares da época, perdendo muito de sua personalidade. Ao fim da década de 80 a banda soava muito mais como uma banda genérica de Hard Rock à la Kiss, cheia de baladas desesperadas por atenção comercial, e muito menos como os gigantes do Rock Clássico de outrora. Para piorar, a tentativa incessante da banda de agradar ao grande público se provava cada vez mais fútil, vendo que as vendas de seus discos só diminuíram com o aproximar do fim da década. Após o lançamento do fraquíssimo EP “Ain’t Misbehavin”, a banda novamente se separou em 1989.
Eis que em 1991, dois dos membros fundadores da banda, Phill Mogg e Pete Way, decidiram dar uma nova chance para a banda através de uma nova formação. Laurence Archer foi chamado para as guitarras, e Clive Edwards foi convidado a assumir as baquetas, ambos prolíficos músicos da cena do rock/metal britânico. Com esta nova formação, compuseram e lançaram o seu décimo terceiro álbum: “High Stakes & Dangerous Men”.
A responsa certamente era grande. Sempre que uma banda passa por tempos difíceis e “acaba”, o retorno à glória é sempre esperado. Lançado desta vez através de uma pequena gravadora independente (a finada Castle Music), o álbum chegou às prateleiras de maneira singela e discreta, porém seu conteúdo muito se afastava disso. O UFO mais uma vez apostava em um hard rock bombástico, extremamente carregado de influências oitentistas.
Mas, diferente de seus predecessores, este disco tinha algo a mais. Um toque de blues/soul (que pode ter vindo da influência do guitarrista Laurence Archer) dava um pouco mais de personalidade às faixas, e tudo soava um pouco mais orgânico e coeso. A faixa de abertura “Borderline” é um ótimo exemplo disso, assim como a faixa “Back Door Man”, e a faixa de encerramento, “Let the Good Times Roll”, sendo essas os maiores destaques do disco.
O uso bem-aventurado destes elementos, assim como pequenos detalhes aqui e ali (como o contraste entre guitarra e voz no segundo refrão da primeira faixa) deu vida às músicas. O som aqui ainda é bem acessível e comercial, e ainda há as baladas farofentas ao decorrer do álbum, mas mesmo nesses momentos eles colocam alguns detalhes que os permitem escapar da reprodução de convenções saturadas do rock. Um bom exemplo disso é a guitarra cavalgada na faixa “Love Deadly Love”, contrastando com o refrão grudento, além de ótimos solos.
Ainda assim, este ainda não foi o verdadeiro retorno à glória do UFO, mas foi um dos degraus necessários para o mesmo. Sim, a maioria das faixas aqui soam como algo que você ouviria como trilha sonora em um filme da sessão da tarde, mas ainda assim são faixas de muito mais bom gosto do que o que havia sido lançado nos anos anteriores. E lembremos também que graças à atenção recebida por este disco, houve um breve retorno da formação clássica da banda. Porém, em termos do mérito de seu conteúdo, é um disco acima da média, mas ainda longe de se comparar aos verdadeiros clássicos da discografia do UFO.
Tracklisting:
01 – “Borderline” – 5:17
02 – “Primed for Time” – 3:22
03 – “She’s the One” – 3:44
04 – “Ain’t Life Sweet” – 3:42
05 – “Don’t Want to Lose You” – 5:37
06 – “Burnin’ Fire” – 4:02
07 – “Running Up the Highway” – 4:39
08 – “Back Door Man” – 5:06
09 – “One of Those Nights” – 4:11
10 – “Revolution” – 4:06
11 – “Love Deadly Love” – 4:53
12 – “Let the Good Times Roll” – 4:12
Formação:
Phill Mogg – Vocal
Laurence Archer – Guitarra
Pete Way – Baixo
Clive Edwards – Bateria