Ela já comça com uma intensidade notável. Lexicalmente acelerada e um tanto desesperada, a faixa já exibe uma guitarra melódica rápida pairando por um ambiente respaldado por uma bateria precisa que transpira pressão a partir do intenso uso do bumbo e de suas frases quebradas. Desespero é algo que emana de cada poro da composição, que ainda possui versos líricos de interpretação gutural e quase cavernosa assumida por parte do vocalista. Agora, o que chama a atenção no decorrer de The Beast With My Name são as incursões cinemáticas introduzidas em meio ao seu cenário harmônico-melódico, o que lhe confere interessantes inclinações etéreas perante o caos.
O dramático é algo que se anuncia de maneira inquestionável e incontestável a partir dos uivos violinísticos em contato com versos líricos vocálicos e ululantes que exibem o gutural erudito como prelúdio do intenso. A partir de palavras entoadas pelo cantor e seu timbre rasgado e um tanto grave, o sentimentalismo atinge patamares pegajosos pelos instrumentos clássicos de corda que são agredidos pelos pulsos enfáticos da bateria que geram superfícies crocantes. Mostrando-se áspera, impulsiva e denotativamente precisa, The Ashen Gospel – I. Before The Banners Burn se consagra como uma faixa épica cheia de quebras rítmicas e crescendos súbitos que, em meio aos seus mais de sete minutos de duração, ainda conta com uma estrutura lírico-interpretativa em forma de dueto. Um dueto com uma voz feminina de timbre aveludado que expressa uma tomada melodramática de nuances naturalmente suplicantes.
O crocante se anuncia por meio de golpes duplos do bumbo e a precisão dos ricocheteares na superfície da caixa de forma a exibir a estridência natural do instrumento. Fluindo rapidamente para um ecossistema ruidoso, mas curiosamente agraciado por uma base melódica que torna a sua estrutura minimamente digerível, a composição não consegue esconder a escrachante presença de ruidos em meio ao seu desenvolvimento rítmico-melódico. Conferindo-lhe uma nota de crueza absoluta, esse detalhe faz com que Khinkali Inferno seja trevosa e ríspida, mas, curiosamente, não tão bruta a ponto de ser difícil de ouvi-la.
Saindo da brutalidade e da temática agressiva impostas na canção anterior, o disco agora coloca o ouvinte em contato com uma estrutura rítmico-melódica pegajosa e denotativamente dramática. Introspectiva e com um toque cinemático levemente transcendental, a faixa traz consigo uma voz masculina agradavelmente melodiosa em meio às suas pronúncias que transpiram toques de sofrimento. Não é à toa que, a partir dela, The Ghosts Of My Past exibe contornos naturalmente provenientes da seara do metalcore agraciados por camadas de grande elevação harmônica.
Não é apenas o cru que fala em Where God Grew Tired. Afinal, o álbum guarda momentos de nítida incursão melódica responsável por exibir e desnudar o drama, o sofrimento e inclinações posturais que induzem à percepção de um intimismo reflexivo. Ainda assim, a versatilidade do material lhe permite ter trevas, agressividade, pulso e uma densidade tão intensa que soa inquebrantável.
Ainda que sejam notadas com mais facilidade no decorrer das quatro primeiras músicas do álbum, essas características, junto a chiados marcantes, podem muito bem ser vistas em títulos como Paradise Has Walls, que, em razão do canto gutural que puxa a introdução, exibe uma vez mais a influência do gospel na paisagem do disco; e Shakles Of Blood, com a sua melodia grave e harmonias de menções orientais marcantes. A partir deles, Where God Grew Tired não esconde a assistência de i.a enquanto explora temas como guerra, fé, amor proibido e lendas absurdas.
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