A voz do vocalista já exibe um contexto um tanto fora dos paradigmas. Com seu tom seco, mas ao mesmo tempo agraciado por curiosos traços aveludados, ele surge dando vida a um contexto lírico que imediatamente adquire uma guinada enérgica fomentada pelo riff distorcido da guitarra, o qual exibe claros vislumbres estridentes. Resultando em um ecossistema que transpira uma essência indiscutivelmente crua, a união desses dois elementos leva o ouvinte a vivenciar uma espécie de prelúdio de injeção de adrenalina.
Contando com a companhia tão logo apresentada do chimbal e sua textura seca, elemento que se mostra responsável pelas primeiras indicações da cadência rítmica, a canção rapidamente engata em um contexto lírico-instrumental que, uma vez mais, exalta a sua essência puramente crua. Exibindo texturas interessantemente crocantes proferidas pela bateria através de frases quebradas, a composição indiscutivelmente se mostra uma espécie de representante de um som punkeado que muito traz como referência nomes como Bad Religion e Pennywise. Rememorando inclusive o som bruto e noventista do Green Day, a faixa ainda traz aquele comportamento debochado e descompromissado típico do pop punk.
Com direito a momentos com solos de guitarra e frases melódicas em que o baixo alcança um notável momento de saliência e protagonismo, a faixa se beneficia do corpo e do sabor azedo que o instrumento oferece para entregar à sua própria sonoridade mais força, densidade e consistência. Alcançando uma capacidade notável de soar viciante e penetrar a mente do ouvinte como um verdadeiro chiclete, a faixa, com a sua harmonia linear e afiada sintonia instrumental, transborda simplicidade estético-estrutural sem enfraquecer a sua própria natureza.
O que mais chama a atenção dentre todas essas questões apontadas é o fato de que a faixa traz consigo uma evidente, marcante e envolvente natureza jovial cujo frescor rememora não apenas o meio dos anos 90, mas o típico descompromisso do início dos anos 2000. Inspirada em uma experiência pessoal vivida pelo seu compositor, em que, durante um passeio em um parque, percebeu que algumas garotas estudantes e católicas mudaram o seu trajeto ao notarem-no vestido com uma camiseta do Bad Religion, fato que também motivou olhares tortos vindos por parte de algumas senhoras presentes no local. E por falar no processo criativo de I’m Good (But I’m Better When I’m Bad), com seu nome diretamente referenciado a uma citação de Mae West, teve a última parte de seu enredo lírico surgida em meio a uma exposição.
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