Não há dúvidas quanto ao seu caráter melódico, afinal, as duas guitarras existentes se conversam harmonicamente na criação de uma atmosfera que transpira um viés sensorial melancólico curiosamente pegajoso. Com direito a uma boa participação do teclado na criação de uma base de nuances entorpecentes, Judas tem pulso rítmico e densidade, algo que se mantém mesmo quando mergulha em sua essência corrosiva.
Já em Sangre, Xawaro coloca o ouvinte em contato com o bruto e o sombrio desde o seu início imediato. Entre linhas líricas vividas por um timbre masculino de identidade cavernosa, a canção traz as trevas para a superfície conforme evidensia a sua sonoridade pulsante, aspera e banhada por um eco vocal gutural que soa como uma entidade onipresente e obsessora. Raivosa, mas com mais frases minimamente melodiosas, a faixa tem o poder de chocar tanto quanto de entorpecer.
Espinas vem com o denso, o bruto e o azedo como cartões de visita. Rapidamente se tornando uma obra trotante em meio à sua cadência mid-tempo, ela exala um caráter trevoso que transcende o próprio limite dos rugidos vocais. Diante de um blast beat interessantemente contido, a faixa ainda caminha por momentos de estruturas mais padrões em relação ao compasso 4×4, mas sem perder o seu viés obscuro.
Não adianta ter como primeiro sinal sônico um coro gutural de conotação angelical. Afinal, Fenix mantém a densidade e o azedume como combustível, ainda que se apresente diante de um ritmo mais atraente. De versos líricos ruidosos, mas com um tom de crítica ao invés de uma simples raiva, a faixa é vendida como um produto cru de inclinações surpreendentemente reflexivas.
A faixa-título e Muno Caotico são obras que mantém a simetria das anteriores. Ainda que a primeira traga uma pegada mais crua e obscura em meio à sua aspereza transbordante, existe nela um caráter radiofônico em razão de seu ritmo mais degustável. Já em relação à segunda, ela traz mais desespero, mas defende o mid-tempo e a acidez em seu tom mais agudo, salientando a postura imponente do grupo.
Com Clavoz, o Xawaro não traz apenas o caos, o bruto e o sombrio. Ele representa a angústia e o desespero transpassados em cada palavra que desenha seus enredos líricos. Ainda assim, um fato de que ele se trata de um EP que captura o grupo na sua identidade mais crua e intensa.
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