O heavy metal e o rock sempre contaram, em suas diversas eras, com os chamados ‘dream team’, sim, os famigerados ‘times dos sonhos’. Nomes como Badlands, Yardbirds, Metall Allegiance, The Dead Daisies, The Kovenant, entre outros, não necessariamente nessa ordem, fizeram a festa dos fãs da música pesada e fomentaram essa cultura colaborativa que rende tanto.
Hoje em dia, com o encurtamento das distâncias graças à tecnologia e suas inovações, essas colaborações se tornaram mais frequentes, propiciando não só som de qualidade, mas até mesmo apresentações ao vivo. Muitas delas unindo músicos do mesmo cenário e outras unindo mundos, dando ainda mais diversidade aos estilos. Nem sempre o som soa como esperamos, mas em alguns casos os artistas não arriscam.
Temos aqui um destes ‘dream team’, com músicos de formações musicalmente versáteis e que vai te surpreender sonoramente. Trata-se do The Whispering, que é uma banda de heavy metal de Los Angeles liderada pelo estreante Lucian Fhor nos vocais e guitarra, que recrutou, nada mais nada menos que Loic Colin no baixo (Scarve/One Way Mirror), Tobias Kellgren (Dissection) e Dirk Verbeuren (Soilwork/Megadeth e trocentas outras bandas) na bateria.
Com este novo EP, intitulado “The Whispering Part 1”, Lucian mostra que não é guloso e entrega quatro novas faixas trilhando um caminho equilibrado, onde o heavy metal ganha contextos doom e outros menos incisivos do progressivo. Tudo muito bem gravado e produzido, aliás com timbres escolhidos a dedo e que beiram a perfeição.
Abrindo com “The Whispering”, o disco já mostra uma faixa que resume um pouco do que o trabalho entrega. Influência clara de heavy metal tradicional, principalmente nos riffs cavalgados de guitarras, velocidade na medida, mas uma abordagem atual, que é o grande diferencial do grupo. Toques de progressivo e os vocais ‘maliciosos’, brandos, mas com energia, já são um belo cartão de visitas.
Em seguida a influência ‘sabbathiana’ dá as caras com “Life After God” mergulhando num doom metal maléfico, mostrando mais um dos direcionamentos da banda. Tudo mantendo a identidade, que foi moldada cuidadosamente sempre com um teor moderno, mas não tendencioso.
“Evil Eye” mantém uma veia “sabbathiana”, mas mais dos tempos final dos anos 80 e com o progressivo comandando, enquanto “Pretty Witches”, com um violão bem encaixado, mostra aquela beleza cheia de maleficência, sendo uma das faixas mais bem trabalhadas do disco. O fato de todas as músicas chamarem atenção mostra que o gosto de ‘quero mais’ é inevitável e que o The Whispering nos entregue mais coisas no futuro!
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