A maneira como a guitarra se movimenta durante a introdução da composição sugere uma maciez sensual, mas envolta em uma conotação provocante e intrigantemente motivacional. Esbarrando em uma postura reflexiva a partir da mudança singela entre seus acordes, o instrumento vai deixando o ambiente com um ar denso e de inclinações sensoriais um tanto enigmáticas.
Assim que o enredo lírico começa a ser devidamente vivenciado a partir da voz intermediária e levemente azeda do vocalista, a canção vai sendo respaldada por modulações que lhe garantem alguns vislumbres de movimento. Introspectiva em sua essência comportamental, ela chama a atenção por explorar um minimalismo instrumental que transpira melancolia e certo quê de drama. Crua em certa medida em razão da presença de ligeiros chiados, a faixa engata em ímpetos dramáticos com o auxílio dos primeiros pulsos percussivos a preencherem a base rítmica.
Transformando a sua atmosfera ao engatar em uma cadência mid-tempo ligeiramente mais acelerada em razão da presença agora marcante da bateria em sua forma completa, a faixa explode em um refrão de nuances emocionais profundas que beiram o visceral. Ao mesmo tempo, é interessante e necessário pontuar que a crueza vai servindo de um alicerce sensorial que exorta não apenas certo quê de sinceridade estético-estrutural, mas mostra a influência ou, ao menos, a semelhança sônica existente entre a presente obra e as composições assinadas por Danzig.

Áspera não apenas pela textura garantida pelo riff distorcido da guitarra, mas também pelo drive assumido pelo vocalista, que, quanto mais avança em sua interpretação lírica, mais evidencia a igualdade entre seu timbre e o tom de Corey Taylor, a faixa vai se destacando por se permitir explorar sensos baseados no âmbito do puro dramático.
Chegando a um momento em que permite ao ouvinte a percepção clara do groove do baixo em razão da saliência e do destaque garantidos pelo referido instrumento, a canção, consequentemente, passa a se apoiar na aquisição de uma qualidade associada tanto à precisão quanto à densidade no que se refere à sua própria sonoridade. Ficando cada vez mais elétrica e enérgica conforme avança sua estrutura, a faixa acaba tropeçando no fato de não explorar o conceito de harmonia instrumental.
Ainda assim, graças às ondulações assumidas pelo vocalista durante as suas pronúncias líricas, a canção consegue, sim, oferecer noções de movimento ao ouvinte. Transpirando certas nuances atmosféricas conforme expande seu caráter sensorialmente dramático, Counting Hours mergulha em uma narrativa que dialoga sobre temas como desespero, perda e a implacável passagem do tempo perante um ecossistema de identidade cinemática.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/112tA2IRowTwrbpqK4Jvvt
Soundcloud: https://on.soundcloud.com/R3a4Vi02M4zTavK4AO