La Paille é um projeto de vanguarda de seis integrantes, baseado em Helsinque, que desconstrói com maestria as fronteiras entre a orquestração da era romântica e o metal moderno agressivo. Bom, como puderam perceber, estamos diante de um grupo finlandês focado no metal sinfônico, o que já é sinônimo de qualidade.
Não bastasse a riqueza do som, os caras ainda têm todo um contexto lírico, que torna, de certa forma, o trabalho conceitual. “Spellbound” é o terceiro capítulo da narrativa ritualística contínua de La Paille, marcando a era do Despertar.
O álbum se baseia no sucesso dos singles anteriores, “Caduceus: The Twin Serpents”, eu teve boa repercussão nas plataformas digitais e “Essence Eternal”. “Caduceus: The Twin Serpents” cortava como prata e “Essence Eternal” respirava como a terra ancestral. Já “Spellbound” é o momento em que a consciência abre os olhos pela primeira vez — desorientada, faminta e viva. Ou seja, temos aqui uma temática riquíssima.
Falando em riquíssima, a sonoridade apresentada chega cheia de detalhes, mescla de estilos e um equilíbrio de climas. Tudo com uma produção moderna, mas que prima por manter timbres originais e captar cada um desses detalhes. Isso faz com que o disco soe na medida para os fãs de metal.
São quinze composições e quase uma hora de metal sinfônico, com passagens power metal e leves incursões de progressivo, mostrando uma energia extra e longe de teores sombrios que muitas vezes associam esse tipo de sonoridade ao gótico. Não que seja um problema, mas também uma solução.
Difícil destacar uma ou outra composição, até porque o trabalho conta até mesmo com uma introdução primorosa, que se chama “Invocation”. Na verdade, soa mais como uma faixa instrumental, onde guitarras poderosas ditam as melodias com um fundo orquestrado belíssimo e imponente, já abrindo o disco com maestria.
Com um piano magistral, “Mesmerized in Midnight” traz um som sinfônico e progressivo que se destaca pela sua astúcia. Crescendo dentro de si mesma, a faixa prima pela consistência e uma cozinha coesa. “Broken Veils & Woven Song” traz um clima épico e chama atenção pelo belíssimo dueto vocal, sendo outro destaque.
Ouça ainda a mencionada “Caduceus: The Twin Serpents”, que mostra o perfeito módulo do symphonic metal, com dinâmica e pegada intensa, além da moderna “Eclipsed Reverie” e a faixa título que encerra o disco como deveria ser, de forma épica e apoteótica. Fãs de Xandria, Epica e afins irão se deleitar.
https://open.spotify.com/artist/1QTk8okhIb8ISXBHGNYtOc