Conforme a canção vai tendo o seu nascimento anunciado, o ouvinte vai se percebendo dentro de um ecossistema misto de torpor, calmaria e introspecção. Diante de uma sonoridade de conotação eletrônica aumentando a sua presença de maneira gradativa a tal ponto que denuncia a utilização do efeito fade in, a faixa se embebe de silhuetas etéreas, leves e até mesmo contemplativas. Com o auxílio dos uivos aveludados pronunciados pela guitarra, o toque espiritual ganha mais força conforme a leveza e um curioso frescor vão preenchendo os espaços sensoriais restantes. Explorando uma cenografia onírica mesmo diante de um beat cuidadosamente sincopado, Sanctuary – Ibiza se mostra aromática e entorpecente em uma medida perfeitamente equilibrada.
Entre suspiros e o balbuciar de uma voz feminina aguda e açucarada, o ouvinte entra em contato com o etéreo e com um curiosamente agradável toque de morfina. Permitindo a percepção de uma guitarra melodiosamente distorcida bem ao fundo da camada melódica, a canção vai ganhando vida em sua devida forma conforme a bateria vai garantindo mais presença e indicando um compasso rítmico firme. Fundindo elementos eletrônicos diante de uma base metalizada cheia do emprego de bumbos duplos como forma de garantir pressão e precisão à sua estrutura, Impulse é uma faixa marcada pela intensidade dramática e pela versatilidade vocal de Chiara, que caminha livremente entre a delicadeza e a visceralidade em sua forma rascante.
Introspectiva, mas também conseguindo transpirar uma identidade sônica melancólica, dramática e reflexiva, a canção, por meio dos dedilhares da guitarra que preenchem os seus primeiros sinais sônicos durante a introdução, tem, em si, uma mistura de tensão e expectativa em sua forma curiosamente masoquista. Adquirindo pungência a partir dos pulsos rítmico-melódicos densos, Over The Edge – Part I se mostra uma obra instrumental baseada em um metalcore com nuances etéreas e atmosféricas intensas, criando uma profundidade emocional marcante e pegajosa.
É interessante perceber que, mesmo diante de uma sonoridade que deveria oferecer uma sensorialidade puramente delicada, o ouvinte consegue identificar brisas manipulativas e brisas de caráter tanto introspectiva quanto reflexiva. Entre uma bateria explosiva e pulsante em seu compasso mid-tempo, a faixa deixa escapar uma melodia melancólica e dramática muito bem transpirada pela desenvoltura da guitarra. Após essa primeira crescente pungente, a faixa se vê diante da presença de uma voz feminina aguda e doce que, na posse de Denisse Ferrara, enaltece as verdades intrínsecas à obra. Com ela dando vida às palavras que preenchem o escopo lírico, The Return – Raw traz a ideia de confronto interno, além de lidar com temáticas associadas à memória e à redenção sob uma ótica tanto dark ambient europeia quanto atmosférico-industrial que, invariavelmente, enaltece a percepção de vulnerabilidade.

Eis aqui um álbum que pode ser configurado como um produto sônico sentimentalmente expressivo. Cheio de camadas sônicas que sugerem várias vivências emocionais, Patterns mistura tons sombrios com paisagens sônicas atmosféricas que interagem com as menções do espiritual e do etéreo, mas também do obscuro e do lamentador.
Cheio de pulso, mesmo que, em sua maioria, não traga virtuosismo rítmico, o disco se pauta, nesse campo específico, em um caráter mais minimalista que busca ampliar a densidade das emoções propostas. Marcado pelo uso de bumbos duplos, o disco se mostra firme e com a ideal dose de pressão como forma a dar ainda mais vivacidade e visceralidade àss explorações sônico-sensoriais.
Não é à toa que as cantoras recrutadas para dar vida aos seus enredos líricos fazem transcender a ideia de densidade emocional. Com seus timbres doces e agudos, elas são capazes de introduzir delicadeza e dulçor em meio à ideia de caos iminente presente em todas as 11 faixas que compõem a track list do álbum.
Ainda que as quatro primeiras obras mereçam mais destaque por capturarem, com mais precisão, os apontamentos até aqui elencados, faixas como a vulnerável This Is My Story e Freudian Slip, com sua vasta imersão na temática industrial, reforçam a ideia de que Patterns seja um álbum moldado em um instante sonoro de lealdade. Um álbum, no mínimo, embriagante e pungente.
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