O primeiro sinal sonoro que recepciona o ouvinte é uma voz de caráter feminino. Ela se apresenta no cenário sonoro em seus estados embrionários de desenvolvimento a partir de uma performance tão sussurrante que soa rouca e propositadamente fraca. Enquanto ela se apodera do ecossistema, na base da composição, existe uma sonoridade aguda e levemente tilintante que, nos moldes de uma melodia lúdica indicada para adormecer um bebê, entorpece rapidamente o espectador em meio a súbitos lapsos de conforto.
Tal como se fosse uma estratégia propositada para manipular o espectador e retirá-lo tanto do domínio de sua consciência quanto de sua zona de conforto sensorial, a canção surpreende por se permitir ser regida por uma valsa densa e obscura entoada pelo violino e sua melodia grave. Formando nuvens densas e trevosas no horizonte, esse espectro embrionariamente harmônico-melódico é censurado ao primeiro vislumbre de escopo rítmico providenciado pela bateria e sua desenvoltura quebrada e súbita.
Um instante de silêncio se forma até que o violino volta a preencher o espaço sonoro instrumental ao lado daquela voz feminina que se apresentou logo no início da composição. Na posse de Lyriana Nocturne, esse timbre acompanha o espectador em meio a uma narrativa verbal que vai tomando formas de um conto, um mito fantástico capaz de prender a atenção do espectador com suas densas camadas de suspense.
Mergulhando em meio a cenários que induzem à sensibilidade de uma leveza amorfinante e ludibriante, como um oásis em pleno deserto, a composição simplesmente explode em um refrão em que o metal sinfônico, muito além de se mostrar a base de sua sonoridade, é o elemento responsável por criar e enaltecer o caráter dramático que preenche todo o ecossistema.

Fluindo para setores em que o instrumental é capaz de levar o ouvinte a uma espécie de orgasmo em razão da simetria afiada entre os escopos harmônico, melódico e rítmico, Clockmaster’s Grief se configura em uma canção criada pela junção da emoção, da mitologia e do sombrio que ainda tem, em si, feixes de luz. É assim que o Astral Nocturna entrega um enredo sobre amor, desespero e pesar de forma a escancarar a influência de nomes como Nightwish e Within Temptation em sua estrutura.
Ainda que consiga trazer ligeiras nuances sonoras que chegam a se familiarizar com a estrutura sônica do Evanescence por, simplesmente, flertar com camadas estéticas góticas a partir da forma como explora a pungência do rock, a faixa se confirma como um produto profundamente emocional a ponto de soar visceral. O que mais chama a atenção em Clocklmaster’s Grief, além do que já foi pontuado, é a capacidade de a faixa conseguir infusionar elementos do power metal europeu de forma a tornar sua sonoridade grandiosa e épica.
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