Run Away | Pascal Boyer lança single com energia crua e profundidade emocional

Ela nasce de forma a extravasar uma identidade sombria marcante. E o interessante é que essa sensorialidade não vem na forma de punchs firmes e uníssonos, de uma guitarra intensa e áspera. Ou, ainda, de um baixo que enamora a estridência e o azedume. Esse detalhe estético vem de forma mansa, quase sorrateira, por meio da forma como o sintetizador se movimenta logo ao lado dos leves tilintares da cúpula do prato de condução da bateria de Giovanni Maucieri.

De natureza intensa e introspectiva, ao mesmo tempo em que se mostra profundamente brisante, a canção vai rompendo seu torpor proveniente de uma sonoridade minimalista de forma gradativa. Diante da presença de uma guitarra cuja movimentação sintetiza essa postura intimista, a canção permite que o escopo lírico venha ao mundo por meio de palavras proferidas por uma voz masculina rouca que, curiosamente, na posse de Oleksii, chega a flertar com a proposta cenográfico-sensorial do metalcore.

Por meio de ligeiros flertes para com uma temática estética esotérica, a canção permite que o ouvinte mergulhe mais fundo nas nuances viscerais da interpretação lírica. É assim que a sinceridade e o pungente se encontram com o drama e a melancolia. Aliás, não que ela seja necessariamente um produto de natureza rascante, mas mesmo perante uma proposta sonora que chega a flertar com a temática ambiente, a canção não consegue se desvirtuar de seu caráter reflexivo, inquietante e vulnerável.

Inegável que sua audição é promovida perante uma conjuntura de performance mansa, mas é justamente dentro dessa mansidão, que mora o impulso, o incontrolável. O instável. Em meio a essa realidade, que brinca entre o palpável e o irreal, a audiência entende que a bateria assume a postura daquele elemento que busca mantê-la sã e, portanto, na companhia de suas faculdades lúcidas. 

Embriagando o espectador em virtude de versos pronunciados de maneira despropositadamente provocante por meio de seu aspecto sussurrante, Run Away, quanto mais evolui a sua narrativa lírico-instrumental, mais mostra que a morfina é parte integrante de sua proposta de experiência sensorial. Nesse mesmo caminho, é possível elucidar o mergulho estrutural da obra na temática do post-rock. Afinal, eis aqui um produto que presa pela textura e pelo sentimentalismo em sua forma mais pura e verdadeira. Tudo isso vivenciado por meio de uma contagiante vivência de expansão. Expansão do consciente e, também, do inconsciente. Um mundo em que a intensidade pode ser adquirida inclusive com flertes psicoativos.

Mais informações:

YouTube: https://www.youtube.com/@pastalboy

Soundcloud: https://soundcloud.com/pastal

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