Desde seu início imediato, a composição já é capaz de levar o ouvinte a um universo estruturalmente misto. Afinal, ao mesmo tempo em que se tem a perfeita noção de estar presenciando o nascimento de uma composição flertante com o rock, se percebe, inclusive, que, diante da paisagem sônica que se forma, existem ligeiras pitadas de new wave ofertadas por uma sonoridade de identidade puramente sintética.
É então que, vindo de um horizonte não muito distante, o sonar excêntrico e deliciosamente adocicado de mesclas ácidas do hammond de Jeff Levine mostra a imersão da composição, agora mais precisamente, na seara do blues. Adquirindo vivacidade e um quê solar que lhe atribui uma capacidade de atração irresistível, a canção acaba, inclusive, mergulhando na experimentação de uma sensualidade equilibrada e singela.
Nesse ínterim, o escopo instrumental se completa com a presença de pulsos sincopados do teclado, permeando, com sua harmonia delicada, a base melódica, além da presença de uma guitarra que, com seu riff aveludado levemente distorcido fornecido por Robert Allen, fortalece a sensibilidade sônica em relação ao blues como a base da estrutura melódica. Delicada, amaciada e sincopada, a faixa passa a se movimentar perante uma ambiência mais controlada no instante em que o enredo lírico se inicia.
Vivenciado por um timbre masculino de natureza intermediária de posse também de Allen, o viés verbal auxilia o escopo conjuntural da obra no que tange o oferecimento de mais um elemento capaz de trazer as noções de movimento e fluidez ao centro da estrutura rítmico-melódica. Promovendo, a partir daí, uma experiência sensorial fresca e swingada, a arquitetura conjuntural da obra é feliz ao contagiar o ouvinte de forma orgânica e sincera.

Mesmo que a bateria de Steve Holley mantenha a mesma estrutura, o que lhe configura uma paisagem rítmica linear, ela esbanja precisão e consistência, o que, invariavelmente, contribui para que a canção tenha uma sonoridade de estrutura firme, mas sem interferir na tradicional leveza do blues. Para deixar a canção ainda mais completa e com mais qualidade, Michele Weir divide o microfone com Allen no simples intuito de dar, ao escopo lírico, um toque extra de harmonia.
Com, influências até mesmo do boogie woogie sendo notadas perante a paisagem sônica, a composição, sem dúvida alguma, se apropria de toda a paisagem country e sertaneja de forma a trazer diversos ecossistemas desse mesmo mundo. Contando agora com o recém-citado boogie woogie, Somebody’s Always Doin’ Something 2 Somebody tem, em sua receita, o blues e o aroma inconfundivelmente folk. Se embriagar com tanta beleza, mas também com uma simplicidade irreverente, é algo que ocorrerá com todo e qualquer ouvinte que se aventurar pela audição da faixa. Inevitavelmente.
Mais informações:
YouTube: https://www.youtube.com/@DowntownMystic1
Site Oficial: https://downtownmystic.net
Facebook: https://www.facebook.com/DTMystic
Twitter: https://x.com/dtmysticband
Soundcloud: https://soundcloud.com/shalaman
YouTube: https://www.youtube.com/DowntownMystic1
Instagram: https://www.instagram.com/downtownmystic33/