Devido ao momento que estamos atravessando, eu, Helton Grunge, decidi criar este quadro de matérias chamado 40 de Quarentena. O quadro consiste em 40 dicas de álbuns para se ouvir durante essa crise de saúde que estamos enfrentando no mundo. Uma vez que tudo está limitado e que temos que ficar o máximo possível em casa, vou sugerir 40 álbuns muito bons para que você ouça e lhe ajude a passar por este tempo de crise.

A ideia é fugir das obviedades e falar de bandas que merecem ter seu trabalho em álbum conhecido, tal sua qualidade. Não preciso aqui “chover no molhado” e apresentar álbuns clássicos, até porque sua importância na música já é clara e certamente influenciou vários trabalhos. Os álbuns não necessariamente serão da cena underground, muitas vezes serão também de bandas que já se ouviu falar, mas não se ouviu um trabalho completo dela: vale a pena conferir a matéria e conhecer os trabalhos.

O álbum de hoje é Highly Envolved (2002) da banda chamada The Vines.

The Vines é uma banda de Rock Alternativo/Rock Psicodélico formada na Austrália em 1994 por amigos que se conheceram na época de adolescente, mas que sempre amaram música e decidiram criar sua própria banda.

A sonoridade da banda consegue juntar estilos que, geralmente, não se apresentam num mesmo trabalho, fazendo com que a banda tenha toda a acidez e agressividade do Rock Alternativo unido à psicodelia e toda a “viagem” proposta pelas músicas de Rock Psicodélico.

Highly Envolved (2002) é o álbum de estreia da banda e fez com que seu nome fosse colocado no mapa logo de início, tendo vendido milhões de cópias e atingido níveis não esperados pela própria banda em tão pouco tempo e nem pela gravadora.

Neste álbum vemos algumas faixas sendo apresentadas com toda a acidez de uma banda focada em um trabalho de Rock Alternativo, cheia de raiva e de intensidade; mas sem deixar de aparecer as baladas mais psicodélicas, trazendo uma calmaria e uma viagem ao ouvinte do trabalho.

A banda, apesar de alcançar o mainstream já no primeiro trabalho, não conseguiu se manter lá por muito tempo. Com as boas vendas do primeiro trabalho, logo a gravadora insistiu que um segundo álbum fosse lançado o quanto antes. E depois de um sucesso grande no primeiro trabalho, todos pensavam que o segundo seria tão bom quanto. Porém a mídia não recebeu muito bem o álbum e falou muito mal do trabalho, fazendo com que a banda amargurasse críticas ferrenhas.

Como se já não fosse ruim o bastante, o vocalista e guitarrista Craig Nicholls foi diagnosticado com Síndrome de Aspenger, o que fez com que a banda cancelasse turnês e shows. A tal síndrome causa problemas de convivência e faz com que Craig não consiga se controlar em algumas situações, o que levou-o a ter sérios problemas com a justiça por se meter em várias brigas. Tornando-se uma pessoa cada vez mais difícil de se lidar, o trabalho da banda começou a ser tornar complicado, mesmo assim seguiram lançando álbuns. Mas, mesmo que lançassem outros trabalhos, optaram por não fazer turnês e sim apenas alguns shows isolados e de vez em quando.

Mas, voltando ao álbum Highly Envolved (2002), podemos dizer que o trabalho é uma grata surpresa. A banda era chamada de “filhos do Nirvana”, tal forte era a influência do trabalho agressivo e angustiante que os músicos produziam, mas também eram conhecidos como “netos dos Beatles” uma vez que sua sonoridade psicodélica se assemelhava muito aos trabalhos da banda de Liverpool quando exploraram esta sonoridade. E, para uma banda jovem ser chamada assim já no primeiro álbum, é porque eles realmente tinham um bom trabalho nas mãos.

Confira abaixo a tracklist do álbum Highly Envolved (2002).

01. Highly Envolved
02. Autumn Shade
03. Outtathaway
04. Sushinin
05. Homesick
06. Get Free
07. Country Yard
08. Factory
09. In The Jungle
10. Mary Jane
11. Ain’t No Room
12. 1969

Chegou aquela hora onde eu indico minhas faixas preferidas do trabalho. Apesar de ser um álbum que trabalha com duas vertentes diferentes de forma bem interessante, a que me chama mais a atenção é a parte mais voltada para o Rock Alternativo; sendo assim, destaco as faixas Highly Envolved, Get Free, Ain’t No Room e 1969.

A faixa de abertura já mostra o lado do Rock Alternativo da banda, muito influenciado pelas músicas do Punk Rock: direta, curta e certeira. Get Free é o maior sucesso da banda e explana o ápice da raiva sendo colocada diante dos instrumentos e do microfone, sendo o ápice da loucura e da expressão musical da banda nessa vibe. Ain’t No Room também preza pelo Rock Alternativo começando com um belo riff contagiante e com aquela robotização da voz, marcante em várias bandas dos anos 2000; a faixa tem ótima levada e bons arranjos de voz, além da melodia contagiante. Já a última faixa, 1969, consegue condensar em uma só música as duas vertentes: a psicodelia do Rock Psicodélico sessentista e setentista e a agressividade do Rock Alternativo oitentista e noventista, tudo em mais de 6 minutos de uma ótima faixa de encerramento; assim, a banda deixa registrada em uma só música qual é a proposta de seu álbum de estreia e como eles gostariam de impactar o público.

Destaco a voz agressiva e envolvente de Craig Nicholls durante todo o trabalho, pois ele sabe como chamar a atenção do público para o que pretende fazer: seja calmaria psicodélica, seja agressividade. Achei muito interessantes também as linhas de baixo de Patrick Mathews; elas não chegam a ser complexas ou muito bem trabalhadas, mas são certeiras e preenchem bem a música dentro daquilo que a banda propões, principalmente nas faixas mais voltadas ao Rock Alternativo.  

A formação da banda The Vines no álbum Highly Envolved (2002) contou com Craig Nicholls na voz, na guitarra e no (piano na faixa Homesick); Patrick Mathews no baixo (piano em Mary Jane, Autumn Shade e Factory); Dave Oliffe na bateria nas faixas Higly Envolved, Autumn Shade, Outtathaway, Radiante, Homesick, Country Yard, Mary Jane e 1969; Victor Indrizzo na bateria em In the Jungle; Joey Wakonker na bateria em Get Free.

Então escolha seu melhor fone, escolha sua plataforma de streaming preferida e aproveite este tempo de crise social para ouvir bons trabalhos musicais. A dica de hoje foi Highly Envolved (2002) da banda brasileira de Rock Alternativo chamada The Vines, mas todo dia teremos novas dicas aqui com um breve resumo e breve opinião minha sobre o trabalho. Espero que a dica seja interessante e que usem este tempo difícil a seu favor, cuidando-se e cuidando das pessoas ao redor; mas sem deixar de conhecer ótimos trabalhos musicais que talvez você não teve tempo para ouvir.

Ouviu o trabalho? Deixe seu comentário abaixo, vamos conversar sobre. Caso vá ouvir após ler a matéria, volte para dizer o que achou e se a dica valeu a pena.

Fique ligado porque em breve tem mais! Sucesso e se cuidem, porque tempos melhores virão!