Roadie Metal Cronologia: Uriah Heep – Return to Fantasy (1975)

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Hoje no Roadie Metal Cronologia me deparo com uma das bandas que mais tem álbuns na história, o Uriah Heep, sendo o álbum “Return to Fantasy” o 8º dos 25 de sua discografia.

O disco tem 3 versões, na verdade: a original, de 1975, contendo 9 faixas; a versão “Essential”, que contém 13 faixas; e a versão “Sanctuary Midline”, que contém 16 faixas. Como a ideia do cronologia é trabalhar os lançamentos originais e seu impacto na época de lançamento, farei o review baseado na versão original, de 1975. Disponibilizarei, porém, o tracklist de todas as versões no final desta postagem.

O álbum “Return to Fantasy” é surpreendentemente o 8º disco de uma banda que tinha, até então, 6 anos de banda, mostrando o tamanho da criatividade dos mesmos. Este foi também o segundo álbum com o baixista John Wetton. Segundo review da AllMusic, este álbum mantém a experimentação dos anteriores, mas tem uma pegada hard rock que o torna mais consistente que esses. Veremos então do que se trata.

Capa do álbum “Return to Fantasy” do Uriah Heep.

O álbum se inicia de maneira bem direta, sendo a primeira faixa, a faixa-título “Return to Fantasy”. Somos apresentados ao álbum com uma intro à-lá The Beatles, com um sintetizador acompanhando tendo protagonismo, enquanto as guitarras, bateria e baixo o acompanham. Em seguida inicia-se uma espécie de cavalgada (bateria popularizada pelo Iron Maiden) e o vocal entra direto. A faixa realmente dá uma sensação de fantasia, principalmente com seu refrão onde temos um órgão e junto ainda um coro no fundo. Parece realmente que essa seria a sonoridade dos Beatles na época de “Yellow Submarine”, se fossem apresentados a alguns elementos do prog. A música realmente não muda muito em seus 5:51 de duração, mas é uma faixa bem composta. As frases de sintetizador com uma sonoridade meio alien são bem interessantes, e ajudam mais ainda a criar a atmosfera de fantasia da música ( e do álbum).
A faixa seguinte, “Shady Lady”, é na verdade bem diferente da anterior. É uma faixa bem puxada para o rock setentista, bem linear, com um riff bem simples e padrão. Temos um pulo bem surpreendente de estilos entre as duas músicas.
Em seguida temos “Devil’s Daughter”, que tem uma introdução que parece ter saído de um álbum do Rush. É uma faixa bem padrão do rock progressivo dos anos 70. Mais uma vez, tivemos um grande pulo de estilo, largando a linearidade da faixa anterior por uma rítmica bem quebrada. Aqui, mais uma vez, o teclado ganha um grande destaque ( o que faz mais ainda lembrar o Rush). Gostaria de destacar o uso do Vocoder (pelo menos parece) no solo de teclado desta música. É um tipo de sintetizador muito interessante, porém pouco explorado.
A quarta faixa, que encerra o lado A do disco, é “Beautiful Dream”, começa novamente com os teclados em protagonismo, mas dessa vez temos mais uma vez uma sonoridade hard rock, inclusive com uso de vocais extremamente agudos e gritados. No refrão temos uma mudança um tanto surpreendente de vibe, para um refrão bem parado e calmo em contraposição com o resto da música que é um tanto rápido. É uma música um tanto estranha, devo admitir.
Começando o lado B, temos o primeiro single do álbum, “Prima Donna”, que novamente muda completamente de estilo. A música é um country rock bem Western, inclusive com um piano que dá uma pegada bem “música de Saloon“. É uma música bem animada, mas que, como single, não sei se é uma boa escolha, visto que não tem nada a ver com outras músicas do álbum.
Após ela, vem “Your Turn to Remember”, que é um blues-rock, com a levada clássica de guitarra de blues, e o órgão criando uma ambientação no fundo. É uma música bem previsível, sem grandes surpresas, porém bem agradável de ouvir. Enquanto a anterior tocaria num Saloon lotado, esta tocaria no final, quando sobraram poucos no bar, já muito bêbados, encostados no balcão do bar ou dormindo em alguma mesa.
“Showdown” é a música mais rápida e animada do álbum. O uso do slide na guitarra solo traz uma sonoridade bem interessante à música. O ritmo constante da bateria faz a música ter uma grande energia que te impede de ficar parado. Nesta música, como em muitas outras, o trabalho dos backing vocals, apesar de simples, é muito bem feito e ajuda a dar outra cara à música.
A penúltima faixa, “Why Did You Go” é a balada do álbum. Começando somente com os vocais de David Byron isolados, a música já mostra o seu sentimento melancólico desde o início. Depois quando entram os instrumentos, com uma guitarra limpa e um slide e um violão, as expectativas sobre a música são mantidas.
Para finalizar, temos “A Year or a Day”, uma faixa com uma vibe bem parecida com “Return to Fantasy”. É uma faixa bem atmosférica, lembrando um pouco algumas músicas mais rápidas do Pink Floyd em alguns momentos. Porém, novamente, nada de tão surpreendente.

Em geral, “Return to Fantasy” é um álbum muito bem composto e muito bem executado, com destaque para David Byron e seus vocais extremamente versáteis, e Ken Hensley, tecladista que dá um toque diferenciado a muitas das composições.
A crítica ao álbum é, na verdade, que ele é muito diversificado. As músicas entre si são muito diferentes. Isso tem pontos bons, obviamente, como por exemplo o fato de que pode agradar um público maior com cada faixa individual. Para bandas iniciantes, por exemplo, é esperado um álbum que misture várias influências, pois ainda não criaram sua identidade. Para bandas muito antigas também, o álbum pode servir como um compilado de estilos pelos quais a banda passou com o tempo. No entanto, para uma banda que já tinha 6 anos e estava no 8º álbum, não havia muito espaço para isso. E ainda tem um agravante, em nenhum dos estilos a banda traz alguma inovação, algo que realmente faça uma pessoa dizer “isso é Uriah Heep“. A banda meio que só faz mais do mesmo e mistura muitos estilos.
A escolha de singles também não me agradou. O primeiro single, “Prima Donna”, é uma música que não tem nada a ver com o álbum, enquanto o segundo, “Return to Fantasy” se assemelha a algumas músicas, mas não completamente. A ideia de um single é que ele mostre o que há de se esperar do álbum que virá (pelo menos era, numa época sem mercado digital). Tendo dois singles extremamente diferentes entre si e que também não resumem a obra do álbum, a utilidade do single deixa de existir.
Eu recomendo ouvir o álbum, mas não espere nada além do que já se tinha nos anos 70, nem um álbum coeso. Simplesmente ouça cada música como uma peça separada.

Faixas:
Lado A
1 – Return to Fantasy
2 – Shady Lady
3 – Devil’s Daughter
4 – Beautiful Dream
Lado B
5 – Prima Donna
6 – Your Turn to Remember
7 – Showdown
8 – Why Did You Go
9 – A Year or a Day
Essential Edition
10 – Shout It Out
11 – The Time Will Come
12 – Beautiful Dream (unreleased version)
13 – Return to Fantasy (edited version)
Sanctuary Midline Edition
10 – Shout It Out
11 – The Time Will Come
12 – Prima Donna (alternate demo)
13 – Why Did You Go (alternate demo)
14 – Showdown (alternate demo)
15 – Beautiful Dream (alternate demo)
16 – Return to Fantasy (versão extendida)

Banda:
David Byron – Vocais
Mick Box – Guitarra
Ken Hensley – Teclado, guitarra, sintetizador e vocais
John Wetton – Baixo, Mellotron e vocais
Lee Kerslake – Bateria, percussão e vocais

Equipe adicional:
Gerry Bron – Produtor
Peter Gallen – Engenheiro
Dave Burns, Dave Harris – Engenheiros assistentes
Harry Moss – Masterização (EMI Abbey Road Studios)
Dave Field – Ilustração
Joe Gaffney – Fotografia

“Prima Donna”, primeiro single do álbum “Return to Fantasy”

Nota 7/10