Roadie Metal Cronologia: Symphony X – V: The New Mythology Suite (2000)

by Bruno Rocha

Michael Romeo é uma espécie de Yngwie Malmsteen melhorado. Certo que o influente guitarrista sueco encantou grande parte dos guitarristas do mundo nos anos 80 com seu virtuosismo, velocidade absurda e solos calcados nas estruturas da música clássica, sendo assim um dos pioneiros do chamado Metal Neo-Clássico. Contudo, há anos Malmsteen se mantém preso a fórmula que ele mesmo criou e não mostra mais nenhum interesse em se reinventar e tentar coisas imprevisíveis.

O guitarrista e líder do Symphony X é justamente o contrário. Sua influência básica é exatamente Yngwie Malmsteen. Mas Romeo não fica limitado aos solos neo-clássicos e sua música não fica restrita aos infinitos duelos guitarra X teclado, típicos de seu mentor intelectual. O Symphony X surgiu para ser na prática o trabalho-solo de Romeo, mas com o passar dos anos a banda evoluir para ser realmente UMA BANDA, onde cada integrante compõe e mostra seus talentos e predicados. E tanto que atualmente, quando se fala em Symphony X, o primeiro integrante que vem a cabeça não é o chefe Michael Romeo, mas sim Russel Allen, que é considerado um dos melhores cantores da atualidade.

A virada do milênio anterior para o corrente marcou um importante passo na evolução da banda Symphony X, pois aconteceu no ano 2000 o lançamento de V: The New Mythology Suite, o quinto álbum de estúdio do grupo. Lançado pela InsideOut Music e pela Metal Blade Records, V é o álbum que consagra vários elementos definitivos da sonoridade do Symphony X para os anos seguintes, os quais ajudariam a fincar o nome do grupo dentre os gigantes do Metal Progressivo. V também é lembrado por ser o primeiro álbum a ter o baixista Mike LePond e por ser o retorno do baterista Jason Rullo, fechando assim a formação mais longeva da história da banda e que permanece até hoje junto aos já citados Michael Romeo, Russel Allen e o tecladista de longa data Michael Pinella.

V: The New Mythology Suite é o primeiro álbum conceitual do Symphony X. Seu conteúdo lírico é uma história original que mistura elementos da lenda de Atlântida, da mitologia egípcia e de astrologia. Musicalmente, V é uma verdadeira salada musical, variada mas ao mesmo tempo consistente e robusta. As guitarras de Romeo apresentam um timbre gordo e pesado, remetendo ao Thrash Metal nos momentos mais agressivos, mas não o sendo em sua essência por conta do forte senso melodioso enriquecido pelos arranjos de teclado e as levadas em pedal duplo de Jason Rullo, de modo que o som Prog do grupo orbita a média aritmética dos dois estilos citados. Sem contar também os arranjos orquestrais, fortemente usados nos interlúdios instrumentais e os elementos de música clássica tanto nas orquestrações quantos nos arranjos e solos de guitarra e teclado. A importância de Michael Pinella é imensa para garantir a consistência das composições do Symphony X, pois o tecladista vai muito além de ser um solista que duela contra Romeo. Pinella é o artista plástico e mágico da banda, pois seus teclados e timbres dão um colorido sortido a cada variação de arranjo, levando o ouvinte a viajar de fato para o Egito e para Atlântida.

Tome como exemplo Communion And The Oracle, uma das mais belas composições da história da banda. Maravilhosa e etérea, ela é conduzida em praticamente todo o seu comprimento pelo mesmo padrão rítmico imposto pela bateria de Jason Rullo, mas o refinado e extremo bom-gosto de Michael Romeo e a já mencionada importância de Michael Pinella dão a esta composição uma beleza e um colorido únicos no âmbito do Heavy Metal. Só isso bastaria, mas lembrar que nos vocais tem ninguém menos que Russel Allen chega a ser de uma impiedade titânica contra qualquer outra banda de Metal. A banda não hesita em explorar contrastes poderosos no percurso do álbum, como mostra The Bird Serpent War / Cataclysm, que surge emendada em Communion And The Oracle, porém com um peso e uma agressividade absurdas.

Evolution (The Grand Design) abre o álbum em grande estilo logo após o orquestral que serve de introdução do álbum, com o Power Metal falando mais alto. Emendada nela, surge Fallen, que ao contrário de sua antecessora, tem na cadência seu trunfo, assim sublinhando os arranjos complexos e cada contribuição individual dos integrantes. Outra música lembrada com muito carinho pelos fãs do Symphony X é Egypt, faixa de nº 8. Transitando de momentos atmosféricos até passagens rápidas, passa-se por uma das melhores performances de Russel Allen em sua carreira (se é que é possível classificar isso). Destaque também para a base de mãos feita pelo baixista Mike LePond sobre a qual Michael Romeo agride sem piedade sua alavanca. Absence Of Light e A Fool’s Paradise funcionam como irmãos gêmeos que não deixam a peteca cair nem o ouvinte se distrair perto do fim do álbum e após vários momentos viajantes. Por falar em viagem, é assim que se pode definir a faixa que encerra os trabalhos, Rediscovery (Part II) – The New Mythology, com seus céleres 12 minutos de pura inspiração e complexidade musical.

Responsáveis por enriquecer ainda mais o andamento do álbum e de dar aquele clima de teatro ao álbum, os interlúdios instrumentais de V são um show à parte (The Death Of Balance – Lacrimosa é um verdadeiro solo de bateria de Jason Rullo). Nelas destacam-se trechos orquestrais, tocados de forma orgânica por pelos Michael’s da banda, Romeo e Pinella.

A capa de V: The New Mythology Suite, uma das mais marcantes da história do grupo, expressa de forma visual a interação Atlântida/Egito que é a abordagem lírica do álbum. Esta capa pode ser interpretada também (modo “teoria da conspiração” ativado) como o amálgama que rege a musicalidade da banda a partir deste trabalho, onde o peso e agressividade dividem espaço com passagens belas e calmas, de modo a formar uma sonoridade única, a sonoridade do Symphony X. Tudo isso seria explorado das mais diversas formas desde então, história essa que tem como um de seus principais capítulos o clássico The Odyssey, lançado em 2002 e cuja análise você lê amanha aqui no Roadie Metal Cronologia.

V: The New Mythology Suite – Symphony X (InsideOut Music, 2000)

Tracklist:
01. Prelude
02. Evolution (The Grand Design)
03. Fallen
04. Transcendence (Segue)
05. Communion And The Oracle
06. The Bird-Serpent War / Cataclysm
07. On The Breath Of Poseidon (Segue)
08. Egypt
09. The Death Of Balance / Lacrimosa
10. Absence Of Light
11. A Fool’s Paradise
12. Rediscovery (Segue)
13. Rediscovery (Part II) – The New Mythology

Line-up:
Russel Allen – vocais
Michael Romeo – guitarras
Michael Pinella – teclados
Mike LePond – contrabaixo
Jason Rullo – bateria

  • 9/10
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9/10

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