Roadie Metal Cronologia: Amorphis – Under The Red Cloud (2015)

by Anderson Frota

Bandas como o Amorphis conseguem estabelecer níveis de excelência e – mais difícil do que isso – permanecer neles. Essa tarefa revela-se mais vitoriosa quando existem mudanças estilísticas no decorrer da carreira. O grupo finlandês surgiu dentro do levante do Death Metal nórdico, mas, mesmo em seus tempos mais furiosos, havia um padrão de composição que foi se desenvolvendo de álbum para álbum, em um processo evolutivo tão bem delineado dentro de sua gradação que não alienou os fãs de primeiro momento. Mesmo a parte gráfica de seus trabalhos seguiu essa diretriz e tornou-se tão elaborada e aprimorada quanto a musicalidade.

Vinte e três anos separam “Under The Red Cloud” do disco de estreia “The Karelian Isthmus”. Nesse intervalo, apenas os guitarristas Tomi Koivusaari e Esa Holopainen permaneceram imutáveis e dividem a composição musical com o tecladista Santeri Kallio, que agrega a formação desde 2001, época do disco “Am Universum”, que também apresentou o baixista Niclas Etelävuori. O baterista original Jan Rechberger se ausentou por um período, mas mantém-se estável desde 2003, e o time torna-se completo com o vocalista Tomi Joutsen, integrado em 2006.

“Under The Red Cloud” é, portanto, o momento final de um período de nove anos sem mudanças, onde seis álbuns foram gerados. Niclas se despediria aqui, para ceder a vaga para o retorno do integrante original, Olli-Pekka Lainea. Podemos, então, interpretar que o Amorphis que criou este disco era um grupo forte, em coesão e entrosamento, e que esse entrosamento não sofrerá lapso de continuidade após a mais recente mudança.

Observando as partes envolvidas, parecia ser apenas uma questão de tempo até que os caminhos do Amorphis se cruzassem com os do produtor Jens Bogren. O homem que já conduziu gravações de Opeth, Symphony X, Amon Amarth, Kreator, Paradise Lost, Angra, Moonspell, Sepultura e Orphaned Land não poderia omitir os finlandeses de seu currículo. O resultado chega até a ser previsível. O disco é alto, pesado, suave, cristalino e variado, tramitando por tantos subestilos que não nos permite definir a sua música com a utilização de poucas palavras. Progressive Metal – compreendido em sua forma mais abrangente – finda por ser a melhor nomenclatura.

E é a que melhor representa a faixa de abertura, que dá nome ao álbum. Começando com uma melodia de teclado, o peso e a intensidade vão sendo incorporados aos poucos e a canção flui de uma forma que você mal percebe as transições entre os vocais limpos e guturais de Joutsen. “The Four Wise Ones” faz o caminho contrário, iniciando mais agressiva e diminuindo o andamento, mas mantendo o rigor da parte vocal. Os dois convidados, a vocalista Aleah Stanbridge, do Trees of Eternity, e o flautista Chrigel Glanzmann, do Eluveitie, fazem suas primeiras participações aqui nessa canção.

“The Skull” é um dos momentos mais fortes da audição, com momentos de Death Metal melódico preenchido por riffs de inspiração oriental e passagens instrumentais suaves em seu trecho intermediário. O clima oriental resurge logo nas primeiras notas de “Death Of A King”, valorizada pelo solo inspirado de Holopainen, e permanece evidente em “Enemy At The Gates”, preparando o disco para os seus momentos finais.

Esta última faixa nos envolve dentro de uma aura de lisergia opiácea, com os sentimentos de perigo e mistério de um acampamento beduíno. Apesar dessas características apontadas nas canções anteriores, o andamento de Folk Metal é mais traduzido na melodia de “Tree Of Ages” e a flauta de Glanzmann ganha mais projeção dentro do arranjo. A última música é “White Night”, onde as partes instrumentais replicam as variações existentes entre a doçura da voz de Aleah e a brutalidade de Joutsen. Há um clima de melancolia em seu andamento e essa sensação é intensificada ao sabermos que a cantora nos deixou tão prematuramente, tendo falecido em 2016.

“Under The Red Cloud” é um trabalho elevado. Não se trata de dizer que seja o melhor disco do Amorphis ou colocá-lo dentro de um ranking em sua discografia. A obra da banda encontrou um patamar onde vários álbuns podem ocupar essa posição ao mesmo tempo, ou entrarem em um rodízio de preferências, de acordo com o humor do ouvinte. Alcançar seu próprio auge repetidas vezes é mais válido do que já ter passado por ele uma vez e não retornar, vendo o tempo prolongar a distância entre as fases.

Formação

Tomi Joutsen – vocal

Esa Holopainen – guitarra

Tomi Koivusaari – guitarra

Niclas Etelävuori – baixo

Santeri Kallio – teclado

Jan Rechberger – bateria

Músicas

01 Under the Red Cloud

02 The Four Wise Ones

03 Bad Blood

04 The Skull

05 Death of a King

06 Sacrifice

07 Dark Path

08 Enemy at the Gates

09 Tree of Ages

10 White Night

9/10

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