Resenha: Soul Inside – No More Silence (2016)

by Anderson Frota

Dentro dessa miríade de subdivisões que partem da árvore chamada Heavy Metal, o Thrash e o Death são dois dos principais troncos, nascidos quase que simultaneamente e responsáveis, cada um, por uma infinidade de outros ramos.

Era natural que, em algum momento, esses dois gêneros, em suas formas mais puras, se entrelaçassem e gerassem um amálgama perfeito. Duas vertentes extremas que, juntas, mantém suas características básicas e se beneficiam do que podem absorver uma da outra. As bandas que abraçam essa fusão têm apresentado alguns dos melhores trabalhos de tempos mais recentes.

O Soul Inside, banda da cidade mineira de Lavras, que tem a estratégica vantagem de estar situada nas proximidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, navega nessa linha, efetuando uma música forte e moderna, sem resquícios de fórmulas saturadas dos subestilos que aborda. Em termos de referência, sua pegada remete ao Death Metal das bandas inglesas do começo dos anos noventa, sendo o Benediction o nome que mais facilmente poderíamos associar.

Tendo à frente o baixista e vocalista Bruno de Carvalho, o grupo lançou o seu primeiro álbum, “No More Silence” em 2016, onde apresenta oito faixas com qualidade e diversidade de conteúdo lírico, indo desde a manipulação religiosa até o mundo dos pesadelos, desde a revolta urbana até os malefícios das mentiras. A primeira faixa, “Child Of War”, sobre a criança nascida no campo de batalha, a quem a infância foi negada, já apresenta de imediato muito do que iremos encontrar ao longo de todo o disco e, necessário dizer, um pequeno detalhe que precisa ser melhor trabalhado.

A gravação está um primor, com tudo bem alto. A bateria de Renan Seabra surge bem evidente, com batidas firmes, dividindo a atenção com as guitarras de Beto Siqueira e Eduardo Petrini, em uma musicalidade de ritmo duro e forte, sobre a qual cai adequadamente o vocal gutural de Bruno de Carvalho, que não se furta de utilizar tons mais rasgados quando necessário. Chama atenção a qualidade das composições e a maneira natural como a banda flui sobre as mudanças de riffs ou de andamento, transitando de uma pra outra com extrema facilidade. Da mesma forma, é a inserção dos solos de Eduardo Petrini, encaixados em momentos específicos das músicas, deixando os arranjos mais ágeis e dinâmicos, pondo de lado a saturada prática de separar um momento delimitado para o solo.

Essas são características que serão percebidas em toda a audição, com músicas como “Again The Nightmare” se destacando com o seu riff marcante, ou em “Life Of Lies” com sua bem amarrada sequência final. E é justamente em finais que a banda tem pecado um pouco. Eu não sou muito fã de fades out, mas o da primeira faixas, “Child Of War”, é muito súbito. E assim tem sido com outras das músicas, que terminam muito abruptamente, como também podemos perceber em “The Killer Inside”. O encerramento das canções é uma parte tão essencial da composição quanto sua introdução ou seu desenvolvimento, mas isso, é claro, embora possa ser revisto, é um detalhe que não irá impactar na fruição do álbum, que, repita-se, é de excelência acima da média e deve ser conhecido por quem quer que esteja procurando música pesada de verdade, sem concessões, sem hesitações.

  • 9/10
    - 9.0/10
9/10

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