Resenha: Mister Misery – Unalive (2019)

by Giovani R. Turazi
Mister Misery

“Maybe, yeah maybe we are not afraid
(We are not afraid)
You can always try to bury us
We’re gonna make it, make it, make it”

NR: trecho lírico extraído da música Alive.

Sobrevivendo em meio aos escombros de entulho e rejeitos, em uma vida miserável regada a drogas, abandono, pobreza, prisão e morte, eis que estes seres renascem superando todas as adversidades que a vida lhes impôs, tornando-se assim novas criaturas: surge o MISTER MISERY! A banda é um quarteto formado na cidade de Estocolmo/Suécia, fundado em fevereiro de 2018 por Harley Vendetta (Vocal e Guitarra) e Alex Nine (Guitarra). Estes “seres trevosos” conseguiram não apenas criar um hype na comunidade do underground metal, mas também chamaram a atenção de Markus Staiger, renomado fundador da maior gravadora da cena metálica mundial da atualidade: Nuclear Blast / Arising Empire. Os caras assinaram contrato com a Arising Empire em 2019, empresa responsável pelo lançamento de seu bem recebido álbum de estréia “Unalive”(lançado oficialmente em 04 de Outubro). Além disso, o MISTER MISERY também firmou com a empresa de booking Contra Promotion (a qual já promoveu bandas como NIGHTWISH, ANTHRAX, THE 69 EYES entre outras). Em fevereiro de 2020 iniciaram a Unalive Tour, que se deu basicamente em solo europeu, contudo, já registram presença nas próximas edições dos monstruosos festivais WOA (Wacken Open Air) e Monsters of Rock!

Com guitarras carregadas de energia e vocais ora melodiosos, ora rasgantes, o MISTER MISERY consegue capturar a atenção do ouvinte da primeira à última faixa do disco. Autointitulados como uma banda de Melodic Hardrock/Gothic Glam, as músicas apresentam uma mistura de riffs que remetem à bandas clássicas dos anos 80, com um tempero de modernidade. A temática das letras é obscura, uma vez que reflete as emoções e lutas da jornada dos quatro membros diante de uma vida de densa pobreza, muito embora eles tenham conseguido transformar essa miséria em algo inspirador, se levantar do chão, limpar a sujeira e dar vida ao que agora chamam de MISTER MISERY. Por outro lado, o clima musical é um tanto “alegre”, algo como se a Família Addams resolvesse tocar Metal.

A capa e o material gráfico são fabulosos, enchem os olhos de quem se apetece por arte gótica vampiresca. O título do álbum foi inspirado pelo visual vampírico dos mortos-vivos e é a maneira deles se retratarem visualmente como era para eles estarem metaforicamente mortos por dentro.

Apertando o play, eis que surge uma abertura de um sampler melancólico (fato que muito me agrada) que é logo engolido por vocais rasgados de H. Vendetta. Nos primeiros segundos de audição é possível identificar perfeitamente o que teremos até o final da audição: uma mistura de melodias pegajosas, refrões que colam na mente e de imediato são memorizados. A harmonia criada por alguns backs vocais é realmente empolgante, criando uma aconchegante ambientação para o ouvinte.

You and I consegue uma amplitude ainda maior que sua antecessora no quesito mistura de peso, vocais rasgados e melodia. Aposto que o refrão meloso dela vai colar na sua mente de primeira. O solo dessa música é rápido e ríspido, até com características de Thrash Metal. Tell me How vem com a mesma proposta, apenas com um pouco mais de cadencia que a antecessora. Já My Ghost dá uma quebrada repentina, com um ar “fantasmagórico” na melodia, e os versos expressados como se fosse uma conversa. O refrão considero um dos melhores da obra, impossível não cantarolar os “lalalalalalala”.

O peso das guitarras volta com Legion, que se mostra uma verdadeira “Máquina de Guerra” no miolo do disco.O trabalho de baterias dessa música merece um destaque especial. O solo que acompanha é muito bem elaborado e clean (ao meu ver o mais forte do disco). As cantarolas retornam mais uma vez em Dead Valentine, que se aproxima com My Ghost em sua proposta. Mais uma faixa não substitui nem subestima a outra – ambas tem seu espaço no conjunto da obra. Uma das faixas que mais me agradou é a seguinte, Alive, por incrementar uma receita básica de alternância de estados na música, ora agressiva, ora calmaria, ocasionando sentimentos diferentes em uma mesma faixa. A bateria no refrão também cria a densidade necessária para a apreciação do belo solo de Alex Nine.

Rebels Calling faz uma nova mudança, apresentando uma mistura rítmica bem “desprendida” das demais faixas. Lembra um pouco o Hollywood Undead, se eles fossem uma banda de Metal. Se apossando de inspirações Power Metal, Stronger também consegue surpreender, mesmo sendo a penúltima faixa. As guitarras desta canção são carregadas de melodias belas, que remetem à memória de várias bandas do estilo mencionado. Para fechar, Live While You Can, acompanha sua antecessora, trazendo uma reprodução muito a’la Avenged Sevenfold. O solo merece atenção, pois ali se percebe toda a habilidade dos dois guitarristas em conjunto.

Unalive é um daqueles álbuns que você pode dar o play e passar o dia todo ouvindo, sem se preocupar em pular faixas, ou mesmo, perceber que já girou o disco. Não é um trabalho excepcionalmente inovador, algo realmente inédito no mundo do Metal, mas tampouco se encaixa no tão batido “mais do mesmo”. Considero que o MISTER MISERY conseguiu identificar sua personalidade com maestria, criando para si um nicho bem distinto dentro de tantos segmentos que encontramos na atualidade. Penso ser este, na verdade, o melhor caminho a ser seguido por bandas desta nova geração: capturar o melhor de suas influências e misturar às suas ideias originais, criando assim algo novo, mesmo que não inédito.

Como expressado acima, este redator não conseguiu apontar destaques no disco, sendo que TODAS as canções merecem igual atenção vez que sua sucessão consegue imprimir uma ambientação bem agradável à audição. Importante destacar que quatro delas já receberam tratamento visual, com um investimento considerável de alguns milhares de dólares. São elas My Ghost, The Blood Waltz, Tell me How e Alive.

Mister Misery – Unalive
Data de lançamento: 04 de outubro de 2019
Gravadora: Arising Empire/Shinigami Records

Tracklist:
01. The Blood Waltz
02. You and I
03. Tell Me How
04. My Ghost
05. Legion
06. Dead Valentine
07. Alive
08. Rebels Calling
09. Stronger
10. Live While You Can

Mister Misery é:
Harley Vendetta (vocal/guitarra)
Alex Nine (guitarra)
Eddie Crow (baixo)
Rizzy (bateria)

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  • 9/10
    Mister Misery – Unalive (2019) - 9/10
9/10

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