Resenha: Me And That Man – New Man, New Songs, Same Shit, vol. 1 (2020)

by Marcos Gonçalves

Ao saber das raízes do vocalista Adam Michał Darski, mais conhecido como Nergal, vocalista do Behemoth, é improvável conciliar esse projeto que mistura Blues, Country e Black Metal, bom, talvez sim pelo último, mas mesmo assim, o Me And That Man não se parece nada com o Behemoth, ou com qualquer outro projeto já feito pelo vocalista.

Com um tipo de música no mínimo curiosa, o projeto paralelo mostra composições bastantes ricas inspiradas pelo Folk e Blues, com as letras ácidas e blasfêmias que só Nergal sabe apresentar.

Agora, em 2020, o projeto entrega o seu segundo álbum, “New Man, New Songs, Same Shit, Vol. 1“, com uma pegada mais dinâmica, onde as faixas não ficam presas a um só estilo. Aqui você encontra desde música folk falando do Diabo, passando por uma faixa melancólica composta em polonês, chegando a uma faixa final, com acordes simples finalizados com blast beats do mais puro Black Metal.

Diferente do primeiro álbum, “Songs Of Love And Death“, onde Nergal se juntou ao músico britânico/polonês John Porter, o segundo álbum vem com vários convidados mais do que especiais, que vão desde o vocalista do Emperor, Ihsahn, passando por Nicke Anderson do Entombed, Johanna Sadonis do Lucifer, até Corey Taylor (Slipknot), Brent Hinds (Mastodon) e Matt Heafy (Trivium).

Surpreenda-se com as dançantes “Run For The Devil” e “Coming Home“, que abrem o disco. O lado Folk tem destaque com “Burning Churches” e “Deep Down South“, a segunda com grande performance da ótima vocalista Johanna Sadonis do Lucifer. Ainda há a melódica “You Will Be Mine“, com os vocais de Matt Heafy, do Trivium.

O lado melancólico vem com “Męstwo“, a única que é cantada inteiramente por Nergal, em polonês. Também “Man Of The Cross“, com grande performance de Jerome Reuter (Rome) nos vocais. Mas nenhuma das citadas é mais dolorosa que “Confession”, com um coro sombrio acompanhando riffs sutis de guitarra e um violão tímido de fundo. Ao seu final ainda temos blast beats que nos levam ao final do álbum de forma surpreendente.

How Come?” não fecha o álbum, mas é uma obra que merece um destaque a mais. Com Brent Hinds, do Mastodon, nas guitarras e Corey Taylor nos vocais, é um épico de quase 5 minutos que mistura melancolia, solos de guitarra com um feeling altíssimo, e Taylor cantando de uma forma que só ele sabe, deixando sua marca com maestria.

Se você conhece Nergal apenas pelo Behemoth e nunca ouviu este projeto, abra sua mente e ouça sem esperar guturais, riffs pesados e blasfêmias beirando o absurdo, mas sim um som peculiar, que pode surpreender por ser melancólico e agradável ao mesmo tempo. Com certeza o ouvinte tirará algo de bom de sua experiência.

Sabe-se que o Me And That Man abriu portas para que o último álbum do Behemoth fosse mais dinâmico e aberto a ideias, se o vocalista seguir por essa trilha, é indubitável que ano que vem deve vir coisa boa por aí.

Me And That ManNew Man, New Songs, Same Shit, Vol. 1
Data de Lançamento: 27/03/2020
Gravadora: Napalm Records

Tracklist:
01. Run With The Devil (feat. Jørgen Munkeby of SHINING)
02. Coming Home (feat. Siver Høyem of MADRUGADA)
03. Burning Churches (feat. Mat McNerney of GRAVE PLEASURES)
04. By The River (feat. Ihsahn of EMPEROR)
05. Męstwo
06. Surrender (feat. Anders Landelius of DEAD SOUL)
07. Deep Down South (feat. Nicke Anderson of ENTOMBED / Johanna Sadonis of LUCIFER)
08. Man Of The Cross (feat. Jerome Reuter of ROME)
09. You Will Be Mine (feat. Matt Heafy of TRIVIUM)
10. How Come? (feat. Corey Taylor of SLIPKNOT and STONE SOUR) / Brent Hinds of MASTODON)
11. Confession (feat. Niklas Kvarforth of SHINING)

9/10

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