Resenha: Khatryna – Humanimal (2019)

by Julian Barg

O novo álbum do Khatryna, “Humanimal”, é um trabalho que impressiona pela qualidade e pela ferocidade com que as músicas são tocadas. Técnica, precisão, peso sólido e profundidade nos vocais são uma constante.

A faixa “Introdução” dá o tom de expectativa do que está por vir e essa confirmação vem com a música “Escravos”, que já derruba tudo com um começo porrada onde vocais guturais se sobrepõem a riffs lentos e pesadíssimos e uma bateria ultrarrápida. A metralhadora de bumbos tem seu momento no meio pra voltar com temas de guitarra e um diálogo de vozes graves e agudas em um final seco e agressivo.

Na sequência, “Arquitetos da Decadência” confirma o peso e agressividade para logo cair em uma pausa climática que explode em potência com os vocais impressionantes de Murillo Fernando, um break de bumbos e um final “grudado” de batera e guitas finalizando em um decay que chama a próxima faixa, “Interlúdio”, com pianos e choros que preparam para o que vem na continuação.


A faixa-título, “Humanimal”, vem logo em seguida e talvez seja a que menos dá fôlego com bases e vocais em um ataque e velocidades consistentes a maior parte do tempo. Acentuações lentas de guitarra aumentam o peso e preparam para o solo que continua quando as vozes voltam para terminar a faixa com a mesma força do início.

Uma das características do Khatryna é ser eficiente e não preencher lacunas que não precisam ser preenchidas. Tudo que está ali é relevante, sem “enchimentos” para aumentar as músicas nem partes que não tem propósito verdadeiro.

“Abençoados pela Ignorância” apresenta uma “middle section” com uma sonoridade de guitarras que até então não havia aparecido e a banda vai somando possibilidades ao longo do álbum.

Em “Desencarne” os vocais sincronizados com a base criam uma sensação de urgência e a banda vai se encaminhando para um ápice de energia sonora que encontra seu final nos violões de “Morte”, faixa que finaliza o álbum com teclados e intervalos sombrios, perfeitos para que uma única audição do álbum não seja o suficiente. Dá vontade de recomeçar e ouvir tudo de novo.

“Humanimal” é um álbum curto pelas razões certas, não desperdiçando ideias e sem a presença de momentos irrelevantes. Cada nota, cada riff, cada dinâmica está ali porque precisa estar.

Khatryna:

Diego Augusto
Murillo Fernando
Sergio Alves
Rafael Baltazar

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