Resenha: Feuerschwanz – Das Elfte Gebot (2020)

by Renan Soares

Se tem uma coisa que sempre me chama muito a atenção são bandas que conseguem pensar fora da caixa da tradicionalidade do metal, e conseguir fazer um som diferente e bom. Até mesmo porque ver várias bandas novas tocando a mesma coisa que os grupos dos anos 80 tocavam chega a ser cansativo.

Uma banda que conseguiu fazer isso com maestria é o grupo alemão de Folk Metal Feuerschwanz (boa sorte em tentar pronunciar).

O Folk Metal por si só é uma vertente que acaba abrangendo muitos estilos, pois o que define o mesmo é a adição de instrumentos e sonoridades de fora do metal, muitas vezes referentes a cultura local da banda, podendo ser misturado com várias vertentes, do Power até o Death.

No caso do Feuerschanz, as linhas de Folk são mais referentes a música medieval (tanto que a banda se caracteriza dessa forma), misturados com linhas que se aproximam mais do Power Metal em muitos momentos.

E antes da falarmos especificamente do seu novo álbum “Das Elfte Gebot”, lançado na última sexta-feira (26/06), vou citar aqui como foi meu primeiro contato com a banda.

Um amigo meu, que é muito fã da Melissa Bonny (vocalista do Rage of Light) tinha me mostrado um clipe do Feuerschwanz onde a mesma faz participação (falarei da música especificamente daqui a pouco), e quando eu vi a minha primeira reação foi estranheza por conta da excentricidade do grupo, mas pelo som apresentado, eles conseguiram prender a minha atenção.

Sendo assim, decidir conferir o “Das Elfte Gebot”, o qual passarei a falar mais especificamente agora.

Primeiramente, vamos separar bem aqui algumas coisas, pois o álbum se trata de um CD duplo, tendo o primeiro 11 músicas autorais do próprio Feuerschwanz, e o segundo 7 releituras de outras bandas e artistas.

Começando pelo autoral, a banda já começa metendo o pé na porta com a faixa “Meister der Minne”, pegada essa que se mantêm “Metfest”, juntando bem o peso das guitarras e os instrumentos Folks, dando realmente um ar medieval as faixas, o que é auxiliado pelo alemão carregado do grupo.

Na faixa-título do álbum “Das Elfte Gebot”, a banda já parte um pouco para uma linha Pop, sendo praticamente a única faixa de todo álbum a soar dessa forma.

Ao longo de todo o álbum eles mesclam faixas mais pegada com algumas mais cadenciadas, mas nunca partindo para um som mais agressivo, e mantendo o ar medieval.

A faixa “Unter dem Drachenbanner” acabou sendo uma ótima escolha para encerrar a parte autoral do álbum, dando aquele ar de final épico.

Agora falando do disco 2, onde eles apresentam 7 cover, arrisco dizer que esse foi onde eles realmente se destacaram, pois em alguns casos, eles pegaram músicas de fora do Rock e tiveram um bom resultado dando a sua roupagem para a faixa.

No caso das faixas “Hier kommt Alex” (Die Toten Hosen), “Gott mit Uns” (Sabaton), “Amen & Attack” (Powerwolf) e “Engel” (Rammstein), as mesmas já são faixas originalmente do Rock, com isso, não sofreram tantas mudanças, ganhando apenas um adicional Folk. Mas vale destacar que em “Engel”, eles mesclaram a leveza de um canto gregoriano com uma gaita de fole, e o peso das guitarras, que apareceram apenas no meio da faixa.

Já nas “Limit” (Deichkind), “I See Fire” (Ed Sheeran) e “Ding” (Seed), eles conseguiram mudar as músicas completamente adicionando as características da banda. A ”Limit” se trata de uma música de Rap, mas ao ouvir primeiramente a versão do Feuerschwanz, eu podia jurar que se trava de uma música de Metal Industrial alemão (com referências em bandas como Rammstein e Oomph!).

Imagino que a “I See Fire” muito de vocês devem conhecer pela mesma ter sido trilha sonora do segundo filme da trilogia “O Hobbit”, e digo sem medo que a versão deles poderia facilmente a versão do Ed Sheeran nessa trilha, pois a atmosfera combinou muito mais com o universo de “Senhor dos Anéis”.

E para encerrar, vamos falar finalmente da “Ding”, que é a música que contou com a participação de Melissa Bonny (como citei anteriormente). Esse foi outra música que veio do Rap, e você não precisa nem ouvir a versão original para supor isso. A junção da métrica do Rap com o peso das guitarras acabou casando bem, mas o destaque mesmo ficou por conta da participação da Melissa, que conseguiu dar uma energia a mais na faixa, principalmente na parte em que canta gutural.

No mais, digo que o “Das Elfte Gebot” é um ótimo disco principalmente para aqueles headbangers menos tradicionalistas, com grande potencial de garantir uma divertida audição.

Feuerschwanz – Das Elfte Gebot
Gravadora: Napalm Records
Data de lançamento: 26 de junho de 2020

Tracklist

CD 1:

1 Meister der Minne
2 Metfest
3 Das elfte Gebot
4 Kampfzwerg
5 Im Bauch des Wals
6 Mission Eskalation
7 Schildmaid
8 Malleus Maleficarum
9 Lords of Powermet
10 Totentanz
11 Unter dem Drachenbanner

CD 2:

1 Ding (Seed)
2 Hier kommt Alex (Die Toten Hosen)
3 Amen & Attack (Powerwolf)
4 I See Fire (Ed Sheeran)
5 Gott mit Uns (Sabaton)
6 Limit (Deichkind)
7 Engel (Rammstein)

Formação

Hauptmann Feuerschwanz – vocal
Johanna von der Vögelweide – violino
Sir Lanzeflott – bateria
Hans der Aufrechte  – guitarra
Prinz R. Hodenherz III – bandolim e vocal
Jarne Hodinsson – baixo

  • 9.5/10
    Feuerschwanz - Das Elfte Gebot (2020) - 9.5/10
9.5/10

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