Resenha: Black Income – unSOUND (2019)

by Tatianny Ruiz

Eu tenho dito incessantemente sobre a quantidade de novos álbuns que vem sendo lançados atualmente, os três últimos anos tem sido muito produtivos e eu me espanto cada vez mais com o ritmo das coisas. Eu acho que esta tem sido a “nova onda” da década ou um reflexo da facilidade para a produção musical que a tecnologia proporcionou, mas a questão que fica é ‘quantos destes álbuns realmente são bons?’, uma pergunta que se torna cada vez mais difícil de responder se considerarmos que lá fora existem muitos “gostos” diferentes e trabalhos em abundância para agradar a todos. Inevitavelmente eu recebo muitos desses álbuns diariamente, alguns interessantes, outros não muito, mas alguns são realmente surpreendentes, nos mais variados gêneros.

O álbum desta revisão se encaixa exatamente nesta última opção, um álbum que chegou por acaso, de uma banda que eu não conhecia, com um material extremamente bem produzido, e para o meu espanto o papo de hoje é sobre Rock Alternativo pela banda dinamarquesa BLACK INCOME e o novo álbum ‘unSOUND‘ lançado no dia 23 de agosto deste ano pela Tube IT Records.

Já fazia três anos desde que o elogiado álbum de estréia “Noise Pollution” foi lançado e apesar deste delicioso novo trabalho estar em minhas mãos muito antes do lançamento eu admito que ansiava por descobrir como o público reagiria a eles antes que eu pudesse mencionar qualquer coisa. Foi preciso analisar um pouco mais sobre a banda e seu álbum anterior para que eu pudesse entender como esta banda cresceu.

O novo álbum se difunde exatamente onde o primeiro álbum “Noise Pollution” parou, com 9 faixas fortes e bem dinâmicas nas letras e melodias o Black Income se empenhou sobre a qualidade da composição e continua desenvolvendo sua verdadeira identidade em um som único.
unSOUND” é um álbum curioso e possui uma ligação verdadeira com o álbum anterior, com ritmos infecciosos e riffs escaldantes como os singles do último álbum,”Everything” e “My Favorite Gasoline“, e um conteúdo mais dinâmico a acrescentar.
Entre as 9 faixas de ‘unSOUND‘, você encontrará uma grande variedade de linhas do rock alternativo, principalmente ritmos alternados que quebram a sonoridade e torna a audição realmente instigante.
De acordo com a própria banda, este é um álbum com som mais orgânico que seu antecessor mas mantendo a característica marcante destes músicos. Desde 2016, a banda permanecia em turnê com seu último lançamento, tocando em mais de 50 shows e festivais, abrindo para bandas como EXUMER, BULLET, TYGERS OF PAN TANG, etc, sendo elogiados por críticos em todo o mundo, sem mencionar o um milhão de acessos em plataformas de streaming variadas e tudo que eu me pergunto agora é onde eu estava que eu não percebi este sinal no radar? Eu não sei, mas posso afirmar, estes caras vieram pra ficar.
Se não bastasse todos os pontos positivos no currículo em 2017 o baixista vencedor do Grammy Award e amigo de longa data Michael Gersdorff da SUPERFUZZ se juntou à banda e eles não perderam tempo para começar a escrever músicas para o novo álbum.
É seguro dizer que a banda consiste em sua melhor formação agora, e isso brilha não apenas no desempenho excelente em palco mas também com um contexto vigoroso de produção.
Passamos por todos os dados então é hora de falar sobre o conteúdo de unSOUND, partindo de
Did You Know‘ eu sinto um tinto gosto de anos noventa em tempos de Queens of the Stone Age aqui, até mesmo o venenoso modo de pronunciar as palavras, ou eu deveria dizer, isso parece ter vindo diretamente do passado? Sim, porque não seria difícil ver Black Income ao lado deles e Stone Temple Pilots em linhas de programação rolando na extinta MTV. Eu já falei sobre outras bandas que se encaixam nisso aqui e eu admito que estou muito surpresa em ver o gênero ressurgir das cinzas.
Did You Know‘ é uma faixa oscilante deste os primeiros acordes, letra envolvente, um trabalho crocante do baterista Lars e uma atmosfera de mainstream. Eu acho que este é exatamente o tipo de banda que poderíamos esperar estar em ascensão a trinta anos atrás, um divisor entre o Pop e o Grunge, mesmo que muitos insistam em classifica-los como grunge, isto está fora de cogitação para mim, embora ‘Feels Like A Storm‘ tenha uma “rebeldia” evidente.
A maior diferença sentida em unSound é que encontramos uma banda mais madura não apenas musicalmente mas também em temática, você tem uma injeção dolorosa de mais sentimentos aqui e eu tenho certeza que isso vai ressonar na cabeça do ouvinte como uma invasão estranha e um pouco angustiante em vários momentos, algo perto da loucura se considerarmos a pungente ‘Loaded Gun‘ onde Henrik ultrapassa os níveis da dor e emplaca sua voz a altos níveis.

Eu não sei expressar exatamente o tipo de sensação que álbuns como este despertam em mim, veja, os anos noventa foram anos que eu considero como o começo da “depressão coletiva” e isso foi revertido também na música de maneira muito expressiva, acho que posso dizer que ouvir unSOUND me faz sentir muito do mesmo daqueles anos e é espantoso como músicos consigam atingir a mesma “frequência” em 2019 onde o cume da revolta está por todos os lados e a depressão já passou do nível inicial para a loucura constante do novo século. Você vai entender muito bem isso ouvindo ‘The Sun‘ ou ‘Go Quite‘, faixas que parecem ter sido guardadas em uma caixa secreta desde então para escaparem este ano.
Eu não posso dizer que os efeitos sobre os vocais de Henrik e Michael me agradem muito mas eles rebatem com uma ascendente dança entre guitarra e baixo que engrandece a faixa.
Muito do mesmo se repete por todo o álbum, ‘Broken Wings‘ e ‘Something’s Wrong‘ o deixaram com a pulga atrás da orelha sobre muitas coisas se você já passou a muito dos trinta anos como eu mas a sonoridade com certeza irá despertar interesse em quem viveu os anos noventa.
Eu não sei se bandas deste tipo podem atingir o público mais jovem do setor alternativo hoje, principalmente por todas as mudanças que o gênero agregou durante as duas últimas décadas, falei sobre isso durante a resenha da banda Tatius Wolf, mas eu vejo que linhas como Soundgarden, Pearl Jam e Semisonic estão voltando fortemente ao páreo e isso pode ser um sinal que o mainstream do Rock e Metal está próximo de passar novamente por grandes mudanças. De qualquer forma eu tenho certeza que Black Income representa esse novo percentual com muita qualidade.

Nota: 8/10

Track listing

1 – Did You Know

2 – Feels Like A Storm

3 – Loaded Gun

4 – The Sun

5 – Go Quite

6 – Wait For Wonders

7 – Drug

8 – Broken Wings

9 – Something’s Wrong

Membros da banda

Henrik Thrane – Guitarra e Vocal
Lars “Animal” Olrik – Bateria
Michael Gersdorff Kristensen – Baixo e Backing vocal

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