O baixo inovador e nada tradicional de Robin Wolf

by collapse agency

Não é de hoje que Robin Wolf, baixista do duo de rock/stoner experimental Wolf Among Us, rouba a cena por onde passa. Tendo uma base musical forte, o músico inova ao tocar seu baixo de forma nada tradicional, levando o público que o assiste a ficar intrigado durante sua performance de palco. 

Conversamos com o baixista sobre a sua carreira,  a amizade com o baterista Alexandre Cruz, influências musicais e outras curiosidades. Confira! 

Você e o baterista do Wolf Among Us apresentam dinâmica forte e natural no palco. Como que funciona a parceria de vocês como músicos e amigos dentro do projeto?  Como se dá tamanha sintonia entre o duo?

R: Minha história com o Ale é um negócio que vem do passado. Antes de eu pensar em tocar o Ale já estava tocando bateria e ganhando até prêmio da MTV. Ele sempre foi uma influência para mim, tanto que a banda dele, a “Circus Boy”, é uma influência direta para Wolf. Oportunamente, eu o convidei para entrar na banda e ele falou “Demoro!”. Este é o Ale, um cara tranquilo, que está sempre de boa, topando qualquer coisa. Profissionalmente, é um exímio baterista, muito técnico e pensa na música como um todo, sempre enriquecendo nossas composições.   

Além da amizade de anos, ele ainda ajuda a extrair o meu melhor, pois tocar com ele não é só uma honra, mas também uma responsabilidade. 

Dentro do cenário de rock, stoner e grunge brasileiro, você costuma acompanhar bandas com trabalho autoral? E sobre as estrangeiras, alguma atual que tenha lhe chamado a atenção?

R: Eu acho que é um dever de quem toca autoral acompanhar a cena local e nacional. Neste último ano, conhecemos muitas bandas novas e estamos acompanhando todas elas. Fizemos amizade com o pessoal e hoje em dia temos uma certa amizade com muita gente no meio. Alguns destaques: Vermenoise, Disaster Cities, Concrete Monkey, Slowner, Casquetaria, Little Quake, Tropical Riders, Riders of Death Valley, Octupus Head, Riffcoven, Universal Garden, Deaf Swan, Elephantus Duo, Mudness, Fodastic Brenfers, Spiral Guru, Special Drink, Vultura, Munoz…  Olha, tem muitos nomes, vamos parar por aqui. 

Confesso que é muita coisa para acompanhar por aqui que acabei deixando o exterior de lado, mas tenho meus “tesourinhos” como o canadense Reingwolf, o duo português Her Name Was Fire e agora nossos amigos italianos da Sangue.

Que dica você daria a músicos brasileiros da cena rock/stoner/grunge, amadores ou profissionais, que tem medo de experimentar e inventar coisas novas em suas músicas?

R: Se você não procurar inovar, você será um cover ruim de Black Sabbath. A música underground, principalmente no Rock, precisa inovar, se reinventar, sair dessa zona de conforto criada. 

Qual modelo de baixo, cordas e amplificadores você usa? Conta pra gente a relação de amor com seu instrumento.

R: O baixo que mais uso ao vivo é o Fender Coronado semiacústico, afinado um tom abaixo com “Drop C”. Para segurar esta afinação, uso um encordoamento “híbrido”, a quarta corda no calibre 110 (quarta corda do encordoamento 55) e o resto uso encordoamento 50 padrão (50, 70 e 85 respectivamente). Eu vario entre cordas da Ernie Ball e da Elixir. Para gravar, algumas linhas especificas de baixo eu uso meu Fender Jazz Bass 92. 

Já os amplificadores eu uso 3 tipos ao vivo. Meu favorito é o clássico Fender Bassman Blackface 50w de 68 (amplificador de baixo e guitarra), ligado nele uso uma caixa com 4 falantes de 12. Nele eu ligo o sinal de Baixo uma oitava acima junto de um wah-wah e um Russian Muff (fuzz). Também uso um Fender Frontman 212 ligado em outra fonte de áudio uma oitava acima do baixo, mas este já recebe efeitos variados como, distorção, drive, flanger, delay, entre outros. E por fim, sem modificar o sinal de entrada do baixo, eu uso um Hartke Ha 3500 ligado em um Sub da Hartke com um falante de 15, dependendo do lugar eu acoplo mais um caixa 4 de 10 junto ao sub. 

Quais são as suas maiores influências musicais? Pra você qual é o maior baixista e vocalista de todos os tempos?  

R: Creio que tudo que escuto acaba virando uma influência musical, cresci escutando muito grunge dos anos 90, e depois o bom e velho rock setentista. Hoje estou escutando muito Mastodon e Gojira, mas às vezes pego para ouvir Tangerine Dream e Vangelis. Acho que tudo isto acaba sendo minha influência, jogo tudo dentro do caldeirão na hora de compor. Eu sou péssimo com escolhas, mas hoje eu vou ficar com o Geddy Lee do Rush, que canta tons agudos dificílimos enquanto toca linhas complexas de baixo. 

Suas linhas de baixo são criadas pensando no baixo como baixo mesmo, executando sua função perfeitamente e não deixando a musica vazia. Você sempre cria suas linhas pensando assim ou elas acabam saindo naturalmente desse jeito?  

R: Olha, faz tempo que não pego para tocar baixo da forma tradicional, eu até brinco que hoje em dia eu toco um baixo híbrido. Então quando crio as linhas eu já as crio pensando em um contesto geral, não penso no baixo em sim, mas na música em si, no som que a gente “lapidou” nestes anos. Para ter uma ideia, todas as novas músicas, que estamos finalizando as gravações, foram compostas primeiramente no violão, depois fui transcrevendo e adaptando os acordes para o baixo. 

Como a música surgiu em sua vida?

R: Meu avô é um exímio violonista autodidata, minha mãe uma beatlemaníaca, meu pai já curtia um progressivo setentista e meu primo colecionava cds do Iron Maiden. Mas o mais engraçado é que, mesmo com toda esta influencia na família, pedi para minha mãe aos 7 anos um cd do Claudinho e Bochecha.  

Tem algum show na história do Wolf Among Us que você ache que foi o melhor show? Algum em especial que sempre lembrará?

R: É difícil falar qual foi o melhor, mas tiveram alguns momentos que marcaram, como pessoas cantando nossas músicas e pessoas surpreendidas com nosso som. Mas o show do lançamento do nosso EP “Soul Shard” foi algo que me emocionou, ver a casa cheia me deu a sensação de dever cumprido.  

Confira o EP “Soul Shard” da Wolf Among Us. Registro saiu pela Abraxas Records no streaming e em K7 pela Dinamite Records.

Ouça aqui: https://sl.onerpm.com/1051681550

You may also like

EnglishItalianJapanesePortugueseSpanish