Napalm Death: 15 anos de “The Code is Red… Long Live the Code”

by Flávio Farias

Em 25 de abril de 2005, o NAPALM DEATH lançava o seu décimo-primeiro full-lenght. “The Code is Red…Long Live the Code”. E é sobre este álbum que iremos falar hoje.

A banda havia lançado seu disco anterior, o agressivo e cru “Order of the Leech”, em 2002 e enquanto não saía um novo disco de inéditas, os fãs foram agraciados com álbuns ao vivo e de covers. E trata-se do primeiro álbuns de músicas inéditas que a banda lançaria pela “Century Media Records”, Num primeiro momento a bolacha foi lançada apenas em vinil, depois foi lançada em CD também,

A banda se trancou no “Foel Studio”, no País de Gales, entre os dias 21 de setembro e 13 de outubro de 2004, com produção de Russ Russell. Jello Biafra, o icônico ex-vocalista do DEAD KENNEDYS, Jello Biafra, participou da faixa “The Great and the Good”, porém, ele gravou suas partes no “El Bueno Studios”, em San Francisco, California. A curiosidade é que o ex-baixista do FAITH NO MORE, da carreira solo de Ozzy Osbourne e BRUJERIA, Billy Goud, participou auxiliando na engenharia da gravação das partes de Biafra. O resultado é o que vamos passar a destrinchar abaixo.

Silence is Deafering” é a trilha sonora do final do mundo. Uma música rápida, pesada, ríspida e direta, como tem que ser o NAPALM DEATH, com uma sutil mudança de andamento no final da música, mas nada que a comprometa.

Right You Are” traz uma sequência de riffs angustiantes e a ira de Mark Barney nos vocais, além de um toque de modernidade na parte final da música. E a faixa título vem logo a seguir, é uma música que começa bem mais arrastada e assim se mantém em boa parte de sua extensão, com um breve momento de velocidade. A agressividade continua mantendo esse disco no topo.

Climate Controllers” começa bem moderna e logo ela descamba para o Grindcore, que este quarteto sabe fazer de melhor e assim ela vai oscilando, entre a parte mais grooveada e a velocidade aliada à rispidez.

Instruments of Persuasion” dá novamente o pique brutal, violento, rápido e extremo em boa parte de sua faixa, com uma breve pausa para que a parte cadenciada nos deixe descansar um pouco a cabeça, depois de banguear muito.

The Great and the Good” é uma surpresa bem agradável, pois ela traz riffs em que a banda flerta de maneira bem intensa com o Thrash Metal na sua primeira parte, para depois a quebradeira Grindcore voltar com tudo e arregaçar uma música simplesmente perfeita.

Hora de virar o lado do vinil e a abertura se dá com “Sold Short” e o caos sonoro continua em uma música que a pancadaria rola solta, com uma inclusão de uma levada Punk no meio da música para não ficar aquela coisa reta, mas depois a rispidez volta para encerrar bem o trabalho.

All Hail the Grey Down” traz de novo um pouco de Groove em sua primeira parte, mas é bem breve, pois logo o extremismo volta a tomar conta do espaço que lhe pertence e o pau come solto por aqui, até o final terminar com excelentes riffs arrastadões, protagonizados pelo senhor Mitch Harris.

Vegetarive State” já chega com uma virada espetacular do baterista Danny Herrera já nos mostrando de cara que a música vai ser veloz e agressiva, como de fato é. Com aquela já conhecida intercessão mais arrastada e nem por isso menos agressiva no meio e o final épico, rápido, violento e brutal, enquanto que “Pay of the Privilege of Breathing” traz novamente os riffs com uma atmosfera bem angustiantes e a música segue assim, ligeira, do início ao fim.

Pledge Yourself to You” tem um começo em que as guitarras lembram muito bandas de Black Metal e a música vai alternando andamentos: uma parte mais Punk, outra mais Grind, sempre com riffs bem caprichados s tendo um Danny Herrera simplesmente endiabrado atrás de seu kit de bateria, com excelentes viradas. Aqui temos a participação do grande Jeff Walker, do CARCASS, abrilhantando a música,

Striding Purposefully Backwards” tem uma estrutura tão complexa quanto seu nome, pois tem um pouco de tudo aqui: o velho Grindcore da banda, partes mais arrastadas, levada mais Punk e muita brutalidade.

Morale” é bem diferente do resto do CD e não é que ela seja ruim com todo o seu clima atmosférico e em um andamento bem próximo do Doom Metal. Ela apenas destoa do resto do álbum, e “Our Pain is Their Power” é uma longa vinheta que fecha o álbum e trata-se de uma instrumental com clima de filme de terror, fechando assim a obra.

Em 45 minutos e impressionantes 16 faixas temos um disco implacável, com um peso e brutalidade impressionantes, como de fato, foi a tônica de grande parte da carreira do NAPALM DEATH, com exceção de um ou outro equívoco que a banda cometeu. Mas eles têm muito crédito e merecem todos os confetes não só pela sonoridade, mas também pelos posicionamentos políticos que a banda nunca fez questão de se esconder, ainda mais nos dias de hoje em que certos governantes autoritários estão surgindo por aí (N. do R: qualquer semelhança com um certo país tupiniquim é mera coincidência). Enfim, hoje é dia de celebrar a data deste petardo, uma ótima opção para se escutar neste sabadão de quarentena. Então não se esqueça de seguir as orientações da OMS e fique em casa.

The Code is Red…Long Live the Code – Napalm Death
Data de lançamento: 25/04/2005
Gravadora: Century Media

Tracklisting:
01 – Silence is Deafening
02 – Right You Are
03 – Diplomatic Immunity
04 – Code is Red…Long Live the Code
05 – Climate Controllers
06 – Instruments of Persuasion
07 – The Great and the Good
08 – Sold Short
09 – All Hail the Grey Dawn
10 – Vegetative State
11 – Pay for the Privilege of Breathing
12 – Pledge Yourself to You
13 – Losers
14 – Striding Purposefully Backwards
15 – Morale
16 – Our Pain is Their Power

Lineup:
Mark “Barney” Greenway – Vocal
Mitch Harris – Guitarra
Shane Embury – Baixo
Danny Herrera – Bateria

Special Guests:
Jello Biafra – Vocal (“The Great and the Good”)
Jamey Jasta – Vocal (“Instruments of Persuasion” e “Sold Short”)
Jeff Walker – Vocal (“Pledge Yourself to You”)

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