Morbid Angel: 30 Anos de “Altars of Madness”

by Anderson Frota

“Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes”. Essa frase foi proferida pelo gênio da Física, Isaac Newton. Evidentemente, a mesma não tem nada a ver com Death Metal, mas serve para exemplificar a forma como o estilo evoluiu para chegar até aqui… e como isso se refletiria no futuro a partir dele.

Newton quis dizer que, todos os avanços científicos que lhe são atribuídos, só foram possíveis porque ele já possuia uma ampla base teórica a partir da qual poderia prosseguir, fornecida pelos mestres que lhe precederam. Na evolução da música também não é assim? Enquanto se discute se a origem do Death Metal pertence ao Possessed ou ao Death, podemos começar a fazer o caminho inverso e ver que, em retrocesso, havia o Sodom, o Celtic Frost e – indispensável incluir – os brasileiros como Vulcano, Sepultura e Sarcófago. Retroagindo, passamos pelo Venom, Motorhead, Black Sabbath… Enfim, não há nada que se origine do vácuo. Tudo advém do somatório de ideias e ideias acumuladas ao longo do tempo. E quando se chega a um determinado resultado, como o álbum “Altars of Madness”, do Morbid Angel, sabe-se que ele irá integrar o ombro que servirá de base para que as gerações seguintes possam enxergar suas próprias revoluções.

A banda de Chuck Schuldiner já possuia dois discos lançados quando o nosso objeto em foco emergiu das trevas, mas “Altars of Madness”, o disco “A” do Morbid Angel, tem méritos para estar nas primeiras páginas do dicionário do estilo. Possuindo uma das formações mais efetivas que a banda já teve, aliás a única que permaneceu inalterada por dois discos seguidos, o grupo era, olhando em retrospecto, uma espécie de dream team do estilo, sendo que David Vincent e Pete Sandoval, o mestre dos blast beats, conseguiram a proeza de, no mesmo ano, desencadear dois alicerces históricos do extremismo musical, com este álbum e com “World Downfall” do Terrorizer.

As intervenções de guitarra em “Immortal Rites” bebem na fonte de “The Exorcist” do Possessed. Cada faixa deste trabalho renderia um capítulo à parte sobre o desenvolvimento do Death Metal, mas “Lords of All Fevers and Plague” não possui parâmetros de comparação. A sua métrica silábica, as invocações em aramaico, a malignitude cósmica de H.P. Lovecraft! O álbum foi criado em sua quase plenitude através das colaborações de Vincent com Trey Azagthoth, mas esta música é uma das que foram desenvolvidas individual e brilhantemente pelo soturno guitarrista.

“Maze of Torment” é uma avalanche de alternância entre riffs velozes e partes cadenciadas, intercalados por solos na escola Hanneman/King. “Chapels of Ghouls” reforça o seu título com a melodia fantasmagórica executada em sua parte central, fazendo paridade com o reverb da voz de Vincent e espalhando imundície e precisão na mesma medida, representadas na catarse de “Blasphemy”.

“Altars of Madness” é um passeio de montanha russa pelas encostas do inferno, durante o qual você replicará cada expressão dos espectros compactados na ilustração da capa. Ao longo do trajeto, você irá se apavorar e gritar insandecidamente, mas no final entrará na fila para repetir o percurso.

Formação

David Vincent – vocal, baixo

Trey Azagthoth – guitarra

Richard Brunelle – guitarra

Pete Sandoval – bateria

Músicas

01 Immortal Rites

02 Suffocation

03 Visions from the Dark Side

04 Maze of Torment

05 Lord of All Fevers & Plague

06 Chapel of Ghouls

07 Bleed for the Devil

08 Damnation

09 Blasphemy

10 Evil Spells

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