Metallica: 35 anos de “Ride the Lightning”

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Em 25 de julho de 1984, METALLICA lançava o seu segundo álbum. E este é tão importante não só na discografia da banda, mas item obrigatório na coleção de qualquer headbanger que se preze.

Após a tour promocional do debut, “Kill ‘Em All”, a banda embarcou para a Dinamarca (terra do baterista Lars Ulrich) e lá no “Sweet Silence Studios”, na capital Copenhague, permaneceram por dois meses gravando, com produção de Flemming Ramussein. E aqui o que temos é um disco muito bem mais trabalhado em sua parte instrumental, mas ainda com bastante da sujeira que a banda registrou em sua estreia.

Em minha opinião pessoal, trata-se do melhor disco do METALLICA. Claro que não desmereço a importância de “Master Of Puppets”, o seu sucessor, mas aqui a banda se superou na capacidade de composições mais trabalhadas. Não é um disco 100% Thrash Metal e isso enriquece ainda mais a obra.

47 minutos de pura obra-prima que nos faz apertar o botãozinho chamado “repeat” em nossos players. Sim é bem curto, mas certeiro.

Temos a abertura com um petardo: “Fight Fire With Fire“; Uma música bem Thrash Metal e não houve escolha melhor para o início do disco. Os riffs tomam conta da canção do início ao fim e aqui percebemos o up na produção em relação ao álbum de estreia. Detalhe que no álbum de covers lançado pelo SEPULTURA, chamado “Revolusongs” (N; do R: que eu acho fraco demais), ao final, a banda ensaia a introdução desta música, que ficou sensacional. Teria sido melhor se eles incluíssem essa música toda ao invés de regravar PUBLIC ENEMY.

A faixa título dá sequência ao play e aqui temos a prova da evolução da banda nas composições. Uma música não tão rápida, mas que tem um riff e base, que, em minha opinião, são os melhores já feitos pela banda. O nível segue alto. Uma das minhas eleitas como a melhor do disco.

For Whom The Bell Tolls” é a faixa que segue e o que falar do clássico da banda? A intro com o baixo de Cliff Burton é simplesmente sensacional. Aliás, a intro é tão grande que nem nos preocupamos com o fato de a “parte cantada” ser pequena. Aqui os riffs também dão as cartas. Excelente música.

Ai temos “Fade To Black“, uma música que causou polêmica. Era a primeira balada composta por uma banda que tocava músicas rápidas e pesadas. Claro que boa parte dos radicais torceram no nariz, mas é uma música muito boa, onde os caras mostraram que eram capazes de muito mais do que apenas compor músicas rápidas. Claro que no final, eles voltam com o peso e isso deixa a música mais e mais interessante.

Se você tem o vinil, é a hora de virar o lado e a faixa que segue é “Trapped Under Ice” e aqui temos uma faixa que volta com a velocidade, com mudança de andamento no meio da música. Aqui todos os músicos se destacam.

Escape” é a faixa que dá sequência e ela vai na linha da faixa título, deixando a velocidade de lado, apostando mais na melodia e nos riffs, com aquele clima futurista. A melhor faixa deste disco, junto com “Ride The Lightning“.

Creeping Death” é a música mais matadora deste álbum. Que energia tem esta música. Até hoje ela é executada pela banda ao vivo, muitas vezes como faixa de abertura dos shows. É música para abrir o mosh de forma apoteótica. Estupenda música.

Fechando o disco, temos a instrumental “The Call Of Ktulu, uma das poucas faixas (junto com a faixa título) que teve contribuição de Dave Mustaine. Uma música tão boa, onde temos um clima de suspense, com partes em que nos remetem ao Prog. A música é tão excelente que nem o “wha-wah” que Kirk Hammet coloca ali e que viria a se tornar uma marca dele, incomoda ao ouvinte, pelo contrário, ela melhora ainda mais o nível.

Enfim, temos aqui um excelente disco, que fica ainda melhor a medida que fica mais velho. E em que a banda teve a capacidade de se superar das adversidades, como ter os equipamentos roubados na tour anterior. E isso era só o começo. Mal sabíamos que eles lançariam outras pérolas do Heavy Metal.

Lineup:
James Hetfield – Vocal/Guitarra
Kirk Hammet – Guitarra
Cliff Burton – Baixo
Lars Ulrich – Bateria

Tracklisting:
01 – Fight Fire With Fire
02 – Ride the Lightning
03 – For Whom the Bell Tolls
04 – Fade to Black
05 – Trapped Under Ice
06 – Escape
07 – Creeping Death
08 – The Call of Ktulu

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Flávio Farias
Barman, estudante de história, torcedor do Flamengo e apreciador do bom e velho rock and roll há pelo menos 30 anos, começou com o pop rock brasileiro dos anos 80, depois foi para o grunge e punk nos anos 90 até que após pegar emprestado uma fita cassete de 90 minutos, em que do lado 1 tinha a sua teenage band (Pearl jam) e do lado 2 tinha o Chaos A.D. Do Sepultura, com uma mina de quem ele era afim (infelizmente, a mina não deu nada mais além do que a fita), a vida dele mudou para sempre. Daí foi um pulo para escutar Metallica, Slayer, Blind Guardian, Anthrax, Cannibal Corpse, Pantera, Megadeth, Nevermore (a sua banda predileta), Lamb of God e claro, a mãe das mães de todas as bandas de Heavy Metal: Black Sabbath. Gosta muito de escrever, é fissurado por tudo que remeta à Segunda Guerra Mundial, também escreve um blog que conta histórias das Copas do Mundo e é um verdadeiro saudosista, isso explica a opção pelo curso que faz.