Megadeth: Os 18 anos de “The World Needs a Hero”

by Flávio Farias

Em 15 de Maio de 2001, o MEGADETH lançava o nono disco de sua carreira. E havia muito em jogo aqui, após a repercussão mais que negativa de “Risk“, o disco anterior. A imagem da banda não chegou a ficar arranhada, mas os caras precisavam voltar aos trilhos.

E a situação parecia calamitosa, pois a clássica formação da banda, que viveu o seu apogeu entre os anos de 1989 e 1999, estava desfeita. O eterno guitarrista Marty Friedman havia deixado a banda e o baterista Nick Menza fora chutado pelo “boss” em uma polêmica que somente Dave Mustaine é capaz de protagonizar. Havia restado somente os membros fundadores, os “Daves“, Mustaine e Ellefson. Porém, o show não poderia parar, e a banda recrutou Al Pitrelli (ex- SAVATAGE) para a guitarra e Jimmy DeGrasso para a bateria.

Com Dave Mustaine digamos, cobrando o escanteio e correndo para a área para cabecear a bola, o dono da banda assumiu a produção do disco e todos foram para o “Recording Studios“, em Hollywood. A bolacha fora lançada pela Sanctuary Records.

Temos aqui na abertura da bolacha um MEGADETH bem distante dos seus melhores dias, o que não quer dizer que seja ruim, afinal de contas, após um disco com alguns bons momentos, que foi “Cryptic Writtings” (1997) e o fiasco quase que total com “Risk” (1999) – Sim, eu digo quase que total, pois há coisa que se salve naquele disco. E em “Disconnect” temos um MEGADETH soando mais moderno, com um som oscilando entre o Hard Rock e o Prog. Uma boa música.

A faixa título é a seguinte e mostra uma pegada mais groove da banda, com o baixo de Ellefson brilhando e nos refrões as guitarras de Mustaine e do virtuoso Al Pitrelli executando muito bem seus respectivos trabalhos. Era a primeira música realmente boa depois de “FFF“, a música que fecha “Cryptic Writtings“.

Moto Psycho” tem uma pegada bem legal e certamente é a eleita por mim como a melhor deste disco, essa com uma pegada mais Metal. Aqui se não temos aquelas palhetadas no nível Hard como em “Rust in Peace“, temos os riffs com timbre bem peculiar de Mustaine. É aquela música que você coloca para qualquer pessoa que conheça a banda, mas ainda não conhece a música e ela lhe dirá: “Isso é MEGADETH“. Não tem como não reconhecer.

1000 Times Goodbye” traz a banda fazendo algo na linha do Hard Rock. A música não tem nada de mais, apenas o solo muito bem estruturado e executado.

Burning Bridges” temos uma canção densa, com riffs bem interessantes. Essa música pelo clima, lembra algumas passagens de “Youthanasia“, o andamento fica um pouco mais rápido no solo, voltando no final a soar densa. Uma boa música.

Promises” gerou algumas reclamações dos fãs mais “true”, mas eu a considero uma excelente música, que conta uma história bonita, onde o interlocutor promete encontrar sua amada, morta, no outro lado da vida. A música em si é rica do ponto de vista de sua composição, que aliás,esta é a única que não é inteiramente de Dave Mustaine. Esta tem a participação de Al Pitrelli. Sensacional este som, mesmo sendo o oposto do que o MEGADETH é conhecido.

Recipe For Hates…Warhouse” é um tanto quanto pedante nas primeiras estrofes, mas na parte final os caras se recuperam e a transforma em uma boa canção de Hard Rock, com breves flertes com o Metal, sobretudo no solo.

Outro ponto alto do disco está em “Losing My Senses“, um som bem denso, pesado, sombrio. Aqui os riffs de Dave Mustaine dizem ao que vieram. É mais uma das minhas favoritas deste disco, por esse clima sombrio que ela proporciona. E o solo, muito bom também.

Agora temos, enfim, uma música 100% Heavy Metal neste disco: “Dread And Fugitive Mind” não é completamente inédita. Eu já a conhecia por ela ser uma das inéditas laçadas em meio da coletânea “Capitol Punishment…The Megadeth Years“, o álbum que a banda lançou para se livrar do contrato com a Capitol. E a música não fora modificada entre um lançamento e outro, tendo em sua extensão uma pegada bem legal. E como nunca é demais falar dos riffs de Mustaine, aqui eles soam gigantes como sempre, abrilhantando a música. Ao vivo ela fica ainda mais pesada, como o caro leitor pode perceber no vídeo abaixo.

“Silent Scorn” trata-se de uma vinheta medonha, que, infelizmente, é a única coisa deste álbum que ainda é lembrada nos shows da banda. Ela tem seu playback tocado sempre ao final das apresentações ao vivo. Desnecessária.

Return to Hangar” é a faixa mais Metal do disco e também podemos elegê-la como um dos pontos altos do disco. Com a melodia vocal bem parecida com a da sua irmã mais famosa, a excelentíssima “Hangar 18”, Mustaine incluiu nesta aqui, os versos do refrão da música lançada no mais maravilhoso disco já lançado por uma banda de Metal, “Rust In Peace“. Grande canção essa.

O fechamento se dá com a chatíssima “When“, do alto de seus nove minutos, que até ganha um pouco de peso no final, mas não muda seu status de música ruim. A música tem os riffs baseados na clássica “Am I Evil“, do DIAMOND HEAD, mas que ficou mundialmente conhecida depois que o METALLICA a regravou, porém, sinceramente, a versão de Mustaine ficou horrorosa. Se ficasse de fora do disco nem faria falta.

Mas infelizmente, não foi aqui em “The World Needs a Hero” em que a banda retornou não só ao Hangar, como ao formato de música que a consagrou. A verdade é que a banda seguiria alternando bons e maus lançamentos. Entretanto, este não se trata de um disco ruim, tem até grandes momentos e por isso mesmo, é um dos homenageados de hoje pela ROADIE METAL – A VOZ DO ROCK e diante das perdas que foram as baixas de Nick Menza e Marty Friedman, os caras fizeram o que estavam ao seu alcance. E o resultado foi bom.

Este seria, pelo menos, por um breve momento, o último disco de estúdio gravado pela dupla Dave Mustaine e Dave Ellefson. A banda encerraria suas atividades prematuramente após Mustaine sofrer um acidente que comprometeu os movimentos de sua mão, o impossibilitando de tocar por um período. Ainda tivemos brigas judiciais entre os dois, porém, como são amigos de longa data, acabaram por se reconciliar no final da primeira década dos anos 2000 e a parceria foi retomada. E assim, hoje comemoramos este disco, que com seus bons momentos, alcança a maioridade. Esperaremos essa dupla, juntamente com as feras Kiko Loureiro e Dirk verbeuren, no Rock in Rio 2019;

Lineup:

Dave Mustaine – Vocal/Guitarra

Dave Ellefson – Baixo

Al Pitrelli – Guitarra

Jimmy DeGrasso – Bateria

Tracklisting:

01 – Disconnect

02 – The World Needs a Hero

03 – Moto Psycho

04 – 1000 Times Goodbye

05 – Burning Bridges

06 – Promises

07 – Recipe for Hates…Warhouses

08 – Losing My Senses

09 – Dread And Fugitive Mind

10 – Silent Scorn (instrumental)

11 – Return to Hangar

12 – When

You may also like

EnglishItalianJapanesePortugueseSpanish