O nosso tour underground pelas terras da Majestade, a rainha Elizabeth II, continua. Depois de visitarmos a ilha da Irlanda e suas duas “extremidades”, agora vamos para o País de Gales e descobrir um pouquinho sobre o seu cenário musical pesado!

Contando com uma população de aproximadamente 3,136 milhões de habitantes (2019), o País de Gales (Cymru, em galês) tem por capital Cardiff, que além de ser uma das 22 subdivisões autônomas, é considerada como a capital mais nova da Europa, tendo sido elevada ao status em  20 de dezembro de 1955. Ainda que a maioria da população utilize o idioma inglês como língua principal, o país é oficialmente bilíngue e possui uma identidade cultural própria e de caráter milenar, baseada em suas origens celtas. Apesar disso, apenas cerca de 20% da população fala o galês, com maior concentração em partes do norte e oeste. Por sua vez o seu alfabeto não possui as consoantes K, Q, V e Z, porém utiliza-se os fonemas “ch”, “dd”, “ff”, “ng”, “ll”, “ph”, “rh” e “th”. Para encerrar, como mera curiosidade, é uma das localidades do continente europeu que possui mais castelos, totalizando 641 construções espalhadas por seu território de menos de 21 mil quilômetros quadrados!

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Olhando rapidamente para as artes contemporâneas, o País de Gales é o lar de nomes respeitados internacionalmente, como o escritor Ken Follett – que atingiu a marca dos 100 milhões de exemplares vendidos de suas obras, entre eles ‘Os Pilares da Terra’ (1989), que originou a minissérie homônima de 2010 – e o ator Anthony Hopkins, que entre dezenas de trabalhos no cinema, ficou eternamente marcado pelo seu papel como o amedrontador Dr. Hannibal Lecter em ‘O Silêncio dos Inocentes’ (1991), chegando inclusive a ganhar um Oscar na categoria de ‘Melhor Ator’. Seu mais recente papel no cinema foi em ‘The Two Popes’, do ano passado, onde deu vida ao Papa Bento XVI.

Chegando por fim ao meio musical (pesado), o país conta com um número bastante modesto de representantes – especialmente na ativa e com lançamentos oficiais – em algumas ramificações do Metal. Entretanto, também possui alguns nomes antigos que fizeram parte do movimento NWOBHM, sendo um deles o precoce Nightime Flyer, que lançou apenas a demo ‘Out With a Vengeance’ em 1979 e encerrou sua carreira no ano seguinte. Suas duas músicas podem ser facilmente encontradas no Youtube. Saindo do extremo underground, é claro que não poderíamos deixar de fora músicos de grande relevância, como o baixista Roger Glover (Deep Purple), o guitarrista Phil Campbell (que fez história no eterno Motörhead), o baterista Chris Slade (ex-AC/DC, Asia e outras) e o vocalista John Sloman (ex-Uriah Heep e Gary Moore). Ainda em tempo, os galeses contam com o festival ‘Hammerfest’, que chega à sua décima terceira edição no ano que vem. Criado em 2009, o evento é realizado entre os primeiros meses do ano e desde 2013 acontece na cidade de Pwllheli, noroeste do país. Por lá, já se apresentaram: Opeth, Sepultura, Epica, Napalm Death, Anthrax, Satyricon, entre muitas outras.

BUDGIE

Indiscutivelmente o nome mais lendário do País de Gales, em se tratando de Música Pesada, é o Budgie, que iniciou sua história oficialmente em 1970 e estreou no ano seguinte com o álbum auto intitulado – que seria o primeiro de onze lançamentos, feitos ao longo de mais de 35 anos. Ainda que seus músicos tenham se mudado para os EUA em algum momento da carreira, com elementos de Rock Progressivo, Hard Rock e Heavy Metal, a banda teve ao seu dispor toda a década de 70, disponibilizando no período impressionantes sete trabalhos completos de estúdio. Entretanto, a mudança de década não lhe foi favorável, vendo as coisas afundarem drasticamente nos anos 80… Tanto, que após ‘Deliver Us From Evil’ (1982), lançariam um novo álbum apenas em 2006 (‘You’re All Living in Cuckooland’), sem dar mais sinais de novidades após isso.

DESECRATION

Saindo do clássico e se afundando em um lamaçal pútrido de obscenidades e temáticas duvidosas, o Desacration é um dos mais prolíficos representantes do Death Metal no país. Indicado para apreciadores de Cannibal Corpse, Autopsy e demais “beldades”, a banda possui uma discografia com oito full length e demais materiais, como demos, compilações e ao vivo. O Desecration foi fundado em 1993, na localidade de Newport, mas lançou seu debut ‘Gore & Perversion’ apenas três anos depois. Seus últimos registros são o álbum ‘Cemetery Sickness’ (2014) e o split ‘Intravisceral Exhibition’ (2015), ao lado da banda portuguesa Holocausto Canibal.

GHAST

Da segunda maior cidade do país, Swansea, vem o Ghast (com o “a” mesmo), que desde 2007 se dedica ao Black/Doom Metal. De lá para cá não tiveram muitos lançamentos, sendo os principais, os álbuns ‘May the Curse Blind’ (2008) e ‘Dread Doom Ruin’ (2014), além do EP ‘Terrible Cemetery’ (2010) – que com apenas duas composições, contabiliza quase meia hora de música. O Ghast é formado pelo trio Arrrrrrrach (vocal e guitarras), Myrggh (baixo) e Kz (bateria).

HECATE ENTHRONED

Sendo uma das bandas da lista que mais possuem trabalhos em sua discografia, o Hecate Enthroned ostenta seis álbuns e mais alguns outros lançamentos de praxe (EPs, splits, etc), acumulados ao longo de 25 anos de carreira, dedicados a temas obscuros ligados ao satanismo e a morte, em seu Melodic Death/Black Metal – que certamente agradará quem curte bandas como Cradle of Filth, Graveworm e afins. Com a formação Joe Stamps (vocal), Nigel e Andy (guitarras), Dylan Hughes           (baixo), Gareth Hardy (bateria) e Pete (teclados), a banda lançou em janeiro do ano passado o seu sexto álbum ‘Embrace of the Godless Aeon’.

IRONBIRD

Voltando para a capital Cardiff, encontramos o Ironbird, representante de uma sonoridade que mescla elementos de Doom Metal, Stoner e Sludge. Na ativa desde 2010 e aparentemente sem alterações em sua formação, Eli (vocal), Van (guitarras), Gob (baixo) e Ad (bateria), disponibilizaram apenas dois álbuns e um EP, para quem se interessar pela sua musicalidade pesada e carregada.

LOST IN THOUGHT

Como não poderia faltar ao menos uma banda de Prog Metal, eis que temos a honra de sermos apresentados ao Lost in Thought, também de Swansea. Entre hiatos, retornos e trocas de músicos, a banda se mantém nesse ritmo desde 2007 e se assemelha ao caso da banda acima, em relação à quantidade de materiais lançados: o EP  homônimo de 2008 e os álbuns ‘Opus Arise’ e ‘Renascence’, de 2011 e 2018, respectivamente. Desses, apenas o segundo foi lançado por uma gravadora, a sueca Inner Wound Recordings, enquanto que os demais saíram de maneira independente.

SAMURAI

Além do Tokyo Blades, outra banda da NWOBHM que adotou motivos orientais em sua musicalidade foi o Samurai, que surgiu no ano de 1979 em Merthyr Tydfil. Contando com Len Williams (vocal), Huw Lewis (guitarra), Craig Ridsdale (guitarra), Neil Rogers (baixo – já falecido) e Michael Davis (bateria), o Samurai lançou os discos ‘Sacred Blade’ (1984) e ‘Weapon Master’ (1986). Um prato cheio para saudosistas e desbravadores de bandas obscuras.

TIGERTAILZ

O Tigertailz é outro dos nomes que obtiveram algum sucesso comercial, com uma carreira discretamente curiosa. Enfeitiçados pela magia do Glam que assolava o mundo nos anos 80, a banda de Cardiff demorou um pouco para liberar o seu debut ‘Young and Crazy’ (1987), apostando piamente naquele Hard Rock que conquistava as paradas de sucesso e emplacando o hit “Living Without You” – que ganhou um vídeo clipe bem aos moldes da época. Em 1990 soltaram ‘Berzerk’ que atingiu melhores resultados, chegando ao trigésimo sexto lugar nas paradas inglesas, com três singles. Já com as mudanças de ares da década de 90, a banda deixou o Glam de lado e apostou em algo mais agressivo e voltado ao Metal, com o álbum ‘Wazbones!’ (1995). Em 2006 saiu ‘Berzerk 2.0’ (regravação do segundo álbum) e no ano seguinte o de inéditas ‘Thrill Pistol’, sendo até então o último registro da banda.

Chegamos ao fim de mais um destino, e como sempre, além de agradecer a você, leitor, por me acompanhar até aqui, espero que você possa conhecer alguns dos nomes que integram o cenário metálico galês. Mas, as aventuras pela Grã Bretanha ainda não terminaram… Então, nos vemos novamente dentro de algumas semanas. Até lá!

Pont Fawr, em Llanrwst, construída no século XVII (Photo: Thinkstock).

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