Como na viagem passada eu trouxe um pouquinho do Metal na (República da) Irlanda, não poderia deixar de completar a estadia na ilha e desta vez vou dar um pulo na Irlanda do Norte para conhecer algumas de suas bandas.

Caminhando rumo aos 2 milhões de habitantes, ao contrário da sua vizinha, a república, a Irlanda do Norte (Tuaisceart Éireann, em gaélico) faz parte do Reino Unido e sua maior cidade e capital é Belfast. O país é dividido em seis condados tradicionais: Fermanagh, Tyrone, Derry (ou Londonderry), Antrim, Down e Armagh, mantidos para fins culturais, já que administrativamente apresenta 26 distritos. Em relação à economia, o país tem na agricultura e indústria (especialmente têxtil e náutica) suas fontes de riqueza – embora seja a menos expressiva dos quatro integrantes do Reino Unido.

Sua bandeira oficial é a do Reino Unido, entretanto o Estandarte de Ulster (que foi bandeira da Irlanda do Norte entre 1953 a 1972) é utilizada em algumas ocasiões, como eventos esportivos da FIFA e da própria Commonwealth. Outro fato curioso no país é que ele está dividido culturalmente em duas comunidades: os unionistas (predominantemente protestantes, favoráveis ao estreito relacionamento entre a Irlanda e a Grã-Bretanha) e os nacionalistas (em sua maioria católicos, favoráveis a maior independência da Grã-Bretanha, que inclusive contam com uma corrente defensora da união das “duas Irlandas”) – que impactou o país em termos religiosos e até geográficos. Ainda em tempo, não poderia deixar de mencionar que o famoso navio transatlântico RMS Titanic foi construído em Belfast, pela tradicional empresa Harland and Wolff, com os trabalhos iniciados em março de 1909, sendo lançado ao mar em maio de 1911 e partindo em – sua única e trágica – viagem para Nova Iorque/EUA no dia 10 de abril do ano seguinte (saindo de Southampton/Inglaterra).

Musicalmente falando, ainda que o país não apresente muitos nomes consideravelmente conhecidos (Waylander e Gama Bomb são os primeiros que vem a cabeça – ainda que atualmente o segundo nome esteja sediado em Dublin, na república) em se tratando de Heavy Metal, é fato que seu cenário é composto por um número modesto de bandas, mas que se aventuram por várias ramificações do estilo. Algumas, você passa a conhecer abaixo:

ACID AGE

Abrindo a lista com muita agressividade, temos os thrashers do Acid Age que vêm da capital Belfast e estão em atividade desde o ano de 2013. Seu primeiro material registrado é a demo ‘Cyborg Thrashterpiece’, que apenas abriu caminho para o EP ‘Enter Zomborg’ – ambas do mesmo ano, 2013. O ano de 2014 também apresentaria mais lançamentos, sendo eles o EP ‘The Troma-Tized’ e o aguardado debut ‘Drone Shark Ethics’. Praticando uma sonoridade toscamente ‘old school’ – tão típico do estilo – e apresentando melhorias constantes em sua sonoridade, é liberado em 2016 o segundo disco ‘Like a Runaway Combine Harvester in a Field of Crippled Rabbits’, demonstrando a humor ácido dos integrantes.

CURSED SUN

A terminologia Thrash ainda não será deixada de lado, porém no Cursed Sun é enriquecida com incisivas doses de Groove e até mesmo Death Metal. Vinda também de Belfast, a banda foi criada em 2007 e tem em sua discografia cinco EPs – lançados entre 2009 e 2019 – e o debut ‘Premonitions’, que foi lançado de maneira independente em 2012. Na formação atual, estão os músicos Andy “Jones” Cassidy (vocal), Jonathan “Jonny” McCleery (guitarra), Ciaran McKeever (guitarra), Steve Martin    (baixo) e Chris McMullan (bateria).

CAUSTICGOD

Ao que tudo indica, contando com membros de dois condados, Antrim e Armagh, o Causticgod é um dos representantes do Stoner/Heavy Metal e cumpre bem as especificações do estilo: levada carregada e por vezes hipnótica, guitarras ásperas e um vocalista versátil que nasceu para esse tipo de musica. Infelizmente, a banda formada Tom Clarke (vocal), Ross Duffy  & Dan Walsh (guitarras), JonJoe Harrison (baixo) e Stephen Todd (bateria) lançou apenas um álbum (até o presente momento) ‘Sullen Sanctuary’ (2017) – que com uma divulgação expressiva e alguns pequenos ajustes na timbragem da bateria e na produção em si, poderia ter atraído mais e mais apreciadores mundo a fora. Não à toa, é um dos destaques da matéria!

DARKEST ERA

Agora, mudando totalmente os ares, vamos para algo voltado a um criativo e diversificado Heavy Metal com elementos de Epic Metal… Isso mesmo, estou falando do Darkest Era! Do início em 2005, a banda lançou seu primeiro EP ‘The Journey Through Damnation’ em 2008 e dois anos depois ‘The Oaks Session’. Conseguindo contrato com a Metal Blade Records, no ano seguinte saiu o debut ‘The Last Caress of Light’. A parceria não foi adiante, porém no ano de 2014 foi lançado o segundo full length ‘Severance’, pela gravadora italiana Cruz Del Sur Music – que também liberou o EP ‘Gods and Origins’ (2015), o último registro oficial da banda até o momento.

EROSION

Para quem estava dando por falta do Progressive Metal/Rock, a boa notícia é que o estilo está bem representado nas mãos do Erosion, que sendo mais uma banda da capital, conta com dois lançamentos independentes em sua modesta discografia: o EP ‘Gunslinger’ (2017) e o full ‘The Cyclopean Passage’ (2018). De pegada direta e sem brechas para aqueles incontáveis minutos de demonstrações técnicas vazias, o, atualmente – após a saída de Gavin Burnside (baixo) – trio, é integrado por Mark Stewart (vocal e bateria), Martin Donaghy (guitarra) e Stephen Fleming (guitarra e baixo).

ONCOLOGY

Visitando uma região diferente, o Brutal Death Metal do Oncology vem da cidade de Coleraine, que fica no condado de Londonderry. Totalizando dois singles, uma demo e o debut ‘Infinite Regress’ (2016) – com sua simples e interessante arte de capa, que nos leva diretamente aos anos 90 -, a banda foi fundada em 2014 e certamente vai agradar aos aficionados pelo estilo e caçadores de sonoridades brutais vindas de lugares “exóticos”. Até onde se sabe, em setembro do ano passado foi lançado o single ‘Virions in the Exosphere’, indicando a vinda de um suposto segundo álbum.

WAYLANDER

Chego ao fim de mais uma viagem com o Waylander, que é um dos nomes mais reconhecidos e experientes da Irlanda do Norte, com sua sonoridade girando em torno do Celtic/Folk Metal – ocasionalmente enriquecido com outros elementos que vão do Heavy ao Metal Extremo. Logo no trabalho de estréia ‘Reawakening Pride Once Lost’ (1998) a banda conseguiu o apoio da Century Media Records, e ainda que a parceria tenha durado apenas um álbum, foi o suficiente para – junto com a sonoridade, obviamente – marcar o nome Waylander no cenário underground mundial e consequentemente tornar-los um dos principais representantes do estilo. ‘The Light, The Dark and the Endless Knot’ (2001) saiu pela (hoje extinta) gravadora inglesa Blackend e após sete anos sem novidades a banda retorna com ‘Honour Amogst Chaos’ (2008), já em contrato com a francesa Listenable Records – também responsável pelos dois lançamentos seguintes: ‘Kindred Spirits’ (2012) e o recente ‘Ériú’s Wheel’ (2019).

Com isso, concluo o meu pequeno tour pela ilha da Irlanda, com suas belezas arquitetônicas de incontáveis séculos de história, passando por suas incríveis paisagens naturais e por fim chegando até as bandas de Metal. E a você que me acompanhou até aqui, mais uma vez deixo os meus mais sinceros agradecimentos, além de expressar o desejo de que conheça as bandas da lista e outras que a Irlanda do Norte também abriga. Espero que possamos nos ver novamente dentro de algumas semanas. Até lá!

Um dos pontos turísticos mais conhecidos do país: A Calçada dos Gigantes, no Condado de Antrim

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