Funeral Doom Metal: uma das formas mais extremas de música (cap. VI)

by Bruno Rocha

Neste domingo, dia de final de Copa do Mundo (parabéns aos negros maravilhosos campeões e aos guerreiros croatas vice-campeões), é dia também de Funeral. Sinta o peso denso e o ar melancólico invadir sua mente, pois a coluna Funeral Doom Metal está de volta.

Sim, pois o intervalo entre um episódio e outro desta coluna e tão grande quanto o tempo entre duas batidas no caixa da bateria em uma música de Funeral Doom. E, já que começamos falando em Croácia vice-campeã, este escriba lembra que um país que fica por lá por perto, a Tchecoslováquia, também já foi vice-campeã da Copa. Hoje a Tchecoslováquia não mais existe; foi dividida no ano de 1993 em Eslováquia e República Tcheca. E é deste último país que vem o primeiro personagem de nossa coluna de hoje: o Mistress Of The Dead, uma das bandas mais veneradas e obscuras do estilo.

O COFFIN-SET DO VAMPIRO TCHECO

Vlad Criestea Vales

Recentemente a gravadora russa GS Productions anunciou o lançamento de um box trazendo toda a discografia da banda tcheca que foi fundada em 2004 por Vlad Criestea Vales, seu único integrante. Vlad é conhecido por raramente se pronunciar em público ou em entrevistas. Até mesmo nos encartes dos álbuns de sua banda, as escritas são as mínimas possíveis. Ontem, 14 de julho, o site doom-metal.com divulgou uma rara entrevista com Vlad Criestea, um homem que vive sozinho e recluso em seu próprio mundo de tristeza e de esoterismo. Tudo que ele grava para sua banda é feito sozinho, com um equipamento básico de estúdio que ele mantém em sua casa. As letras de suas composições, como não poderiam deixar de ser, tratam de depressão e sofrimento passional, com toques de saudade de alguém que já se foi.

De fato, existe uma mulher a quem Vlad muito amava e que já passou para o outro plano. Este alguém se chamava Henriette, com quem ele diz que se comunica telepaticamente. Vlad declara em sua entrevista ao doom-metal.com que deseja ansiosamente morrer e ir embora deste mundo para quem sabe se encontrar com Henriette onde quer que seja. Ela é a grande inspiração de suas composições. Musicalmente falando, o Funeral Doom do Mistress Of The Dead é extremamente angustiante e sofrido, uma perfeita reflexão em forma de som dos sentimentos de seu mentor. As músicas ultralongas (que variam de 9 minutos até quase meia hora de duração) marcham num ritmo ultralento, obscurecidas por vocais guturais distantes e camas de teclados que atuam de forma coadjuvante. Prolífico durante os anos 2000, a produtividade de Vlad caiu bastante depois que ele precisou cuidar de sua saúde e se tratar de uma doença que quase leva a sua vida. Apesar de uma melhora, ele não produz música com a mesma frequência de antes, da mesma forma que sequer as lança.

Isso até 2018, quando houve o contato com a gravadora GS Productions. O box Mistress Of The Dead virá na forma de um caixão trazendo ao todo 15 cd’s, sendo quatro deles com material inédito. O mesmo será lançado em uma edição limitada de 100 cópias, todas assinadas pelo próprio Lord Vlad, o vampiro tcheco do Funeral Doom.

 

A VOLTA DO PANTHEIST

Se a Bélgica perdeu na Copa do Mundo e terminou em terceiro lugar, ela com certeza será uma das finalistas do mundial de Funeral Doom de 2018. A principal banda de Funeral Doom do país e uma das mais importantes do estilo está de volta com uma nova música. Esta semana foi lançado o clipe da música 500 B.C. to 300 A.D. – The Enlightened Ones, a nova música do Pantheist. Uma peça de mais de treze minutos belíssima e muito bem composta, de modo que mal se percebe o tempo passar, algo digno dos grandes nomes desta forma extrema de música. Outro ponto a se observar nesta música é que o Pantheist parece ter retornado às raízes Funeral Doom, tendo em vista que em seus últimos lançamentos, a banda liderada pelo vocalista e tecladista Kostas Panagiotou explorou um Doom mais progressivo e não tanto angustiante.

Em recente declaração, a banda de fato confirma esta volta às raízes Funeral Doom, mas sem esquecer o que ficou de aprendizado na fase progressiva. Seeking Infinity, o novo álbum do Pantheist, tem seu lançamento previsto para o dia 14 de setembro. Acompanham Kostas no Pantheist o guitarrista Frank Allain, o baixista Aleksej Obradovic e o baterista Dan.

Uma curiosidade pertinente ao Pantheist: apesar da banda ser belga, nenhum de seus integrantes é da Bélgica. Mais ainda: todos são de países diferentes. O líder e fundador da banda, Kostas Panagiotou, é grego como seu nome entrega. O guitarrista é inglês, o baixista é sérvio e o baterista e romeno. O Pantheist é a Eurocopa do Funeral Doom.

Pantheist

QUEM PODE SER O OUTRO FINALISTA?

 

Por enquanto, é a banda australiana Mournful Congregation, que lançou em março deste ano o excelente e lindíssimo álbum The Incubus Of Karma, provando mais uma vez que é (e que sempre foi) uma das bandas mais criativas e empolgantes do Funeral Doom mundial graças a suas melodias e solos de guitarras e atmosfera beirando àquela sentida no Post-Rock. Mas ainda se aguarda outro gigante do estilo lançar algo novo ainda para este ano. Desde o ano passado os norte-americanos do Evoken prometem lançar novo material para o mais breve possível.

O que a banda anunciou esta semana foi o relançamento de sua demo Promo 2002 através da gravadora Dread Records. Quanto ao novo álbum, ao que tudo indica, seu processo de produção está quase no fim. Esperemos até o fim deste ano e vejamos se o Evoken pode destronar o Mournful Congregation, ou mesmo o Pantheist, com seu novo opus. O Evoken não lança nada desde o full-length Atra Mors, de 2012. Mas esperar é uma virtude dos fãs de Funeral Doom.

Mournful Congregation

Evoken

Até a próxima edição de nossa coluna. Quando? Não sei. Espero que o mais breve possível. Stream the Funeral!

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