Cannibal Corpse: os 29 anos de “Eaten Back to Life”

by Flávio Farias

Em 17 de agosto de 1990, o CANNIBAL CORPSE lançava o seu disco de estréia: E “Eaten Back to Life” é um disco que em termos de sonoridade, nem de perto lembra o que se tornaria a banda nos dias de hoje. Mas as letras já eram doentias, assim como sua capa.

Da formação atual, apenas Alex Webster e Paul Mazurkiewicz estavam presentes no disco de estreia. E neste debut, a banda se destaca pelo Thrash Metal executado.

A banda levava a sério essa sonoridade Thrash, tanto que no encarte do disco, eles citaram como influência nada mais nada menos do que o clássico “Beneath the Remains” do SEPULTURA. Um orgulho para nós brasileiros, não é mesmo?

Até o produtor escolhido fora o mesmo Scott Burns, que um ano antes havia vindo ao Brasil gravar o “Beneath the Remains“. E a banda, originária da cidade de Buffalo, se deslocou para Tampa, na Flórida, cidade que é tão importante para o Death Metal quanto a Bay Area se tornou importante para o Thrash Metal oitentista. E no “Morrisound Studios“, onde o SEPULTURA gravaria o “Arise” um ano depois sob a batuta do mesmo Scott Burns, nascia o homenageado de hoje.

A bolacha abre com a rápida “Shredded Humans“, essa sim, mais puxada para o Death Metal. O timbre das guitarras em muito lembra o do SEPULTURA. É bom lembrarmos que o produtor era o mesmo, o que explica muita coisa. Essa música é muito boa, embora seja primitiva, se compararmos com a técnica dos caras hoje em dia e a complexidade que eles usam e abusam nas músicas atuais. Mas o começo é excelente.

Edible Autopsy” é outro petardo, em que a banda já mostrava ser capaz de mudanças de andamento em suas composições: já na introdução em que a banda executa sutis mudanças, até o desenvolvimento da música, que se dá através das palhetadas precisas da dupla Jack Owen e Bob Rusay. Muito boa!

Put Them to Death” é curta e grossa. Mostrando que os caras não chegaram para brincar. Aqui a influência do SEPULTURA, da fase “Schizophrenia” se mostram mais latentes, só que o CANNIBAL CORPSE ainda era mais violento, agressivo e letal, sem desmerecer o trabalho dos brasileiros que fora brilhante.

Mangled” é um Thrash/Death bem estruturado, com boas e diversas mudanças de andamento em sua extensão. Aqui já temos uma pequena demonstração da técnica de Alex Webster no baixo. Eu sempre faço questão de salientar isso, pois além de o cara ter uma técnica absurda, ele se propõe a tocar Death Metal sem o uso de palheta.

Chegou a hora de uma das músicas mais famosas deste disco: “Scattered Remains, Splattered Brains”. Curta, agressiva e até hoje ainda tocada pelos caras ao vivo. E não pode deixar um petardo desses de fora. Era o começo de tudo.

Born in a Casket” é outra pérola para ninguém colocar defeito: os riffs da introdução são alguns dos melhores já compostos pela banda em toda a carreira. A música tem suas quebras no andamento como se tornaria o padrão do CANNIBAL CORPSE. Eu ainda acho as partes mais arrastadas melhores do que as partes rápidas, mas elas se completam. De vez em quando a música entra no setlist, e ela fica ainda melhor com George Corpsegrinder no vocal.

Rotting Head” é outra que nos leva a comparação com o SEPULTURA do “Beneath the Remains“, em que alguns riffs nos fazem lembrar da excelente “Primitive Future“. Aqui a pancadaria rola ao longo quase toda a música. Só o solo ainda não era uma coisa bem trabalhada, mas já era veloz.

The Undead Will Feast” mais parece a continuação da música anterior, só que essa ainda mais agressiva e veloz em praticamente toda sua extensão. Aqui novamente Alex Webster aparece com sua técnica.

Bloody Chunks” é outra bem curtinha, mas nem por isso foge à regra das anteriores: rápida, extrema, agressiva. Muito boa.

A primeira música deste disco que o redator que vos escreve conheceu chega com tudo: a rápida e violenta “A Skull Full of Maggots“. Essa música está presente no disco ao vivo dos caras, “Live Cannibalism“, que foi a minha porta de entrada para me tornar um fã incondicional da banda. E para a minha alegria e a de muitos fãs também, os caras tocam esse som até hoje em suas apresentações. Ela também é curta, mas maravilhosa e eleita por mim como a melhor deste disco.

A obra se encerra com “Buried in the Backyard” com sua introdução bem longa, de quase dois minutos e meio de rispidez e velocidade, para na primeira estrofe haver uma breve mudança de andamento, mas logo tudo volta como começou: riffs desesperadores, bateria rápida e Chris Barnes urrando com toda sua força. O trampo das guitarras aqui é excelente.

Quem tem a versão remasterizada do disco como o redator aqui, ainda ganhou um vídeo bônus para a música “Born in a Casket“, que pode ser assistida no PC. Esta já traz George “Corpsegrinder” no vocal e a formação que ficou por mais tempo estabilizada

E em quase 36 minutos o CANNIBAL CORPSE abriu com maestria a sua carreira. Um excelente disco, onde a banda mostrava potencial para se consolidar como um dos nomes da música extrema. Um disco honesto, pesado, com temas horrendos, que conquistaria fãs ao redor do globo terrestre. A banda iria moldando seu som, no segundo disco já incluiria com mais intensidade as influências do Death Metal, que a partir de “Tomb of Mutilated” seria o estilo definitivo dos caras. A importância de “Eaten” é de ter sido o marco zero, o pontapé inicial destes que seriam mais tarde reconhecidos como os reis do Death Metal.

Tudo que podemos fazer na data de hoje é botar essa bolacha para rolar com o volume no talo, comemorar e desejar uma longa vida ao CANNIBAL CORPSE.

Lineup:
Chris Barnes – Vocal
Jack Owen – Guitarra
Bob Russey – Guitarra
Alex Webster – Baixo
Paul Mazurkiewicz – Bateria

Tracklisting:
01 – Shredding Humans
02 – Edible Autopsy
03 – Put Them to Death
04 – Mangled
05 – Scattered Remains, Splattered Brains
06 – Born in a Casket
07 – Rotting Head
08 – The Unholy Will Feast
09 – Bloody Chunks
10 – A Skull Full of Maggots
11 – Buried in the Backyard

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